Dia da Arma de Artilharia - Central de Conteúdos
Dia da Arma de Artilharia
2026
Centro de Comunicação Social do Exército
Desde a Antiguidade, a Artilharia consolidou-se como o principal elemento de apoio de fogo ao combate. Das catapultas e balistas aos modernos sistemas de mísseis e foguetes, a Arma evoluiu sem jamais perder sua essência: decidir batalhas pelo fogo. Nas monarquias europeias, essa primazia ficou eternizada na inscrição gravada nas bocas dos canhões: ultima ratio regis — o último recurso dos reis, expressão que traduz, com precisão, o papel determinante da Artilharia no destino das guerras.
No Brasil, essa tradição encontrou seu maior símbolo na figura do Marechal Emílio Luís Mallet, o Barão de Itapevi. Francês por nascimento, brasileiro por escolha e Artilheiro por vocação, Mallet chegou ao Brasil aos dezessete anos, elegendo esta terra como sua pátria definitiva. Alistado por convite do Imperador Dom Pedro I, o jovem Cadete, que assentou praça em 1822, consagrar-se-ia, décadas depois, como o mais ilustre dos artilheiros brasileiros.
Sua trajetória foi forjada em batalha. Da Guerra da Cisplatina à Tríplice Aliança, o Patrono demonstrou que o combate se vence com inteligência, técnica e destemor. Em Tuiuti, na maior batalha campal da história da América do Sul, foi Mallet quem ordenou a escavação do fosso que deteve as cargas da cavalaria paraguaia, desencadeando tiros precisos sobre o avanço inimigo. Nessa oportunidade, fez-se conhecida sua ”Artilharia Revólver" pela rapidez dos fogos e adestramento das peças. Ali, a célebre frase que eternizou seu nome ecoou: "eles que venham! Por aqui não passam!".
Essa mesma determinação cruzou décadas e oceanos. Em 16 de setembro de 1944, sob o céu italiano, os discípulos de Mallet dispararam o primeiro tiro da Artilharia Divisionária da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na 2ª Guerra Mundial. Em Monte Castelo, Montese e Castelnuovo, os fogos que inquietaram o inimigo materializaram o lema herdado do Patrono: ma force d’en haut - minha força vem do alto. O legado do Marechal Cordeiro de Farias, Comandante da Artilharia Divisionária da FEB, permanece como referência de profissionalismo para as gerações de artilheiros.
Atualmente, a Artilharia brasileira avança alicerçada por uma indústria de defesa nacional robusta e soberana, com o Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS, o desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), bem como o aprimoramento da família de foguetes. Além disso, os radares SABER M60 e M200 são provas do avanço tecnológico brasileiro na Artilharia Antiaérea. O Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha (SISDAC), as VBC OAP M109 A5 + BR e o uso de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), como o MATRICE 300, recentemente incorporada ao Núcleo da Bateria de Busca de Alvos, em sinergia, conferem à Arma a capacidade de aquisição de alvos em tempo real, potencializando a precisão dos fogos no campo de batalha moderno.
A história recente dos conflitos de alta intensidade, no século XXI, reafirma a Artilharia como decisiva e imprescindível no Campo de Batalha. Nos teatros de operações modernos, como os conflitos russo-ucraniano e no Irã, os fogos e a proteção antiaérea têm ação decisiva e são os responsáveis pela maior parte das baixas e perdas aos opositores. A letalidade da Artilharia de Campanha, integrada à vigilância constante de drones, tem sido o fator determinante para o sucesso das manobras táticas e operacionais, impondo vantagens significativas a quem detém os meios de apoio de fogo e a perspicácia para empregá-los.
Nesse sentido, há um antigo poema da Arma que afirma que aquele que não domina o tiro com inteligência e presteza, que não inspira confiança às tropas apoiadas, que não mantém a calma diante do perigo, “errou a vocação”.
Ser Artilheiro é assumir essa vocação com consciência e responsabilidade, inspirado nos feitos do Marechal Mallet. O Artilheiro compreende que, para apoiar pelo fogo a manobra, engajando os alvos que ameacem o êxito da operação, exige-se preparo constante, disciplina e resiliência, mantendo a serenidade.
Neste 10 de junho, ao reverenciarmos esse insigne Patrono, reafirmamos que a Artilharia deixou de ser apenas o desfecho de uma disputa, pois se outrora era “o último recurso dos reis”, hoje ela se impõe como recurso essencial dos comandantes táticos, fazendo-se presente independentemente das condições meteorológicas e do terreno. É a capacidade essencial do Exército para aferir o máximo de dano ao inimigo e garantir a mínima exposição às nossas tropas, provendo a segurança, o êxito da manobra e o sucesso nas operações.
Que o espírito de Mallet permaneça vivo em cada tiro e como afirmado por Frederico o Grande: “é com fogo que se ganham as batalhas!”.
Parabéns a todos os integrantes da Arma de Artilharia do Exército Brasileiro!
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Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército