Instituto Militar de Engenharia ativa canal quântico pioneiro e avança rumo à Internet Quântica no Brasil - Notícias
Instituto Militar de Engenharia ativa canal quântico pioneiro e avança rumo à Internet Quântica no Brasil
Ciência, tecnologia e inovação
IME
- Pesquisadores do IME, via Rede Hermes Quântica, ativaram um equipamento de Distribuição Quântica de Chaves (QKD) em 17 de setembro, marcando um avanço essencial para a Internet Quântica no país.
- A Comunicação Quântica garante segurança máxima usando leis da física, detectando instantaneamente interceptações. O resultado é fruto da cooperação entre os projetos Rede Hermes Quântica e Rede Rio Quântica.
- O sistema QKD usa o protocolo BB84 e alcança 120 km. Próximos passos incluem enlaces reais no Rio de Janeiro e testes de longa distância na Amazônia para validar a tecnologia.
Rio de Janeiro (RJ) – Pesquisadores do Instituto Militar de Engenharia (IME), vinculados ao projeto Rede Hermes Quântica, ativaram, no dia 17 de setembro, um equipamento capaz de realizar o ciclo completo de um canal de Distribuição Quântica de Chaves — tecnologia conhecida pela sigla QKD (Quantum Key Distribution). A ativação marca um avanço significativo para o desenvolvimento de canais de comunicação quântica de longa distância no país, um passo essencial rumo à Internet Quântica e à comunicação entre computadores quânticos.
A Comunicação Quântica representa o mais alto nível de segurança existente para a troca de informações digitais. Em vez de depender apenas de algoritmos matemáticos, ela utiliza as leis da física quântica para proteger os dados: qualquer tentativa de interceptação altera o estado das partículas envolvidas e é detectada imediatamente.
O resultado foi alcançado por meio da cooperação entre dois projetos de ponta em execução no Rio de Janeiro. O primeiro, a Rede Hermes Quântica, coordenada pelo IME, é voltada ao setor de Defesa e busca consolidar a soberania tecnológica nacional nessa área estratégica. O segundo, a Rede Rio Quântica, reúne cinco instituições de ensino e pesquisa (UFF, CBPF, PUC-Rio, UFRJ e o próprio IME) com o objetivo de estabelecer uma rede metropolitana de QKD no estado.
O sistema utiliza o protocolo BB84, criado pelos cientistas Charles Bennett e Gilles Brassard em 1984 — base da criptografia quântica moderna. Os equipamentos, adquiridos da empresa suíça ID Quantique, uma das líderes globais no setor, empregam diferentes instantes de tempo para codificar os bits quânticos (qubits) que formam as chaves criptográficas. Seu diferencial está no alcance de até 120 km, superando implementações laboratoriais anteriores realizadas no Brasil.
Na configuração inicial, os testes foram conduzidos em ambiente de laboratório, conectando os equipamentos por bobinas de fibra óptica com duas junções mecânicas ao longo do percurso, totalizando 40 km de distância simulada. O próximo passo será a instalação de um enlace real entre o IME e o CBPF, por meio de um cabo óptico de 1,7 km, o que permitirá validar o desempenho do sistema em condições operacionais.
Futuramente, está prevista uma conexão entre o IME e a PUC-Rio, com cerca de 8 km de fibra óptica, integrando a infraestrutura da Rede Rio Quântica. Outra etapa planejada pela equipe da Rede Hermes Quântica, liderada pelo Tenente-Coronel Vítor Andrezo, é a realização de testes na Região Amazônica, utilizando as fibras ópticas do Programa Amazônia Conectada, o que permitirá avaliar o desempenho da tecnologia em longas distâncias e sob condições ambientais extremas.
Os dois projetos contam com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). A Rede Rio Quântica é fomentada pela Chamada CNPq/MCTI nº 25/2023 – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Quântica, enquanto a Rede Hermes Quântica recebe investimentos do Projeto FINEP/MCTI nº 3310/24 – Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias Quânticas para Segurança e Defesa Nacional (Quantum II).
A futura Internet Quântica, baseada nesse tipo de comunicação, permitirá conexões praticamente invioláveis e representa um novo patamar de segurança digital e protagonismo tecnológico.
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Fonte: IME