Engenharia do Exército contribui para mobilidade da população gaúcha - Notícias
Engenharia do Exército contribui para mobilidade da população gaúcha
Operacionalidade
Fotos: 3º Batalhão de Engenharia de Combate
• Em 2024, a Operação Taquari II mostrou a presença e a capacidade do Exército Brasileiro em ajudar a população do Rio Grande do Sul durante enchentes. Militares realizaram resgates, transportaram doações e restauraram serviços essenciais.
• O 3º Batalhão de Engenharia de Combate montou quatro pontes provisórias em áreas afetadas, restabelecendo conexões rodoviárias importantes. A ponte sobre o rio Forqueta, por exemplo, beneficiou 116 mil pessoas e permitiu a circulação de bens. Outras pontes em Santa Maria e Pelotas também foram construídas para ajudar comunidades isoladas.
• As estruturas provisórias garantiram acesso e contribuíram para a recuperação econômica regional.
Cachoeira do Sul (RS) – Durante a crise climática que afetou o Rio Grande do Sul, em 2024, o 3º Batalhão de Engenharia de Combate (3º BE Cmb), Batalhão Conrado Bittencourt, sediado em Cachoeira do Sul, no contexto da Operação Taquari II, recebeu a missão de restabelecer importantes ligações rodoviárias interrompidas pelas enchentes. Em três frentes de trabalho, foram empregadas quatro pontes provisórias: uma entre Lajeado e Arroio do Meio, duas em Santa Maria e uma em Pelotas, demonstrando a operacionalidade da Engenharia do Exército Brasileiro.
O emprego não se limitou ao lançamento das estruturas. Durante todo o período, militares permaneceram envolvidos na operação, guarda, inspeção e manutenção das pontes, em coordenação com órgãos públicos, concessionárias e demais organizações. O trabalho assegurou a circulação de pessoas, alimentos, medicamentos e serviços, além de contribuir para o escoamento da produção e para a retomada das atividades econômicas.
A Operação Taquari II evidenciou a prontidão, a capacidade operacional e a presença permanente do Exército no apoio à população gaúcha. Quando as enchentes daquele ano atingiram cidades do Rio Grande do Sul, foram mobilizados pessoal e meios para apoiar a Defesa Civil. Militares participaram de resgates, transportaram donativos, desobstruíram vias e atuaram no restabelecimento de serviços essenciais. Em 1º de maio, a ativação da Operação Taquari II ampliou e coordenou esse esforço, demonstrando a capacidade de emprego da Força Terrestre e a integração com a sociedade.
Lajeado e Arroio do Meio: pronta resposta no apoio à população
A primeira das estruturas a concluir sua missão de apoio foi a ponte provisória sobre o rio Forqueta, entre as localidades de Lajeado e Arroio do Meio, que beneficiou 116 mil pessoas. Sua montagem começou no fim de julho de 2024 e foi concluída em apenas sete dias, reflexo do adestramento, da capacidade de mobilização e da prontidão operacional dos militares do 3º BE Cmb. Em agosto, a travessia passou a oferecer alternativa para ônibus, caminhões, veículos de serviço e para o abastecimento de uma região profundamente afetada pelas enchentes.
O efeito regional era ainda mais amplo, pois a travessia contribuía para o deslocamento de trabalhadores, a prestação de serviços e o escoamento da produção no Vale do Taquari. Ao longo de seu período de funcionamento, 467.250 veículos atravessaram a ponte, dado que dimensiona a relevância daquela entrega para a mobilidade, o abastecimento e a recuperação econômica da região. A estrutura permaneceu atendendo à população por cerca de nove meses. Nesse período, os militares acompanharam sua operação, realizaram inspeções e executaram as manutenções necessárias para preservar a segurança e a continuidade do tráfego.
Santa Maria: quase dois anos assegurando uma ligação regional
A segunda frente a chegar à etapa de desmontagem foi a da RSC-287, sobre o Arroio Grande, em Santa Maria. A queda da ponte existente havia interrompido um dos principais acessos à cidade e comprometido a ligação com os municípios da Quarta Colônia e com a Região Metropolitana de Porto Alegre. Diante da urgência, o 3º BE Cmb deslocou pessoal e meios e concluiu a primeira travessia provisória em 30 de maio de 2024, após dez dias e noites de trabalho. O tráfego foi liberado no dia seguinte.
A pronta resposta restabeleceu a mobilidade em um corredor fundamental para a Região Central. Considerando a população de Santa Maria e dos nove municípios que integram a Quarta Colônia, estima-se alcance indireto potencial de aproximadamente 329 mil pessoas.
Diante do elevado movimento da rodovia, uma segunda ponte foi posteriormente montada pelo 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado (5º BE Cmb Bld) e liberada em outubro de 2024. As estruturas, denominadas Ponte Sargento Pires e Ponte Cabo Taltíbio, passaram a funcionar de forma complementar, ampliando a fluidez do tráfego. Durante o período de operação, mais 5 milhões de veículos transitaram pelas duas pontes provisórias de Santa Maria.
Em março de 2026, o tráfego foi transferido para a nova ponte de concreto. Em 14 de abril, militares do 3º BE Cmb e do 5º BE Cmb iniciaram a desmontagem das duas estruturas provisórias. Quase dois anos haviam transcorrido desde a pronta resposta à calamidade.
Pelotas: presença até agosto de 2026
A última das três frentes a concluir seu ciclo operacional foi a ponte sobre o Arroio Sujo, em Pelotas. Instalada em 9 de junho de 2024, a estrutura restabeleceu o acesso entre a Colônia de Pescadores Z3, o Barro Duro e o restante do município, isolado por terra depois que as águas destruíram a antiga passagem. A Colônia Z3 reúne aproximadamente 3 mil moradores, que constituíam a parcela mais diretamente dependente da travessia. Indiretamente, o benefício alcançou cadeias de comércio, pesca, transporte e prestação de serviços de Pelotas, município com mais de 325 mil habitantes.
Quando a construção da ponte permanente exigiu a liberação do local original, os militares desmontaram e reposicionaram a estrutura provisória. A medida permitiu que as obras avançassem sem interromper o acesso da comunidade e demonstrou a flexibilidade da tropa para adaptar a solução às necessidades da população. A ponte permaneceu atendendo à região por mais de dois anos e dois meses. Durante esse tempo, militares continuaram empregados em sua guarda, operação, acompanhamento e manutenção. A retirada definitiva começou em 27 de agosto de 2026 e foi concluída no dia seguinte, após a liberação da nova passagem de concreto.
Era a última das estruturas destacadas nesta missão a deixar o terreno. Mais de dois anos após a calamidade, quando a atenção pública já se voltava para outros acontecimentos, o Exército permanecia presente, cumprindo sua missão em apoio ao povo gaúcho. As pontes foram provisórias, mas a disponibilidade dos militares foi permanente, destacando a presença do Exército no apoio à população e na recuperação do Rio Grande do Sul.
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Fonte: 3º Batalhão de Engenharia de Combate