Dia da Arma de Cavalaria

10 de maio

Publicado em 09/05/2024 13h57 | Atualizada em 09/05/2024 14h12

O surgimento dos conflitos armados, impulsionados pelos interesses da sociedade, desencadeou uma incessante corrida do ser humano pela supremacia nos campos de batalha. Nesse sentido, nos primórdios da Arte da Guerra, foram desenvolvidas estruturas móveis ligadas a animais de grande porte, resultando em um significativo incremento na capacidade de choque.

Essa evolução recebeu a designação de “AKVA” que no idioma sânscrito quer dizer: combater em vantagem de posição. Tal é a origem etimológica da palavra “Cavalaria”: uma força dotada de mais mobilidade do que todas as outras no campo de batalha, capaz de flanquear, envolver e perseguir o inimigo.

As origens da Cavalaria brasileira remontam ao surgimento do Regimento de Dragões Auxiliares, após os confrontos contra os holandeses, em Pernambuco. No final do século XVIII, durante o período pombalino, foi estabelecido no Rio de Janeiro o Regimento de Dragões. Este tinha o propósito de manter a ordem e assegurar a aplicação das leis. No sul do Brasil, o Regimento de Dragões do Rio Grande desempenhou um papel crucial ao proteger as fronteiras durante os conflitos em torno da Colônia do Sacramento.

A Cavalaria brasileira tem como patrono o Marechal Manoel Luis Osorio. Nascido em 1808, na Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio, atual município de Osório, no Rio Grande do Sul, é filho de Manoel Luis da Silva Borges e Ana Joaquina Osorio. Desde a mais tenra idade, Osorio já demonstrava interesse pela vida militar.

Assentou praça aos 15 anos de idade, sendo voluntário no Regimento de Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras de São Paulo, acompanhando a unidade comandada por seu pai na luta contra as tropas lusitanas estacionadas na Cisplatina, as quais não aceitavam a Independência do Brasil.

Seu batismo de fogo ocorreu às margens do arroio Miguelete, nas proximidades de Montevidéu, onde participou do combate contra a Cavalaria portuguesa. Tal fato marcou o início de sua brilhante trajetória militar.

No período de 1825 a 1827, participou das Campanhas da Cisplatina, sob o comando de Bento Manuel, onde combateu os orientais à testa de seus lanceiros, destacando-se por salvar a vida de seu comandante. Tal fato fez o Coronel Bento Manuel declarar: “Hei de legar-lhe a minha lança, Alferes, porque a levará aonde a tenho levado”.

Osorio também lutou nas campanhas contra Oribe e Rosas (1851- 1852), destacando-se durante a Batalha de Monte Caseros, ocorrida nos subúrbios de Buenos Aires. Nesta oportunidade em que esteve à frente do 2º Regimento de Cavalaria, na vanguarda das tropas brasileiras, rompeu o dispositivo inimigo, liderando decisivas operações de aproveitamento do êxito e de perseguição.

Em 1855, foi nomeado para comandar a fronteira de São Borja. Após a promoção a Brigadeiro-graduado, recebeu a incumbência de organizar uma expedição para descobrir ricos ervais no Alto Uruguai. Como reconhecimento pelo sucesso da missão, recebeu, posteriormente, o titulo nobiliárquico de Marquês do Herval.

Após a instituição do Tratado da Tríplice Aliança, em 1º de maio de 1865, o Marquês do Herval assumiu o comando e organizou o 1º Corpo do Exército Brasileiro, preparando-o para enfrentar o conflito provocado pelo ditador paraguaio Solano López.

Em 1866, na noite de 16 de abril, comandou a tropa brasileira que realizou a travessia do rio Paraná, em local conhecido como Passo da Pátria. Em sua ordem do dia, em 15 de abril, o Marechal Osorio declarou que “é fácil a missão de comandar homens livres: basta mostrar-lhes o caminho do dever”.

Em solo paraguaio, esteve presente em grandes e decisivos combates, como Estero Bellaco, Tuiuti, Humaitá e Avaí. Durante a Batalha do Avaí, Osorio foi ferido gravemente. Mais tarde, esse ferimento o obrigaria a retirar-se em definitivo da campanha.

Por seu destacado êxito como soldado e líder, Osorio galgou todos os postos da hierarquia militar. Faleceu em 4 de outubro de 1879. Quase um século mais tarde, passou a ser reverenciado como Patrono da Arma de Cavalaria.

Desde a última carga a cavalo em embates no Passo do Guedes (Santana do Livramento/RS) até os dias atuais, a Cavalaria tem se modernizado para atender à constante evolução do combate moderno. O cavalo foi substituído por veículos ligeiros e carros de combate dotados de considerável tecnologia embarcada, ampliando as capacidades de emprego da Arma.

