Uma ameaça existencial ao país

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Durante a audiência na Comissão de Inteligência do Senado americano, Dan Coats, diretor nacional de Inteligência, advertiu que o programa nuclear de Pyongyang se impõe como uma "ameaça existencial" aos Estados Unidos. "É uma ameaça existencial potencialmente aos EUA, mas também à Coreia do Norte", afirmou. "Kim Jong-un vê qualquer tipo de ataque cinético ou de esforço para fazê-lo abandonar as armas nucleares como uma ameaça existencial a esta nação e à sua liderança em particular", acrescentou, ao citar o ditador norte-coreano.

De acordo com Coats, a natureza provocativa e a instabilidade demonstrada por Kim são uma ameaça importante aos EUA. "Nossa meta é uma solução pacífica. Nós estamos utilizando a máxima pressão sobre a Coreia do Norte, de vários modos. Nós temos de encarar o fato de que  este é um problema existencial para os Estados Unidos."

As declarações de Coats foram dadas no dia em que o jornal The New York Times revelou que as autoridades americanas teriam admitido ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in, a disposição de manterem negociações diretas com Pyongyang, o que indicaria uma guinada brusca na política do governo de Donald Trump em relação à crise nuclear. "Os Estados Unidos também olham de forma positiva para o diálogo sul-norte coreano e expressaram sua  vontade de  iniciar as conversas com o Norte", anunciou Kim Eui-Kyeom, porta-voz de Moon. Em dezembro passado, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, disse que Washington estaria disposto a realizar um "encontro sem precondições". No entanto, a Casa Branca desautorizou o chefe de diplomacia e classificou seus comentários de "prematuros".

Pressão e diálogo
Em recente entrevista ao jornal The Washington Post, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, indicou que os EUA estariam abertos a um encontro, nos termos colocados por Tillerson. "A campanha de máxima pressão vai continuar e se intensificar. Mas, se vocês querem conversar, nós conversaremos", afirmou, depois de visitar Pyeongchang, na Coreia do Sul, onde participou da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, na semana passada.

A agência de notícias norte-coreana KCNA informou que Kim forneceu instruções para que as autoridades do regime comunista intensifiquem o "cálido clima de reconciliação e diálogo" e aproveitem a boa vontade de Seul causada pelo evento esportivo. No entanto, Pyongyang não revelou quais métodos pretende adotar para acelerar essa aproximação com a Coreia do Sul, com quem está em conflito desde 1953 - o fim da Guerra das Coreias não originou um acordo de armistício permanente.

Imagem simbólica do séquito de Kim

Uma foto da agência KCNA revela a personalidade de Kim Jong-un e de assessores, disse à TV BBC Michael Madden, analista do Instituto EUA-Coreia da Universidade Johns Hopkins. Na imagem, Kim Yong-jong, a irmã que visitou a Coreia do Sul, agarra o braço do líder. O gesto denota respeito. Do outro lado, está Kim Yong-nam, chefe de Estado norte-coreano. Ele segura o braço do ditador, que retribui com a mesma ação - exibição mútua de deferência. Nos extremos, estão Choe Hwi (D), chefe da Comissão de Cultura Física e de Esportes, e Ri Song-gwon (E), chefe do Comitê para a Reunificação Pacífica do País. Ambos evitam esconder os cadernos e apertar as mãos, sinal profundamente desrespeitoso na cultura local. Kim Jong-un elogiou a Coreia do Sul como "muito impressionante" e agradeceu Seul pela acolhida à irmã.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE - DF