Evolução histórica dos uniformes de combate do Exército - Notícias
Evolução histórica dos uniformes de combate do Exército
375 anos
Centro de Comunicação Social do Exército
Brasília (DF) – Em 375 anos de existência, o Exército Brasileiro passou por uma transformação profunda em seus uniformes de combate. De trajes cerimoniais pesados e coloridos, pensados para distinção e imponência, à farda atual, discreta, funcional e integrada a tecnologias táticas, a evolução dos uniformes acompanha o desenvolvimento do País, os avanços da guerra moderna e a necessidade crescente de proteção e eficácia no campo de batalha.
Nos primórdios da presença militar organizada em território brasileiro, como nas Batalhas dos Guararapes (1648, 1649), combatentes usavam roupas adaptadas do vestuário colonial. Já em 1710, os praças do 2º Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro vestiam trajes fortemente inspirados nos modelos europeus, com tecidos espessos e ornamentação visível, típicos de uma época em que a estética militar simbolizava hierarquia e presença de Estado.
Durante o século XVIII, em conflitos como a Guerra Hispano-Portuguesa, os uniformes ainda priorizavam cores vivas, azul, vermelho, branco, e elementos como plumas, dragonas e botões dourados. A função era clara, permitir fácil identificação dos postos e graduações no campo de batalha, mesmo à distância. No entanto, essa lógica começaria a se chocar com as exigências crescentes da guerra real.
O Império do Brasil (1822, 1889) manteve a tradição do brilho e da ostentação. A Guarda Imperial, por exemplo, apresentava uniformes exuberantes, com calças brancas, túnicas de cores vibrantes e acessórios dourados. Ao mesmo tempo, surgiam as primeiras iniciativas de uniformização funcional, como os trajes dos batalhões de caçadores e artilheiros, que privilegiavam tecidos mais resistentes ao uso e ao clima tropical.
A Guerra da Tríplice Aliança (1864, 1870) foi um divisor de águas. Os combates prolongados e em terreno adverso expuseram as limitações dos uniformes ornamentais. Soldados como os do 2º Regimento de Cavalaria Ligeira, em 1864, passaram a utilizar roupas com cores menos chamativas e estrutura mais leve, antecipando o paradigma do combate moderno.
Com a Proclamação da República em 1889, a estética militar se tornou mais austera e padronizada. Os uniformes dos Corpos Especiais e da Escola de Sargentos no final do século XIX já apresentavam cortes funcionais e redução de adornos. No século XX, com a participação em conflitos internos e nas guerras mundiais, a farda evoluiu para padrões mais utilitários, como visto na Força Expedicionária Brasileira (FEB), em 1944.
Durante a segunda metade do século XX, a atuação em missões de paz da ONU levou à adaptação dos uniformes a diferentes climas e cenários operacionais. Desde Suez (1956) até o Haiti (2004, 2017), os uniformes ganharam tecidos mais leves, resistentes e adequados à realidade tropical. Já na década de 2010, operações como a Força de Pacificação no Rio de Janeiro (2010) demonstraram a necessidade de uniformes que oferecessem conforto, proteção e mobilidade em ambientes urbanos.
Com o avanço dos sensores optrônicos, da vigilância aérea e do uso de sensores térmicos, a visibilidade dos uniformes tornou-se uma vulnerabilidade. A identificação ostensiva de patentes e insígnias deu lugar à camuflagem e à neutralização da assinatura térmica e luminosa do combatente. A estética cedeu espaço à sobrevivência. Nesse contexto, inclusive, o Exército substituiu o tradicional coturno preto engraxado por um modelo na cor coyote, mais ergonômico e com menor reflexo térmico e visual.
O ápice dessa evolução é o uniforme do Projeto COBRA (Combatente Brasileiro), totalmente redesenhado para maximizar a funcionalidade tática. O fardamento incorpora bolsos em posições estratégicas, como nas mangas, peito, coxas e pernas, pensados para facilitar o acesso mesmo em posição de combate, com ou sem colete. Cada elemento do uniforme busca facilitar o desempenho e proteger o combatente.
A nova farda possui três versões, visualmente idênticas, mas com tecidos distintos, a de alta solidez, para uso diário, a de alto desempenho (NYCO), para exercícios e campo, e a com tratamento por nanovetores, voltada para missões especiais, com propriedades antimicrobianas, repelência à água e controle térmico. A escolha do tecido atende à missão e não apenas à aparência.
Mas o Projeto COBRA vai além do uniforme. Ele é a principal iniciativa do Exército para modernizar o conjunto completo de equipamentos do combatente, atuando em três frentes, letalidade, proteção e C2 & IRVA, sigla para Comando e Controle, Inteligência, Reconhecimento, Vigilância e Aquisição de Alvos. O projeto substitui equipamentos obsoletos sem aumentar os custos, redirecionando o orçamento regular para aquisição de itens modernos e validados por testes práticos.
Em 2024, o Exército consolidou o uso dos parâmetros COBRA ao realizar a primeira licitação de materiais de classe II, como capacetes e uniformes. O modelo atual, com corte anatômico, tecido tecnológico e acessórios compatíveis com os desafios contemporâneos, simboliza não apenas um novo uniforme, mas uma nova doutrina operacional, o combatente brasileiro do século XXI está, finalmente, vestido para o futuro.
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Fonte: Projeto Sistema Combatente Brasileiro (COBRA)/ COTER