Na Segunda Guerra Mundial, a Cavalaria brasileira foi representada pelo 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado. Sob o comando do então Capitão Plínio Pitaluga, o Esquadrão atuou em proveito da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, no Teatro de Operações da Itália. Destacouse nas ações de perseguição em Collecchio-Fornovo, as quais resultaram na rendição da 148ª Divisão de Infantaria Alemã no dia 30 de abril de 1945.

O Acordo Militar Brasil-Estados Unidos da América, firmado nos anos 60 do século XX, proveu os regimentos com os mais modernos materiais blindados da América do Sul à época.No início do século XXI, o Exército Brasileiro adquiriu novos carros de combate, como o M60 A3 TTS (norte-americano), o Leopard 1A1 (alemão, de procedência belga) e, mais recentemente, o Leopard 1A5. Além disso, mais recentemente, recebeu viaturas blindadas para transporte de pessoal médias sobre rodas Guarani e as viaturas leves multitarefa Guaicurus (italianas). Dessa forma, as frotas blindadas e mecanizadas da Cavalaria incrementaram significativamente seu poder de fogo, mobilidade e proteção blindada.

Em contexto de missões de paz, a Cavalaria brasileira compôs importantes missões em que o Exército Brasileiro participou, a exemplo da Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola (UNAVEM), na década de 1990, e da Missão das Nações Unidas Para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), entre 2004 e 2017.

Conhecida como “Sentinela Avançada”, a Cavalaria é a arma-base que opera à frente das demais unidades da Força Terrestre, sendo responsável pela obtenção de informações sobre o inimigo e a área de operações, além de participar ativamente de ações ofensivas e defensivas. Para alcançar esses objetivos, ela se vale de suas características fundamentais: mobilidade, potência de fogo, proteção blindada, ação de choque e comunicações amplas e flexíveis.

A mobilidade é a essência da Cavalaria, permitindo-lhe realizar manobras ágeis e versáteis em terrenos diversos. Sua potência de fogo é garantida pela diversidade de calibre dos armamentos disponíveis, bem como pela capacidade de transporte de munições nas próprias viaturas. A proteção blindada é fornecida pelas viaturas, dotando-as de capacidade de combate embarcado. A ação de choque é resultante das três primeiras características e consiste no forte impacto psicológico que é capaz de causar no inimigo. Por fim, o sistema de comunicações amplo e flexível garante uma rápida ligação entre os elementos de Cavalaria e seu escalão enquadrante, permitindo-lhes coordenar ações e explorar oportunidades.

Seus elementos estão organizados em unidades blindadas, de carros de combate, mecanizadas, de guardas, paraquedista, aeromóvel e de selva.

A cavalaria blindada (mobiliada com as viaturas sobre lagartas M113, M60 A3 TTS e Leopard 1A5BR) cerra sobre o inimigo a fim de destruí-lo ou neutralizá-lo; a mecanizada (dotada de viaturas sobre rodas, como o Cascavel e o Guarani) é mais vocacionada a realizar reconhecimento e segurança em operações ofensivas e defensivas; a de guardas (hipomóvel) cumpre missões de cerimonial militar, segurança de áreas e de instalações, além de atuar como vetor de preservação das tradições e de fomento da prática de esportes equestres; a paraquedista e a aeromóvel atuam como elementos de economia de forças em um quadro de operações aerotransportadas ou aeromóveis; e a de selva atua como parte da Força de Emprego Estratégico do EB na condução de operações em ambiente de selva.

A Cavalaria participa, ainda, de operações na faixa de fronteira, atuando em programas tecnológicos, como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), o Programa Forças Blindadas e o Combatente Brasileiro (COBRA).

A Cavalaria foi e continuará sendo essencial. Suas características e seu ideal perduraram desde suas origens e seguem mostrando o valor da “Nobre Arma”. Ela demonstra que a vitória final será alcançada não só pelo emprego de modernos e avançados materiais, mas, também, por meio de um elevado grau de liderança e espírito ofensivo, atributos imortalizados pelo seu patrono e incutidos em cada soldado de Cavalaria.

Discípulos de Osorio, espelhem-se no exemplo de liderança, coragem e ousadia diante do perigo; não hesitem em empunhar com firmeza suas lanças sempre que o chamado para o combate ecoar; e cultivem os valores e as nobres tradições da “Arma Ligeira”, para que ela jamais deixe de ser reconhecida como a “Arma de Heróis”.

HAVERÁ SEMPRE UMA CAVALARIA!

 

Brasília-DF, 10 de maio de 2024.

 

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Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército