Operação das Forças Armadas na Rocinha termina com 16 presos

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Moradores da Rocinha acordaram ontem sob intenso tiroteio, provocado pela primeira operação das Forças Armadas na favela desde o início da intervenção federal na segurança pública do Rio, em fevereiro. Quando as tropas chegaram à comunidade, às 6h, houve forte reação de traficantes e, devido ao confronto, a Autoestrada Engenheiro Fernando Mac Dowell(Lagoa-Barra)ficou uma hora e meia interditada.

Cerca de 1.600 homens, incluindo policiais militares e civis, participaram da incursão, que terminou às 15h com a prisão de 16 suspeitos, entre eles Ronaldo Azevedo Oliveira da Cunha, conhecido como RD, acusado de assassinar o PM Diego Bruno Barbosa Henriques em 2012. Um dos detidos ficou ferido. Houve apreensão de drogas e munição. O interventor federal, general Walter Braga Netto, esteve na Rocinha por volta das 10h e acompanhou parte da atuação da tropa, que também foi ao Vidigal, à Chácara do Céu e ao Parque da Cidade.

Militares montaram cercos e removeram barricadas no entorno das comunidades. Veículos que deixavam a Rocinha em direção à autoestrada foram revistados por soldados, assim como pedestres. Policiais conferiram documentos de identificação de aproximadamente 180 pessoas, para checar se tinham antecedentes criminais. Uma moradora, que pediu para não ser identificada, contou que precisou se proteger dos tiros durante a operação: — Os militares vão entrando e eles (traficantes) vão dando tiro em cima.

Tive que me esconder numa viela. Uma diarista perdeu o dia de trabalho, pois não conseguiu deixar a favela: — Precisava sair cedo, mas não deu. Não podia me arriscar. Porta-voz do Comando Conjunto, o coronel Carlos Cinelli disse que a operação na Rocinha não teve ligação com o tiroteio ocorrido anteontem na Urca, após bandidos dos morros Chapéu Mangueira e Babilônia fugirem por uma mata em direção à Praia Vermelha, durante buscas feitas pelo Batalhão de Choque da PM: — Nós não agimos reativamente às situações. Isso seria amadorismo. Temos um planejamento estratégico de longo prazo.

CONFRONTO NA LADEIRA DOS TABAJARAS

Durante o tiroteio na Urca, o Aeroporto Santos Dumont teve decolagens suspensas por cerca de 15 minutos, para que aviões não entrassem na zona do conflito. O bondinho do Pão de Açúcar, que funciona há 106 anos, foi fechado pela primeira vez por causa da violência. Ontem, a rotina voltou ao normal no bairro. Em Copacabana, no entanto, houve um intenso confronto na Ladeira dos Tabajaras, à tarde. Por volta das 15h, PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade iniciaram uma operação e foram atacados a tiros de fuzil. Em nota, o comando da UPP informou que os PMs checavam uma denúncia sobre a presença de criminosos armados na Rua Euclides da Rocha. De acordo com os policiais, os bandidos conseguiram fugir.

Nas redes sociais, moradores de Copacabana relataram momentos de tensão. "Está rolando muito tiro na Ladeira", escreveu um internauta. "Bala comendo no Tabajaras", escreveu um outro, acrescentando ter visto várias pessoas buscando proteção em meio ao confronto.


Fonte: O GLOBO - RJ

Autor: PEDRO ZUAZO E RENAN RODRIGUES