Dia do Exército 2026 - Central de Conteúdos
Dia do Exército 2026
Ordem do dia
Centro de Comunicação Social do Exército
Soldados do Exército Brasileiro,
No dia 19 de abril de 1648, nos Montes Guararapes, por ocasião da batalha que deu início à expulsão dos holandeses do Brasil durante a restauração pernambucana, gerou-se o embrião da Força Terrestre e lançou-se o alicerce da nossa nacionalidade. Naquele solo, brasileiros de diferentes origens — indígenas, brancos, negros e mestiços — combateram lado a lado, unidos pelo amor à Nação e pelo compromisso comum de defendê-la. Ali nasceu o Exército Brasileiro, desde então, inseparável da Pátria e fiel aos valores que orientam sua trajetória.
Ao longo de quase quatro séculos, o Exército consolidou-se como Instituição de Estado, presente nos momentos cruciais da formação e evolução do Brasil. Lutamos pela garantia da Independência, pela preservação da unidade nacional e pela inviolabilidade de nossas fronteiras. Nesse contexto, celebramos, no corrente ano, o transcurso dos 160 anos da Batalha de Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul, travada nas planícies alagadiças da porção meridional de nosso continente. Naquela ocasião, o Exército Brasileiro escreveu uma das mais gloriosas páginas de sua história ao repelir vigorosa investida inimiga contra o acampamento da Tríplice Aliança. O acirrado confronto evidenciou o heroísmo e a liderança do Brigadeiro Sampaio, do Marechal Osorio e do Marechal Mallet, posteriormente instituídos Patronos das Armas de Infantaria, Cavalaria e Artilharia, respectivamente. Sampaio, ferido por três vezes, permaneceu à frente de seus homens da Divisão Encouraçada até extinguirem-se suas forças. Osorio, que assegurou o oportuno preparo defensivo das tropas, destacou-se pela firmeza, intrepidez e capacidade de comando. E, por fim, Mallet, que atuou de forma decisiva na linha de frente, eternizando o brado que ainda ecoa: “Eles que venham! Por aqui não passam!”. A vitória em Tuiuti negou ao inimigo a retomada da iniciativa e abriu caminho para a ofensiva aliada, já sob a condução estratégica do Duque de Caxias, Patrono do Exército.
Prosseguimos lutando pela consolidação da República e pela defesa da democracia nos campos de batalha da Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, atuamos em missões de paz em diversas regiões do mundo, sob a égide de organismos multilaterais, infelizmente com baixas em nossas fileiras, como ocorrido no Haiti em 2010. Em cada um desses episódios, reafirmamos nosso compromisso: servir ao Brasil e aos brasileiros, de forma silente e desinteressada. Como afirmou o General Octávio Costa, veterano da Força Expedicionária Brasileira, “a verdadeira recompensa do Soldado está nele mesmo, na consciência de haver cumprido o seu dever e no sentir-se útil e prestante à Nação”.
Nos dias atuais, ao escutarmos a expressão Exército Brasileiro, a primeira palavra, Exército, remete-nos à operacionalidade, característica típica do Braço Forte, enquanto a segunda palavra representa o mais puro propósito da Mão Amiga: o brasileiro. Dessa forma, o Braço Forte garante a soberania nacional, protege a extensa e inóspita fronteira, combate ações ilícitas transnacionais e promove a segurança de grandes eventos nos centros urbanos; ao mesmo tempo que a Mão Amiga resgata e salva vidas por ocasião de desastres naturais, distribui água no Nordeste, constrói centenas de quilômetros de estradas no interior do País, preserva o meio ambiente e presta apoio médico em regiões remotas da imensa Amazônia, tudo em proveito do nosso maior patrimônio, o irmão brasileiro.
Para cumprir tão complexas missões, os homens e as mulheres de farda verde-oliva enfrentam, vinte e quatro horas por dia, com disponibilidade permanente, ambientes adversos e asseguram a presença do Estado em rincões do território, onde, muitas vezes, somente a Força Terrestre subsiste.
Hoje, na senda da constante evolução institucional, em especial na área de recursos humanos, o Exército, fiel ao seu compromisso com a igualdade de oportunidades, apresenta um importante passo inovador, trazendo cada vez mais o segmento feminino para integrar seu Braço Forte e sua Mão Amiga. Assim, ao incorporar para além de 1.000 jovens mulheres, distribuídas em 38 organizações militares, a Instituição avança com a implementação do Serviço Militar Inicial Feminino, iniciativa do Ministério da Defesa que amplia a participação da mulher na defesa da Pátria e fortalece os laços entre a Força Terrestre e a sociedade. Destaco também, no corrente ano, a promoção de uma militar ao posto de General de Brigada, pela primeira vez na história da Força. Esse reconhecimento é resultado de criterioso processo de avaliação conduzido pelo Alto-Comando, no qual são analisados inúmeros atributos, entre eles o mérito profissional, o desempenho em funções relevantes e o tempo de serviço.
Ao abrir suas fileiras a essas pioneiras, de Soldado a General, entre muitas outras que ainda virão, a Instituição reafirma sua confiança no valor, na coragem, na competência, na inteligência e na dedicação da mulher, cuja presença marcante em diversas áreas operacionais e técnicas certamente trará significativos ganhos para a Força.
Vivemos, atualmente, em um cenário internacional marcado por rápidas transformações e por ameaças cada vez mais complexas, híbridas e multidimensionais. Diante disso, o Exército segue investindo na capacitação de seus recursos humanos e na modernização de seus meios, agregando cada vez mais tecnologia ao seu material de emprego militar. Nesse contexto, estamos adquirindo mais doze helicópteros Black Hawk, na versão mais moderna dessa aeronave e, além disso, encontra-se na fase final o processo de aquisição de drones, os vetores que ocasionaram uma das mudanças mais profundas na história da guerra contemporânea. Assim, preparar-se para o futuro é imperativo para manter a credibilidade dissuasória da Força e assegurar que o Braço Forte continue apto a defender o Brasil em qualquer circunstância, oferecendo simultaneamente a Mão Amiga nos momentos de dificuldade.
Esse preparo intenso e permanente tem como centro o Soldado de Caxias, oriundo de todas as regiões e segmentos da sociedade, que enverga o uniforme camuflado com orgulho, retidão e espírito de servir. É ele que dá vida à Instituição, sustentado por valores perenes como a hierarquia, a disciplina, o patriotismo, a lealdade e o profissionalismo. Valores que atravessam gerações e que mantêm o Exército coeso, apolítico e fiel à Constituição.
Neste Dia do Exército, ao evocarmos a bravura dos heróis de Guararapes, dos Patronos de Tuiuti, dos “pracinhas” da Força Expedicionária Brasileira, dos capacetes-azuis das missões de paz e de todos aqueles que, ao longo da história, dedicaram suas vidas à defesa da Pátria, renovamos nosso compromisso com o Brasil. Que o exemplo desses soldados inspire cada integrante da Força a cumprir sua missão com honra, coragem e dedicação. O Exército Brasileiro seguirá pronto para preservar a soberania e a integridade territorial do País, sem nos esquecermos de que na extensão do Braço Forte existe sempre a Mão Amiga, solidária, presente e comprometida com o bem-estar do povo brasileiro. Viva o Exército de Caxias! Viva o Brasil!
Brasília-DF, 16 de abril de 2026.
General de Exército TOMÁS MIGUEL MINÉ RIBEIRO PAIVA
Comandante do Exército
Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército