Dia do Quadro de Material Bélico

2025

A logística tem sua origem na Antiguidade, onde, de acordo com os registros, práticas de gestão de suprimentos, transporte de alimentos e bens para subsistência melhoravam a vida dos agrupamentos tribais e, por conseguinte, de cidades inteiras. Os gregos utilizavam o termo "logistikas" para se referir a cálculos e raciocínio matemático com o fito de distribuir suprimentos e de cuidar das finanças militares. Com o advento da roda e do eixo, os romanos começaram a esquadrinhar seu vasto território com estradas e caminhos com o objetivo de fomentar o comércio e facilitar o movimento de tropas. Muitos anos mais tarde, na Idade Moderna, o termo logistique foi usado pelo militar francês Barão de Jomini, no século XVIII, definindo-o como a arte de movimentar exércitos.

O Quadro de Material Bélico realiza apoio logístico voltado à manutenção do material bélico no Exército Brasileiro, principalmente os armamentos, as viaturas, as aeronaves, o suprimento de peças e conjuntos de reparação destinados a esses materiais. A origem do Quadro remonta ao ano de 1762, no período colonial, ocasião em que foi criada a histórica “Casa do Trem”. Considerada a primeira estrutura física dedicada à atividade de Material Bélico do Exército Brasileiro, a instalação possuía como brasão dois canhões coloniais cruzados que, mais tarde, foram imortalizados, tornando-se o símbolo do Quadro.

O Exército Brasileiro comemora, no dia 30 de outubro, a data magna do Quadro de Material Bélico em homenagem ao natalício do seu insigne patrono, o Tenente-General Carlos Antônio Napion, o qual foi escolhido em 12 de agosto de 1966, em reconhecimento aos seus feitos na estruturação da indústria militar brasileira. Napion nasceu em Turim, na Itália, em 30 de outubro de 1757, e acompanhou a comitiva do Príncipe Regente Dom João VI, em 1808, por ocasião da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil. Ao chegar à mais proeminente colônia lusitana, o turinense exerceu cargos importantes para o desenvolvimento da indústria bélica nacional. Nesse contexto, ele foi responsável pela criação de fábricas de armamento e pólvora, como a Fábrica de Pólvora da Lagoa e o Arsenal Real do Exército (atual Arsenal de Guerra do Rio). Além disso, atuou como presidente da junta militar da Academia Real Militar, fato que lhe conferiu o privilégio de ter sido o primeiro Comandante da Real Academia Militar do Rio de Janeiro.

No século XX, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, foi criada a 1ª Companhia Especial de Manutenção, subunidade que originou a atual 111ª Companhia de Apoio de Material Bélico, para integrar a Força Expedicionária Brasileira. As lições aprendidas no conflito motivaram o Exército Brasileiro a reformular o apoio de manutenção, instituindo assim, a partir de 1946, as Organizações Militares Logísticas de Manutenção. Fruto dessa experimentação, o Brasil criou, por meio da Lei nº 3.654, de 4 de novembro de 1959, o Quadro de Material Bélico. 

O Quadro de Material Bélico realiza o apoio logístico aos elementos de combate e elementos de apoio ao combate, com destaque na execução das atividades de manutenção, transporte, salvamento e suprimento de combustíveis, lubrificantes, munições, explosivos e materiais de motomecanização, contribuindo para a prontidão logística da Força Terrestre.

Ao atuar em harmonia com os Serviços de Intendência, de Saúde e com o Sistema Engenharia, a tropa de Material Bélico proporciona o indispensável suporte logístico ao emprego das Armas nas mais diversas funções de combate. Tal atuação é sempre pautada pela flexibilidade, adaptabilidade, modularidade, elasticidade e sustentabilidade, colaborando continuamente com o aperfeiçoamento da logística militar terrestre.  

Os militares do Quadro de Material Bélico atuam diretamente nas atividades de manutenção e controle do material em todos os quartéis da Força Terrestre. Desta forma, mantém-se o nível de disponibilidade dos Materiais de Emprego Militar (MEM), favorecendo a efetividade das Armas combatentes.

No Brasil, no início do século XXI, ocorreram diversos eventos internacionais, como os Jogos Mundiais Militares, Jogos Olímpicos, Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Neste cenário, foram adquiridos diversos MEM, com vistas a adequar o preparo e o emprego da tropa para essas atividades de vulto, atendendo assim, ao Planejamento Estratégico do Exército. Com isso, houve um crescimento significativo na demanda geral de manutenção, o que reverberou diretamente no emprego dos militares de Material Bélico. Foi então, mais uma oportunidade em que este valoroso Quadro mostrou seu valor e sua importância para a Força Terrestre.

No exterior, o Material Bélico atuou destacadamente na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH), de 2004 a 2017, ocasião em que o Brasil atuou com tropa constituída. Naquela oportunidade, os Batalhões de Infantaria e as Companhias de Engenharia brasileiras contavam com maciça presença de oficiais e praças de Material Bélico em seus efetivos, o que contribuiu decisivamente no combate e ajudou sobremaneira a projetar a imagem do Exército Brasileiro no cenário internacional. 
Nobres militares de Material Bélico de ontem, de hoje e de sempre, orgulhem-se do Quadro ao qual pertencem e mantenham vivo o espírito do vosso patrono, lembrando-se constantemente que os discípulos de Napion contribuem diretamente na geração do poder de combate da nossa Força! 

Prever! Prover! Manter!
Logística!
Brasil!

Clique aqui para baixar o alusivo em PDF

Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército