Propina na veia

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Presidente da Odebrecht de 2002 a 2008, o delator Pedro Novis complicou ainda mais a situação do senador José Serra na Lava-Jato. Ele afirmou à Polícia Federal que o tucano recebeu, entre pagamentos destinados a ele próprio e ao PSDB, 52,4 milhões de reais da empreiteira durante dez anos. Novis disse que o maior repasse, de 23,3 milhões de reais, ocorreu entre 2009 e 2010, quando Serra era governador de São Paulo e disputou a Presidência da República com Dilma Rousseff. Os valores, nesse caso, estavam condicionados à liberação de 170 milhões de reais de créditos antigos da Odebrecht junto à Dersa, estatal de infraestrutura e transportes. A ser verdade o que diz o delator, não era só caixa dois. Era propina na veia.

O depoimento de Novis detalha pagamentos a Serra antes citados genericamente por delatores da Odebrecht e traz de volta à cena o fantasma de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, diretor da Dersa no governo do tucano. Preto é apontado como um dos responsáveis pela arrecadação de propina para o ex-governador — ficou conhecido durante a campanha presidencial ao ser citado por Dilma em um debate na televisão. Em seu depoimento, Novis afirmou que o pagamento de 23,3 milhões de reais foi negociado com o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2014, e operacionalizado por pessoas escolhidas por Serra. Outros seis delatores da Odebrecht falaram sobre o tema.

As transferências para Serra, disse Novis, começaram em 2002 com um pedido de 15 milhões de reais para a campanha em que ele foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010, afirmou, milhões de euros foram depositados com o mesmo fim em uma conta no exterior. O tucano nega todas as acusações. Em dezembro de 2017, Serra pediu ao STF a exclusão dos depoimentos referentes ao período anterior a 2010. Como já tem 75 anos, e a idade para o prazo de prescrição se reduz à metade, ele alega que as acusações feitas até aquele ano já caducaram e, portanto, não podem mais produzir efeitos penais.


Fonte: VEJA

Autor: HUGO MARQUES