Dia da Arma de Cavalaria - Central de Conteúdos
Dia da Arma de Cavalaria
2025
Desde os primórdios das civilizações, a guerra fez parte da história humana, impulsionando-a sempre na busca por estratégias que garantissem vantagem nos combates. As primeiras evoluções postas em prática consistiram em empregar soldados montados em animais de grande porte ou em plataformas para se utilizarem da velocidade e da ação de choque, com o objetivo de obter a superioridade no confronto. A essa evolução, deu-se o nome de Akva que, em sânscrito, significa “combater em vantagem de posição”. Tal termo deu origem à palavra Cavalaria, ou seja, uma tropa mais rápida e mais imponente que o conjunto do campo de batalha.
No Brasil, a Arma de Cavalaria tem suas raízes nos Regimentos de Dragões criados para proteger a colônia portuguesa contra invasores e revoltosos. Durante os conflitos contra os holandeses, em meados do século XVII, os primeiros Regimentos de Dragões Auxiliares foram organizados para fazer frente à ameaça estrangeira. No século seguinte, estabeleceram-se, no Rio de Janeiro, o Regimento de Dragões, a fim de garantir a ordem e o cumprimento das leis; e, no sul do País, o Regimento de Dragões do Rio Grande, que teve destacada atuação face aos espanhóis que ameaçavam a Colônia de Sacramento.
A história da nobre Arma confunde-se com a de seu patrono, Marechal Manoel Luis Osorio, cujo exemplo de bravura e liderança, até hoje, vem inspirando gerações de soldados. Nascido em 10 de maio de 1808, na então Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio, hoje Osório(RS), cresceu em um ambiente de constantes desafios militares, o que fez aflorar desde cedo sua vocação castrense. Aos 15 anos, ingressou no Regimento de Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras de São Paulo, participando de sua primeira campanha militar na Cisplatina.
Seu batismo de fogo ocorreu às margens do arroio Miguelete, próximo a Montevidéu, onde demonstrou destemor e habilidade no combate. Esse momento marcou o início de uma brilhante trajetória, que o faria participar de diversos conflitos de grande relevância para o Brasil.
Durante as Campanhas da Cisplatina (1825-1827), destacou-se por salvar a vida do seu Comandante, o Coronel Bento Manuel que, impressionado com sua coragem, declarou: “hei de legar-lhe a minha lança, Alferes, porque a levará aonde a tenho levado”.
Anos mais tarde, na Guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852), participou ativamente da Batalha de Monte Caseros, durante a qual comandou o 2º Regimento de Cavalaria na vanguarda das tropas brasileiras, rompendo o dispositivo inimigo com um golpe fulminante.
Já como Brigadeiro, liderou uma importante e bem-sucedida expedição, no Alto Uruguai, em busca de ricos ervais, o que lhe rendeu o título nobiliárquico de Marquês do Herval.
Durante a Guerra da Tríplice Aliança, à frente do 1º Corpo de Exército, participou de batalhas decisivas, dentre as quais destacam-se a de Tuiuti, maior batalha campal travada na América do Sul, onde enfrentou um maciço ataque de tropas paraguaias e, mesmo em desvantagem numérica, liderou uma impressionante manobra que mudou definitivamente o rumo da batalha, garantindo a vitória brasileira; bem como a Batalha do Avaí, durante a qual sofreu graves ferimentos na face, mas recusou-se a abandonar o campo de batalha, deixando-se evacuar, apenas, quando a vitória já estava assegurada.
Além de exímio líder militar, Osorio também foi político, tendo representado, em 1877, a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul como senador do Império.
O Marechal Osorio galgou todos os postos da hierarquia militar e a despeito de seus grandes feitos, era um homem simples, arquétipo de soldado, dotado de expressiva liderança entre seus subordinados. Suas ações evidenciam coragem, espírito de corpo e amor pelos lances perigosos, sendo conhecido entre os seus pela alcunha de “O Legendário”.
Falecido em 4 de outubro de 1879, veio a ser reconhecido, em 1962, como o Patrono da Cavalaria brasileira, imortalizando assim, definitivamente, seu legado.
Ao longo dos anos, as evoluções tecnológicas impuseram à Cavalaria, constantes reestruturações e, cada dia mais, vêm ampliando sua capacidade de ver antes de ser vista, alvejar antes de ser atingida e dominar antes mesmo que o inimigo a perceba.
Há 80 anos, por ocasião da 2ª Guerra Mundial, a Cavalaria brasileira se fez representar pelo 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado, comandado pelo então Capitão Plínio Pitaluga. A tropa dotada de viaturas leves Jeep Willys e viaturas blindadas M8 Greyhound foi peça-chave para o sucesso da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária no referido conflito, tendo cumprido diversas missões de reconhecimento, perseguição, com destaque para ocasião em que contribuiu significativamente na rendição dos mais de 14 mil homens da 148ª Divisão de Infantaria alemã.
A Cavalaria tem por características intrínsecas o emprego das comunicações de forma ampla e flexível, a elevada mobilidade, a proteção blindada e a potência de fogo que, ao precipitar-se para o inimigo, impõe-lhe grande impacto psicológico, caracterizando assim, a Ação de Choque.
A Arma dos heróis articula-se da seguinte forma:
Cavalaria Blindada dotada de Viaturas Blindadas Carros de Combate LEOPARD 1A5 BR e M60 A3 TTS, dotadas de canhão 105 mm e precisos sistemas de controle de tiro e das modernizadas Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal M113 BR. É vocacionada para Operações Ofensivas, agregando poder de combate no momento e locais decisivos.
Cavalaria Mecanizada, dotada de Viaturas Blindadas de Reconhecimento Cascavel, das modernas Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal Guarani e das Viaturas Blindadas Multitarefa Guaicurus. É vocacionada para Operações de Reconhecimento e Segurança que têm por finalidade levantar dados sobre o inimigo e da área de operações, preservando a tropa em proveito da qual atua.
A Cavalaria de Guardas é responsável pelas missões de cerimonial militar a pé e hipomóvel, pela proteção de áreas e instalações, por operações de controle de distúrbios. Além disso, sobre o dorso do nobre amigo, trata-se de pilar fundamental para a preservação das tradições tão caras a todos os discípulos de Osorio.
Cavalaria de Selva, Paraquedista e Aeromóvel tratam-se de tropas extremamente leves e de elevada mobilidade estratégica que conferem às brigadas enquadrantes, grande mobilidade e versatilidade.
No cenário contemporâneo, a Cavalaria destacou-se, também, em operações de paz, ao ser empregada na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, missão na qual sua capacidade de combate embarcado mostrou-se precioso ativo para o sucesso das operações naquele país.
Além disso, a tropa mecanizada tem sido também protagonista do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), por meio do qual teve suas capacidades de Inteligência, Reconhecimento e Aquisição de Alvos potencializadas, vindo a contar com Radares de Vigilância Terrestre, modernos instrumentos ópticos e sistemas de comunicações táticas.
Nobres cavalarianos, tenham a certeza de que os desafios do futuro exigirão ainda mais dos soldados da “Nobre Arma”, mas, sua tradição de heroísmo e resiliência seguirá inquebrantável.
Assim como no passado, quando Osorio liderou seus homens em inúmeras vitórias internas e externas ou na Segunda Guerra, quando Pitaluga liderou a perseguição aos inimigos na Itália, continuem a marchar com arrojo e coragem. Estejam dispostos a honrar esse legado, prontos para empunhar suas lanças e seguir adiante, pois, dessa forma, jamais faltará quem proclame, com orgulho e convicção:
Haverá sempre uma Cavalaria!
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