No TRF-4, petistas atacam data de julgamento

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Ao serem recebidos, em reunião de cortesia, pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), Carlos Eduardo Thompson Flores, deputados petistas encaminharam um ofício no qual questionam a "celeridade" do tribunal para julgar a apelação do ex-presidente Lula contra a sentença de condenação no caso do tríplex do Guarujá. Em Porto Alegre, o grupo ainda entregou ao presidente da Corte a cópia de um livro que critica a sentença do juiz Sergio Moro.

EVANDRO LEAL Julgamento marcado. Carro do Exército passa em frente à sede do TRF-4, em Porto Alegre, onde forte esquema de segurança será montado no dia 24 O petista foi condenado, em primeira instância, a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O recurso será julgado no próximo dia 24.

Thompson foi "presenteado" com o livro "Comentários de uma sentença anunciada", escrito por diversos advogados que contestam a sentença que condenou o petista. O presidente do TRF já havia dado entrevistas em que chegou a classificar a sentença de Moro como "irrepreensível". Thompson Flores não participará do julgamento que cabe à oitava turma do tribunal federal.

No documento, deputados dizem que a tramitação do processo de Lula na segunda instância se transformou numa espécie de "fura fila processual". Afirmam ainda que, assim como na primeira instância, estão diante de um julgamento de caráter "político" e não jurídico.

Paulo Pimenta, líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, disse que fez questão de opinar, diante de Thompson Flores, sobre a sentença que condenou Lula. O petista diz que contestou os argumentos, afirmando que a condenação não foi baseada em provas, e que havia preocupação de que uma decisão da Corte de segunda instância possa tornar o ex-presidente inelegível.

- Manifestamos a nossa opinião de que eleição sem Lula é uma fraude. E pedimos que não haja qualquer tentativa do tribunal em limitar nosso direito de livre manifestação no dia do julgamento - afirmou Pimenta.

O PT pretende realizar uma série de atos em Porto Alegre entre os dias 22 e 24. Na véspera do julgamento, está programada uma vigília na frente do fórum. A ida de Lula à capital gaúcha ainda não foi definida, mas a tendência, no momento, segundo aliados, é que ele fique em São Paulo. Se isso acontecer, na noite do dia 24, o ex-presidente participará de um ato na Avenida Paulista. No dia seguinte, o partido reunirá sua executiva para reafirmar a candidatura de Lula a presidente independentemente do resultado do julgamento.

A Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul já prepara um grande esquema para evitar confrontos entre manifestantes durante o julgamento. Procurado por meio da assessoria de imprensa, o presidente do tribunal não se manifestou a respeito do encontro com os parlamentares.

O presidente do tribunal não quis comentar as crtícas dos petistas. Thompson afirmou que já respondeu os questionamentos sobre a tramitação do caso à defesa de Lula no mês passado, quando informou que a "celeridade no julgamento de recursos é regra" no tribunal.


Fonte: O GLOBO - RJ

Autor: GUSTAVO SCHIMITT E SÉRGIO ROXO