Promoção de oficiais-generais

Abril de 2026

Publicado em 01/04/2026 10h17 | Atualizado em 01/04/2026 10h47

Centro de Comunicação Social do Exército

SAUDAÇÃO AOS OFICIAIS-GENERAIS RECÉM-PROMOVIDOS

Senhoras e senhores, bom dia!

Dirijo-me, inicialmente, com especial deferência, ao Senhor Comandante do Exército, General Tomás, que muito me honra ao permitir falar, em seu nome, nesta cerimônia de tanta relevância e júbilo para a nossa Instituição.

Esta solenidade concretiza o reconhecimento do Exército Brasileiro ao mérito evidenciado, ao longo de décadas, pelos oficiais-generais promovidos. Com grande satisfação, destaco os novos Generais de Exército: Alcio Costa e Nigri; os novos Generais de Divisão: Cesar, Taranto, Yoshida, Kurt, Mathias, Moussallem, Trindade, Erb, Emilio, André Luiz e Eduardo; e, em especial, os novos Generais de Brigada, que hoje são os protagonistas desta cerimônia: Ruy, Maurício, Vasconcellos, Thiago, Claudia, Roberti, Brandalise, Lehmkuhl, Novaes, Assis, Madeira, Grala, Cerávolo, Sergio Matos, Boabaid, Firmino e Morett. 

Essa promoção não é obra do acaso. Ela é, sobretudo, a renovação de um compromisso com a Nação, com o Exército e com os valores permanentes que nos estruturam como instituição de Estado — instituição herdeira dos feitos nos Montes Guararapes, nas lutas pela Independência, nas campanhas de pacificação do Império, na Guerra da Tríplice Aliança, nos campos da Itália, no Haiti, nos diversos apoios à nossa população em situações de calamidade e em tantas outras passagens de nossa vitoriosa história.

Foi longo o caminho desde o instante em que, ainda jovens, vocês foram declarados oficiais do Exército Brasileiro, em cerimônias, igualmente emocionantes, nas respectivas escolas de formação.

A marcha empreendida foi muito exigente, marcada por estudos intensos, decisões complexas, renúncias pessoais e familiares, além do permanente aperfeiçoamento da alma de soldado.

Permitam-me assinalar, com especial significado histórico, a promoção da primeira oficial-general do Exército Brasileiro, a General de Brigada Claudia Lima Gusmão Cacho. Sua ascensão representa não apenas mérito pessoal inequívoco, mas também a maturidade de um Exército que reconhece seus talentos de forma justa e que valoriza seus profissionais na exata medida em que se distinguem no exercício da atividade militar.  Caros generais, vocês não chegaram até aqui sozinhos.

No dispositivo desta cerimônia, vocês se encontram emoldurados por aqueles que testemunharam suas caminhadas, muitas vezes os incentivando, orientando, apoiando nos momentos difíceis e que, agora, depositam enormes expectativas em seus próximos passos.   

De um lado, pais, mães, filhos, netos e demais familiares celebram suas conquistas, tomados pela emoção. Em verdade, as suas virtudes se formaram em seus lares e se consolidaram na caserna e nas famílias que constituíram. É dessa estrutura que advêm o coração puro, a inteligência prática e a moderação. Estejam certos de que a família continuará sendo o principal suporte emocional de suas vidas. 

De outro lado, os camaradas de armas, irmãos por uma escolha comum: a de arriscar a própria vida para defender a Pátria. Essa é uma amizade duradoura, e a razão é simples: foi estabelecida entre pessoas que são boas por natureza e que compartilham virtudes semelhantes. São os verdadeiros amigos que estão aqui, hoje, para homenageá-los, mesmo aqueles que não foram promovidos, pois confiam em vocês e continuarão a apoiá-los nos desafios vindouros. 

Ao fundo, cadetes que, portando as espadas que lhes serão entregues, os observam como uma referência a seguir. O cadete nos rememora que não é fácil dominar a arte de bem comandar e que a grande escola do comando é saber escutar com atenção. Eles ostentam em seus uniformes a miniatura do Sabre de Caxias, nosso Patrono que, até o último dia de sua vida, nos deu prova de dedicação integral a serviço da Pátria.

À frente, os generais do Alto-Comando do Exército, do passado e do presente, os certificam como as lideranças mais aptas para dar continuidade ao legado de Caxias, que, simbolicamente, está aqui presente por intermédio de sua espada invicta, que representa o pacto entre as gerações de militares.

Destaco, de forma figurada, pairando sobre nós, a Instituição — luz infinita — que nos orienta pela senda da tradição e dos valores. Com ética, liderança e visão estratégica, aqueles que nos antecederam souberam responder às ameaças e aos desafios, servindo ao Brasil de forma desinteressada e contribuindo, decisivamente, para a história pátria. Nossa geração, baseada na hierarquia e na disciplina e inspirada nos feitos dos antepassados, reafirma o mesmo comprometimento com a defesa e o desenvolvimento nacionais.     

E, ainda, metaforicamente, o piso sobre o qual se postam representa o alicerce sólido que nos sustenta, a Carta Magna que, em conjunto com os demais dispositivos legais, rege o Estado e baliza, com clareza, o emprego da Força em defesa da Pátria, dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Com efeito, nossa Constituição Federal ao preconizar, entre os seus princípios fundamentais, “a soberania” e “uma sociedade livre”, concita-nos a manter o mais elevado nível de prontidão.  

Doravante, a liderança confiada a vocês será cada vez mais reflexiva e, igualmente, mais compartilhada. O tempo do comando solitário cede espaço a uma liderança que escuta, integra competências e articula experiências para decidir em cenários complexos e disruptivos.

Liderar, agora, é compreender a velocidade das transformações, a multiplicidade de atores e a natureza das ameaças.

Liderar exige densidade intelectual, coragem moral e discernimento, afastando-se de conceitos superficiais difundidos em ambientes digitais, marcados por simplificações apressadas e distorcidas. 

Vocês exercerão o comando em um Exército que, imperativamente, se ajusta aos novos tempos. Tempos de incertezas, em que seus subordinados deverão estar prontos para atuar em operações no multidomínio, com intenso emprego de sistemas autônomos e inteligência artificial. Tempos marcados por percepções muitas vezes reforçadas em ambientes polarizados que somente fragmentam sociedades e tensionam instituições.

Prezados generais, vivemos em um mundo em conflito, em escala e intensidade não observadas desde a Segunda Guerra Mundial. Percebe-se a reedição de práticas que remetem a um mundo multipolar, com disputas acirradas por influência, recursos e posições geoestratégicas.  

Nesse contexto, ecoam as palavras de ordem de muitas lideranças que reforçam a necessidade de se preparar para conflitos iminentes, nos quais a liberdade e a soberania dos povos dependerão, acima de tudo, da aptidão de suas capacidades militares de defesa. 

É cada vez mais evidente que, para ser respeitado nesta nova ordem mundial, é necessário dispor de uma capacidade de dissuasão crível.

É nesse ambiente que o Exército Brasileiro se transforma e projeta a Força 40. Buscamos ampliar as nossas capacidades militares terrestres e otimizar nossa organização. Saltamos do analógico para o digital, incorporamos tecnologias, integramos sistemas, revisamos a doutrina e implementamos a gestão de talentos. 

Essa transformação não é apenas material. É também cultural e comunicacional.

Temos o dever de comunicar, diligentemente e com transparência, o que fazemos, para ajudar o povo brasileiro a compreender melhor as capacidades e as ações de suas Forças Armadas. 

Devemos, igualmente, buscar ampliar nosso diálogo com as lideranças civis responsáveis por, em nome da sociedade, estabelecer orientação à Defesa Nacional e prover os meios necessários. Para isso, é mister que elas compreendam nossas demandas e prioridades, bem como os riscos que o não atendimento a essas necessidades representa ao Estado brasileiro.

Estimados generais, apontar o caminho e, ao mesmo tempo, segui-lo à frente da sua tropa constitui a mais inspiradora missão que lhes poderia ser confiada. A liderança não é imposta. Ela é conquistada. Liderem pelo exemplo e estimulem a coesão interna, pois ela é a nossa maior fortaleza.  

Empunhem a espada que hoje recebem, não como instrumento de vaidade, mas como expressão de compromisso. Ajam com objetividade e simplicidade espartanas. Cuidem dos anseios de seus subordinados e eles retribuirão com a justa confiança.  

Que esta espada seja, simultaneamente, memória do passado, instrumento do presente e certeza de futuro.

Finalizando minhas palavras, gostaria de ressaltar: os seus subordinados estarão atentos a vocês; o Exército os referenda; a Nação confia em seus generais; e a História os observará.

Que o Senhor dos Exércitos os ilumine, guie seus passos, inspire suas decisões e proteja suas famílias e seus subordinados.

Sejam muito felizes!

 

General de Exército FRANCISCO HUMBERTO MONTENEGRO JUNIOR
Chefe do Estado-Maior do Exército


 

 

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Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército