Laboratório de dados aponta aumento de tiroteios

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Um relatório divulgado ontem pelo laboratório de dados Fogo Cruzado aponta que, no mês passado, houve um aumento de 87% na quantidade de tiroteios ocorridos na Região Metropolitana do Rio, em comparação com maio de 2017. De acordo com o levantamento, baseado em registros policiais, relatos da população e informações jornalísticas, a estatística subiu de 476 para 890 casos. Em relação a abril deste ano, que, segundo o Fogo Cruzado, teve 774 ocorrências, o crescimento foi de 15%.

O número do mês passado é o maior registrado pelo laboratório, que começou a fazer levantamentos de tiroteios em julho de 2016. Para Paula Napolião, analista de dados do Fogo Cruzado, alguns fatores explicam a alta:

- Vimos um acirramento das disputas por pontos de venda de drogas, e também aumentaram os confrontos entre traficantes e milicianos. A Praça Seca, na Zona Oeste, ilustra bem isso. A área convive há muito tempo com a violência provocada por facções do tráfico, mas a incidência de tiroteios ali aumentou nos últimos meses por conta de confrontos que agora envolvem milicianos. Foram feitas ações para tentar conter essas guerras, mas nenhuma se manteve por longo prazo.

Esta semana, o gabinete da intervenção federal na segurança pública do estado apontou a Praça Seca como uma prioridade, e, na noite da última terçafeira, 1.380 militares deram início a uma operação na região. Ali foi registrada, pelo Fogo Cruzado, a maior quantidade de tiroteios no mês passado: 48 casos. Cidade Deus, com 36, Vila Kennedy, com 28, Rocinha, com 25, e Taquara e Tijuca, cada uma com 19, vêm na sequência.

As cidades que registraram a maior quantidade de tiroteios foram Rio (540), São Gonçalo (99), Belford Roxo (56), Niterói (48) e Duque de Caxias (28). Ainda segundo o Fogo Cruzado, houve, em maio, uma redução de 19% no número de mortes provocadas por armas de fogo na Região Metropolitana: foram 106 casos, contra 131 no mesmo mês do ano passado. O laboratório destaca que as estatísticas passaram por um criterioso processo de checagem antes de serem divulgadas.

- A partir do momento em que uma informação de tiroteio chega ao laboratório, fazemos um trabalho de checagem junto a uma rede de colaboradores. Além disso, utilizamos filtros nas redes sociais que ajudam no processo. Por fim, cruzamos dados com canais da polícia e da imprensa, o que evita notificações duplicadas - disse Paula Napolião.

Em nota, a Secretaria de Segurança lembrou que "estatísticas oficiais de criminalidade no Rio de Janeiro são provenientes dos registros de ocorrência lavrados nas delegacias de Polícia Civil e divulgadas mensalmente pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), de forma sistemática e transparente. O órgão também afirmou que esses dados abastecem o planejamento de combate à violência.

Fonte: O GLOBO - RJ