Forças da ONU contribuem nas ações de combate ao surto de Ebola no Congo - Notícias
Forças da ONU contribuem nas ações de combate ao surto de Ebola no Congo
Diplomacia militar
Centro de Comunicação Social do Exército
• O Exército Brasileiro participa da missão da ONU na República Democrática do Congo, enfrentando um surto grave de Ebola.
• O General de Divisão Ulisses de Mesquita Gomes lidera as operações, que incluem apoio a equipes médicas e patrulhamentos. A doença se espalha em áreas afetadas pela guerra civil, dificultada por milícias armadas.
• O Brasil tem tradição em missões de paz, contribuindo com a formação militar e apoio à população local.
Por Maj Cerqueira (CCOMSEx)
Brasília (DF) – Sob liderança de general brasileiro, o Exército Brasileiro segue na linha de frente da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO), país afetado por uma guerra civil desde 1999. Essa missão multinacional tem como Force Commander o General de Divisão Ulisses de Mesquita Gomes, desde fevereiro de 2025, que lidera militares de 45 países diferentes. O desafio mais premente vem sendo o enfrentamento de um surto de Ebola, doença contagiosa que assola a população daquela nação africana, com milhares de vítimas.
Uma nova cepa do vírus, para a qual não há vacina, atinge 53 zonas de saúde de cinco províncias do país, em particular Ituri, região mineradora, que registra mais de 90% dos casos confirmados. As províncias de Kivu do Norte e Haut-Uélé seguem como focos ativos de transmissão. Dados de agosto publicados pela ONU indicam a morte de mais de duas mil pessoas e mais de quatro mil casos confirmados.
O fato de a República Democrática do Congo ser afetada por doenças tropicais como febre amarela, malária e cólera acabou mascarando os sintomas do Ebola e retardando a reação por parte das autoridades locais, contribuindo para o aumento do contágio, que ocorre pelo contato físico e consumo de carne contaminada, entre outros fatores. A gravidade da situação fez a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar Emergência de Saúde Pública de Nível Internacional.
Da cidade de Buria, capital da província de Ituri, o General Ulisses ressaltou que a doença se espalhou por locais com grande concentração de população deslocada pela guerra civil. O combate aos efeitos do Ebola é dificultado pela atuação de milícias armadas. “Os grupos armados não pararam de atuar. Ao contrário, aproveitam a situação para cooptar crianças como soldados e também atacam hospitais e postos de saúde. O trabalho das tropas vem sendo efetivo e já fez com que alguns desses grupos armados assinassem acordos de paz”, salientou.
Apoio logístico e de segurança
O contingente da MONUSCO conta com 29 militares brasileiros, incluindo um da Marinha, um da Força Aérea Brasileira e uma da Polícia Militar da Bahia. Ao lado dos integrantes de outras nações, eles cumprem missões de segurança de equipes médicas; patrulhamento; apoio logístico em comboios e transporte de donativos; identificação, isolamento e protocolos de proteção de casos suspeitos da doença; além de conscientização sobre prevenção da contaminação.
Outro viés de atuação brasileira vem sendo desenvolvido por especialistas formados no Centro de Instrução de Guerra na Selva. Eles têm conduzido treinamentos para militares da MONUSCO e das Forças Armadas da República Democrática do Congo, país com a segunda maior extensão de floresta tripical do mundo.
Legado brasileiro em Missões de Paz
A posição de destaque do militar brasileiro dá continuidade ao legado do País em Missões de Paz sob a égide da ONU. O General Ulisses é o sexto oficial-general do Exército Brasileiro a comandar o componente militar da MONUSCO, sendo o quinto de modo consecutivo.
O Force Commander comenta que o Brasil tem sua liderança historicamente reconhecida em missões dessa natureza, especialmente após a atuação por 13 anos na missão de paz no Haiti (MINUSTAH), entre 2004 e 2017. “Temos o respeito do Sistema ONU no mais alto nível, pela formação dos militares brasileiros. Isso contribui para a missão de cumprir o mandato da ONU e liderar militares de tantas nacionalidades diferentes, o que é facilitado pela cultura brasileira, que respeita as diferenças étnicas. Como militares, estamos cumprindo uma missão; como seres humanos, estamos ajudando esse povo sofrido. É uma honra representar o Exército Brasileiro e as Forças Armadas em uma das mais desafiadoras missões de paz da atualidade”, destacou.
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Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército