Netanyahu suspeito de suborno

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A polícia israelense recomendou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, seja acusado por suborno e quebra de confiança em dois casos, depois de dois anos de investigação. A decisão de processar o premiê depende da Procuradoria-Geral. A ministra da Justiça, Ayelet Shaked, assegurou que um chefe de governo acusado oficialmente não é obrigado a renunciar ao cargo. De acordo com o jornal Haaretz, os dois inquéritos são conhecidos como Caso 1.000 e Caso 2.000. O primeiro deles aponta que Netanyahu recebeu "presentes generosos" de empresários ricos em troca de favores políticos. O segundo alega que o premiê tentou fechar um acordo que poderia lhe render cobertura favorável do segundo maior jornal do país, o Yediot Ahronoth, sob a condição de que o governo aprovasse uma lei que prejudicasse o diário Israel Hayom, o principal rival no mercado.

As autoridades policiais descobriram que, depois das eleições de Netanyahu, o volume de presentes recebidos por ele aumentou de forma substancial e atingiu o montante de 1 milhão de shekels (cerca de R$ 940 mil). Por meio de uma publicação no Facebook, o líder israelense tachou as acusações de "ridículas". Pouco depois das 20h45 (16h45 em Brasília), ele se defendeu por meio de um pronunciamento em rede nacional de TV que durou 12 minutos. "Vocês sabem que tudo o que fiz foi em benefício do Estado de Israel. Isso é o que fiz até agora e o que continuarei a fazer", declarou. "Faço essas coisas não por cigarro, não por uma manchete, e para nada mais do que  pelo bem do Estado de Israel. Nada me fez desviar ou  me desviará dessa missão sagrada." Netanyahu descartou a renúncia e disse nada ter feito de errado. "Eu sinto uma profunda obrigação de continuar a comandar Israel de modo que garanta  nosso futuro."

As investigações também solicitaram o indiciamento de Arnon "Noni" Mozes, editor-executivo do Yediot Ahronoth, e do produtor de Hollywood Arnon Milchan, que está entre os suspeitos de oferecerem presentes caros a Netanyahu como subornos. O governo israelense teria avalizado a chamada Lei Milchan, que corta impostos de israelenses que retornarem ao país depois de passarem um período no exterior. A polícia alerta que Netanyahu atuou "contra o interesse público".

A expectativa é de que o procurador-geral, Avichai Mandelblit, analisará as evidências coletadas pela polícia nos dois casos e decidirá sobre o indiciamento ou não do premiê. A legislação israelense estabelece que o chefe de governo deve apresentar a demissão somente após a apelação e a rejeição do recurso na Suprema Corte. O escândalo coloca em xeque a sobrevivência política de Netanyahu. Em setembro de 2008, o seu antecessor Ehud Olmert renunciou depois de a polícia recomendar que ele fosse acusado de suborno, quebra de confiança, lavagem de dinheiro e recebimento ilegal de bens. O ex-premiê foi condenado a 27 meses de prisão, cumpriu 19 deles e foi libertado no ano passado.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE - DF