Trump quer reciprocidade de tarifas comerciais com os EUA

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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ontem que tarifas são uma alternativa para impedir o que qualificou de "dumping" de aço e alumínio importados "de muitos países", entre os quais a China. "Quero manter os preços baixos, mas quero garantir que tenhamos um setor siderúrgico."

Ele também voltou a ameaçar aplicar tarifas comerciais recíprocas, sem entrar em detalhes. A ideia parece ser adotar tarifas comparáveis às aplicadas pelos demais países aos EUA. Isso poderia prejudicar o Brasil, que impõe tarifas mas altas que as americanas.

No encontro com 19 congressistas - 4 democratas e 15 republicanos - Trump começou falando da investigação pelo governo sobre as importações de aço e alumínio. O secretário do Comércio, Wilbur Ross, apresentou os relatórios finais sobre o tema a Trump em janeiro. O presidente tem até meados de abril para tomar uma decisão sobre se adotar alguma medida, o que poderá incluir tarifas.

Trump instruiu o Departamento de Comércio no ano passado a apurar se as importações de aço e de alumínio representam uma ameaça à segurança nacional americana, à luz do raramente invocado Artigo 232 da Lei Federal da Expansão do Comércio de 1962. As investigações são vistas como primordialmente voltadas contra a China, responsabilizada pelos EUA por criar excesso de capacidade e deprimir os preços mundiais. Uma outra investigação sobre práticas da China na área de propriedade intelectual também está tensionando a relação entre os países.

Alguns congressistas republicanos contestaram a ideia de usar tarifas com base no Artigo 232. "Invocar segurança nacional quando eu acho que essa posição é realmente difícil de justificar é um convite à retaliação", disse a Trump o senador republicano Pat Toomey, da Pensilvânia. "Você acabaria perdendo empregos", disse o senador republicano Mike Lee, de Utah, que chamou a atenção para a dependência que a indústria americana do aço importado. Ele disse que só 3% do aço importado é empregado para fins de segurança nacional, o que contraria, potencialmente, o argumento de Trump.

Trump respondeu que esse percentual subirá com o incremento dos gastos militares dos EUA nos próximos anos. A porta-voz da Casa Branca Lindsay Walters disse ontem que a reunião "faz parte do compromisso do presidente de garantir políticas comerciais leais e recíprocas que respaldem o trabalhador americano e expandam a economia americana."

Trump tem acusado frequentemente a China de práticas comerciais desleais e disse recentemente ao presidente chinês, Xi Jinping, que o déficit da balança comercial dos EUA com a China é "insustentável". A perspectiva de Trump transformar a retórica comercial dura em medidas concretas crescer no mês passado, após ele ter imposto tarifas a painéis solares e máquinas de lavar, em sua primeira grande medida comercial punitiva desde que assumiu o cargo.

Trump disse na segunda-feira que anunciará em breve uma "tarifa recíproca" - um encargo sobre importações de outros países baseado nas mesmas alíquotas impostas por esses países a produtos americanos. "Assim, teremos, decididamente, uma tarifa recíproca", disse. "Vocês ouvirão falar disso nos próximos meses."

Mas uma autoridade do governo disse, horas depois, que não há uma proposta de tarifa recíproca sendo discutida na Casa Branca.

Trump, porém, reforçou seu apelo por uma tarifa recíproca na reunião de ontem. "Acho que deveríamos ter uma tarifa recíproca. Isso se chama comércio leal", disse Trump. Acrescentou que "seremos tolos" se continuarmos pagando tarifas impostas por outros países, permitindo, ao mesmo tempo, que seus produtos ingressem nos EUA com tarifas mais baixas.

Fonte: VALOR ECONÔMICO -SP

Autor: Toluse Olorunnipa