Dia da Arma de Comunicações

5 de maio

Publicado em 02/05/2024 14h42 | Atualizada em 02/05/2024 17h24

No dia 5 de maio, é comemorado o dia da Arma de Comunicações, ocasião em que se rememora a insigne trajetória de vida de seu patrono, o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

O Marechal Rondon nasceu na cidade de Mimoso, no Mato Grosso, no ano de 1865, sendo descendente de portugueses, por parte de pai, e de índios Terenas e Bororos, por parte de mãe. Mudou-se para o Rio de Janeiro no ano de 1881, onde ingressou no Exército no 3º Regimento de Artilharia a Cavalo e, posteriormente, seguiu para Escola Militar da Praia Vermelha, obtendo a promoção a alferes em 1888.

Militar, cientista, estrategista e pacificador, o Marechal Rondon estudou junto a Euclides da Cunha e foi aluno de Benjamin Constant, ambos entusiastas do movimento republicano que eclodia na época. Após a Proclamação da República pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, o novo governo demonstrou preocupação com o oeste brasileiro, que além de pouco povoado em comparação com as metrópoles do litoral, encontrava-se isolado em termos de comunicações. Fruto desse debate, Rondon foi designado para participar da Comissão de Construção de Linhas Telegráficas, com a função de coordenar a implementação da primeira Linha Telegráfica do Estado de Mato Grosso para ligar este estado à Capital Federal, no Rio de Janeiro.

O então Coronel Rondon, reconhecido pela sociedade brasileira, bem como valorizado na Força Terrestre, por ser um soldado abnegado, impetuoso e desbravador, prosseguiu em sua missão de integração, explorando as novas áreas. Seu lema “morrer se preciso for, matar nunca” tornou-se célebre em virtude de seu humanismo, pacificando revoltas e mantendo boas relações com os povos indígenas que encontrava durante as suas expedições. Como exemplo de seu empenho e comprometimento com a causa indígena, em 1950, apoiou o projeto da primeira reserva indígena do Brasil: o Parque Nacional do Xingu, criado em 1961.

Por todos os seus feitos, dentro e fora do âmbito militar, Rondon recebeu reconhecimento, prêmios e honrarias ao longo de sua vida e até mesmo de forma póstuma. Foi promovido ao posto de Marechal de Exército, em 1955, reconhecido por seus atos de mapeamento, pacificação, catalogação de fauna e flora e integração de regiões remotas, viabilizando o desenvolvimento da economia e da infraestrutura das regiões mais inóspitas de nosso território.

Pela causa indígena e seu espírito pacificador, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em 1957; tornou-se o patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro, em 1963, homenageado com o nome do estado de Rondônia, rebatizado em 1981, além de ter seu nome inscrito no Livro de Heróis da Pátria, em 2015.

Partindo do uso pioneiro do telégrafo durante a Campanha da Tríplice Aliança, passando pela criação da 1ª Companhia de Transmissões, junto à Força Expedicionária Brasileira (FEB), e prosseguindo com sua participação em inúmeras missões de manutenção da paz, a Arma de Comunicações tem desempenhado um papel de grande importância na ligação do comandante com as tropas desdobradas em operações.

Como elemento de apoio junto à Força Expedicionária Brasileira, o Serviço de Transmissões, executado pela 1ª Companhia de Transmissões, realizou as ligações entre as unidades brasileiras e norte-americanas, contribuindo para a coesão das tropas e a facilidade na transmissão das ordens que levaram ao triunfo da FEB, que estava desdobrada na Itália. Por meio do lançamento de linhas telefônicas e o estabelecimento de enlaces via rádio, a Companhia espelhou-se nos feitos de Rondon e mostrou o valor da tropa brasileira que combatia no velho continente.

Entretanto, cabe destacar que a criação da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro é relativamente recente. Foi instituída após a Segunda Grande Guerra, através da promulgação da Lei nº 2851, de 25 de agosto de 1956. A partir desse marco legal, a Arma de Comunicações passou a assumir as responsabilidades inerentes às telecomunicações que, anteriormente, eram exercidas pela Arma de Engenharia.

A Arma de Comunicações tem a missão de instalar, explorar, manter e proteger os sistemas de comunicações dos diversos escalões, estabelecendo as ligações necessárias em tempos de paz e nos complexos cenários dos conflitos militares. Além disso, atua no controle do espectro eletromagnético e no ambiente cibernético, por meio das atividades de Guerra Eletrônica e de Guerra Cibernética, que visam a impedir, dificultar e obter informações das comunicações inimigas.

Os sistemas de comunicação sempre foram fator decisivo no campo de batalha, para garantir o melhor processo decisório em todos os níveis de comando e, por essa razão, a Arma de Comunicações é conhecida como a “Arma do Comando”.

As Comunicações são amplamente empregadas no contexto das Operações Multidomínio, de forma a integrar e sincronizar atividades em todos os ambientes operacionais, tais como: terra, ar, mar, espaço eletromagnético e cibernético. Nas operações militares atuais, cuja conjuntura está inserida extensivamente na dimensão informacional dos conflitos, a compreensão do multidomínio torna-se crucial para que a tomada de decisão dos líderes militares seja exercida de forma tempestiva e eficaz. Para isso, o Brasil investe no moderno Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), o qual viabiliza um complexo e eficiente Sistema de Apoio à Decisão (SAD), por meio de sensores e atuadores presentes na fronteira nacional.

As Comunicações também estão presentes nas Operações de Garantia da Lei e da Ordem e nas Operações de Cooperação e Coordenação com Agências. Seu emprego permite a ligação das tropas empregadas com os demais elementos de outras forças singulares, auxiliares e civis. Ademais, as informações são centralizadas nos Centros de Operações, para favorecer a consciência situacional do comandante.

Na última década, a atuação das Comunicações e da Guerra Eletrônica (GE) projetaram-se como elemento de superioridade estratégica, desempenhando um papel significativo em diversas operações de grande envergadura. Destacam-se, neste contexto, as Operações no Complexo do Alemão e Penha, em 2010; a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude, em 2013; as Operações no Complexo da Maré e a Copa do Mundo, em 2014; os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, em 2016; e a Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, em 2018.

Recentemente, o crescimento das atividades militares no campo cibernético culminou com a implementação da doutrina de Defesa Cibernética, cujo cerne se concentra na criação do Centro de Defesa Cibernética (CD Ciber). O Centro vem aperfeiçoando militares para as ações cibernéticas, bem como para a criação de soluções nacionais e trabalhos em demais atividades afetas à área.

Assim, neste dia em que se comemora a criação da Arma de Comunicações, temos o orgulho de relembrar os feitos de seu patrono, o Marechal Rondon, cuja saga, nos mais diversos rincões do País, em épocas com parcos recursos tecnológicos, caminhou lado a lado com o seu ideal de integrar todo o território brasileiro.

Aos comunicantes de hoje, inspirados nas realizações de Rondon, cabe enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais acelerado e em constante evolução tecnológica. Este é um cenário desafiador, em que as Comunicações se fazem cada dia mais presentes e imprescindíveis para a vitória.

Herdeiros de Rondon, os exemplos virtuosos de seu Patrono, tais como justiça, coragem, humildade e temperança são naturais de um dos personagens mais fascinantes da História do Brasil. Orgulhem-se do Marechal Cândido Rondon e sigam, com ardor, as missões que lhes forem designadas, instalando, explorando, mantendo e protegendo os Sistemas de Comando e Controle do Exército Brasileiro.

NOSSAS ANTENAS GUIAM AS BATALHAS!

Brasília-DF, 5 de maio de 2024.
 

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