Dia da Arma de Artilharia

10 de junho

No dia 10 de junho, comemora-se o dia da Arma de Artilharia, em homenagem à data de nascimento do insigne patrono da Artilharia Brasileira, o Marechal Emílio Luís Mallet, o Barão de Itapevi. Nascido em Dunquerque, na França, em 1801, emigrou com sua família para o Império do Brasil aos 17 anos, ingressando no Exército Imperial em 1822, a convite do Imperador Dom Pedro I, e adquirindo a nacionalidade brasileira após jurar a Constituição do Império.

Sua coragem e excepcional liderança foram evidenciadas por ocasião da destacada participação na Guerra da Cisplatina, Revolução Farroupilha, Guerra contra Oribe e Rosas e na Guerra da Tríplice Aliança, em particular na vitória brasileira na Batalha do Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul. Nessa batalha, consagrou-se pela idealização e construção do fosso que conteve mais de vinte cargas da cavalaria inimiga, permitindo que sua “Artilharia Revólver” as dizimasse com fogos rápidos e precisos. Tal acontecimento eternizou a célebre frase de Mallet: “Por aqui, eles não entram!”.

Devido aos seus feitos heroicos, os quais renderam-lhe incontestável admiração no seio da Pátria, o Governo Imperial conferiu-lhe o título de Barão de Itapevi em 1878. Foi promovido a Marechal de Exército em 1885. Ao falecer, em janeiro de 1886, deixou, para as Forças Armadas brasileiras, um legado de devoção ao dever e retidão de caráter que o fez ser escolhido como patrono da Artilharia do Exército Brasileiro, em março de 1932, por meio de decreto presidencial. Assim, seu legado de bravura registrado em campanha, amalgamados de valores externados em sua trajetória militar, intrínsecos à carreira das Armas, bem como sua ilibada conduta como cidadão, o distinguiu de seus pares, colocando-o em local de destaque, ombreado a outras figuras como Duque de Caxias, General Osorio, Brigadeiro Sampaio e outros militares de referência para o Exército de ontem e de hoje, motivando e servindo de exemplo para as futuras gerações do Exército Brasileiro.

Presente em todos os conflitos de natureza bélica, mesmo antes da invenção da pólvora e da própria etimologia do termo, a Artilharia constitui-se na Arma do apoio de fogo ao movimento da manobra. Com a evolução de seus materiais de emprego militar, partindo do lançamento de pedras e flechas, artefatos arremessados por catapultas, até os projéteis, granadas, mísseis e foguetes propulsionados por sofisticados sistemas de armas, a Artilharia moderna oferece efeitos que vão desde o saturamento de área e proteção antiaérea de estruturas críticas até o atingimento de alvos com precisão métrica. Possibilita, assim, à manobra, atingir seus objetivos com menor índice de baixas e efeitos colaterais; à Engenharia, potencializar seus obstáculos pelo ajustamento de fogos; e às demais Armas de apoio, receberem cobertura de antiacesso do espaço aéreo, provendo a proteção de suas estruturas.

Nesse contexto, a Segunda Guerra Mundial mostrou-se uma oportunidade ímpar para que a Artilharia contribuísse na grandiosa missão do Exército Brasileiro na luta contra o nazifascismo que ameaçava a paz e a ordem internacional no século XX. Seu inestimável apoio de fogo foi essencial para a glória da Força Expedicionária Brasileira no Teatro de Operações da Itália, iniciando em 16 de setembro de 1944, quando ocorreu o 1º Tiro da Artilharia Expedicionária, e com destaque para as batalhas de Monte Bastione, Massarosa, Monte Castelo, Montese, Castelnuovo, dentre tantas outras.

Assim, a Artilharia sempre teve papel decisivo nas batalhas, seja no apoio ao avanço das Armas de manobra ou infligindo perdas ao inimigo durante seus ataques. Até os dias hodiernos, seja de Campanha ou Antiaérea, a Arma dos fogos largos, densos e profundos busca a constante modernização, a fim de prestar o apoio de fogo e a proteção às tropas amigas nos campos de batalha.

Atualmente, o Exército Brasileiro, por meio de seus Programas Estratégicos, busca a modernização dos seus sistemas e materiais de emprego militar. Na Artilharia, destacam-se os Programas Estratégicos Astros e Defesa Antiaérea. Nestes, ressaltam-se os objetivos de desenvolvimento de Míssil Tático de Cruzeiro (MTC) Solo-Solo, com alcance de até 300 km, e a obtenção de Sistemas de Defesa Antiaérea de baixa e de média alturas, respectivamente. O Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha (SISDAC) faz parte da modernização da Artilharia da Força Terrestre, conferindo-lhe maior rapidez e precisão no desencadeamento dos fogos. Este Sistema, em conjunto com Viaturas Blindadas de Combate Obuseiro Autopropulsado (VBC OAP) M109A5+BR, representam as novas capacidades obtidas no âmbito da modernização dos Sistemas de Artilharia. Por outro lado, a aquisição de mísseis RBS-70 e dos radares SABER M60 e M200 contribui para o desenvolvimento da defesa antiaérea de pontos sensíveis e das tropas da Força Terrestre. Essas novas capacidades tecnológicas e estratégicas garantem que a Artilharia brasileira esteja preparada para enfrentar os desafios atuais e futuros, contribuindo sobremaneira com a capacidade de dissuasão do Poder Militar Nacional.

Na trajetória heroica da Artilharia, cada página da história é marcada pelo estrondo dos canhões e pelo destemor dos artilheiros que, com meticulosidade e precisão, moldaram os destinos das batalhas nas guerras. Assim como o fogo que ilumina a escuridão da guerra, a Artilharia do Exército de Caxias ergue-se como uma fortaleza imponente, pronta para defender a honra e a soberania da nação brasileira. Na data em que reverenciamos o Marechal Emílio Luís Mallet, que o legado de coragem, de bravura, de espírito de corpo, de lealdade e de patriotismo deixado por seu insigne patrono inspire os artilheiros do presente e do futuro, mantendo acesa a chama da tradição, honrando o passado e preparando o caminho para os desafios que ainda estão por vir.

É com fogo que se ganham as batalhas!
Salve a Artilharia do Exército de Caxias!

Brasília-DF, 10 de junho de 2024.

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