SALTO NOTURNO DO CURSO DE MESTRE DE SALTO 70/4

Publicação: Sex, 20 de setembro de 2018

 

 

"No ano de 1970, fui matriculado e concluí o Curso Mestre de Salto. Foi o curso 70/4 do Centro de Instrução Aeroterrestre General Penha Brasil, Brigada Pára-quedista, Deodoro, Rio, RJ.

 

Encerradas as etapas teóricas e práticas, com a realização de saltos no Campo dos Afonsos, Rio, RJ, e em Gramacho, RJ, iniciou-se a viagem durante a qual, os alunos executariam lançamentos de pára-quedistas (eles) em algumas Zonas de Lançamento do Centro-Oeste e Norte do Brasil.

 

Nossa viagem de instrução previa lançamentos em Uberlândia, MG; Campo Grande, MT; Cuiabá, MT; Porto Velho, RO; e Manaus, AM. Tudo ótimo, estávamos vibrando e ansiosos para a conclusão do curso.

 

O lançamento de pára-quedistas, em Campo Grande, MT, seria um salto noturno. A experiência da maioria dos alunos, até então, era de saltos noturnos no Campo dos Afonsos, ou seja, apesar de ser à noite, a iluminação da cidade do Rio de Janeiro nos dava algumas referência, quando chegávamos à porta do avião, para os instantes finais preparatórios do salto. Porém isto não ocorria em Campo Grande. Era um terrível imenso breu. Referência somente aquelas constantes da carta e as reveladas no briefing (instruções para as tripulações das aeronaves e mestres de salto), antes do embarque e nada mais!

 

E lá fomos nós. Para cada aluno, quando era chegada a vez de atuar como mestre-de-salto, era criada uma sequência de situações nas quais mesclavam-se as ordens do instrutor, toques de campainha no interior da aeronave, o acender e apagar de luzes de aviso verdes e vermelhas na porta do avião. O aluno deveria responder às perguntas do instrutor, estar atendo aos toques de campainha e acender de luzes, interpretando e informando para o instrutor os significados. Tudo ocorria simultaneamente.

 

Era a vez do 2º tenente Gílson Campos Filho ser sabatinado. Toque de campainha, luz verde, três toques curtos de campainha etc, gritos do instrutor, capitão Glênio, e o Gílson, respondendo a tudo. Súbito ele se desconcentra, tocou a campainha, luz verde acendeu, Gílson vira-se para o Cap Glênio e pergunta: - Já? -. O Cap Glênio vociferou: - JÁÁÁ! -. E o Gílson, para desespero do instrutor, se lança da aeronave, e o berro angustiado do Glênio: - NÃOOOOOOO!!!!! -. Era tarde, Gílson se lançara no negrume da noite matogrossense, sem luar, estando a mais de três minutos (de avião) do ponto de lançamento. Eram cerca de 22:00 horas, daquele dia.

 

Concluídos os lançamentos após as aterrissagens dos alunos, iniciou-se a busca do Gílson, que chegou pela manhã à Zona de Lançamento."

 

Autor:  Jorge da Rocha Santos  - Inf 1968