Interventor se reúne hoje com juiz da Lava-Jato no Rio

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General vai conversar com Marcelo Bretas sobre recursos da corrupção que poderão ser investidos na segurança

 "As UPPs que não estiverem apresentando rendimento serão retiradas; outras serão fortalecidas. Mas vai depender do estudo que foi feito" General Braga Netto Interventor

Responsável pela intervenção na segurança do Rio, o general Walter Braga Netto se reúne hoje com o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, para fazer um pedido especial: a liberação do dinheiro recuperado do esquema de corrupção chefiado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Os recursos seriam usados na compra de veículos para as polícias e até para pagar o 13º dos agentes. A Justiça teria acautelados cerca de R$ 100 milhões, em espécie, sem contar os valores que poderão ser obtidos a partir de leilões de bens da quadrilha que estão prestes a acontecer. A informação sobre o encontro foi publicada ontem por Ancelmo Gois, em seu blog no GLOBO.

O dinheiro da Lava-Jato já foi usado outra vez para ajudar o estado. No ano passado, Bretas determinou que R$ 250 milhões fossem liberados para o pagamento do 13º de 141.289 servidores inativos. Também já ficou acertado entre a Justiça Federal, os ministérios públicos Federal e estadual, além da Secretaria estadual de Educação, no dia 27 do mês passado, que R$ 15 milhões serão aplicados na reforma de dez escolas públicas do estado. Esses recursos fazem parte de um montante de cerca de R$ 400 milhões recuperados pela força-tarefa da Lava-Jato.

Em entrevista à Rede Globo, Braga Netto disse ontem que o objetivo das operações durante a intervenção não é apenas garantir a segurança e combater criminosos, mas levar os serviços do estado e da prefeitura para os moradores:

- Nós estamos na Vila Kennedy, na Vila Aliança e na Coreia, exatamente trabalhando como a primeira ação de intervenção em que nós vamos levar todo o Estado para dentro da comunidade. E, quando eu falo em Estado, não é apenas a parte policial, mas o restante dos serviços que o estado e o município têm que prestar.

MAIS CARROS E ARMAS Como havia anunciado em seu primeiro pronunciamento como interventor na semana passada, o general confirmou que algumas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) deixarão de existir dentro da reestruturação do programa:

- O secretário de Segurança vai analisar o estudo que estava sendo feito na gestão de Roberto Sá (ex-secretário de Segurança). As UPPs que não estiverem apresentando rendimento serão retiradas; outras serão fortalecidas. Mas vai depender do estudo que foi feito.

As polícias vão receber até o mês que vem 200 novos veículos de um total de mil previstos. Em até duas semanas, três blindados recuperados pelo Exército voltam a participar de operações. O general admitiu que não haverá contratação de novos policiais, mas três mil agentes cedidos a órgãos estaduais e a prefeituras serão convocados para que retornem a suas corporações.

- Eu não posso gerar dívidas que o governador não possa pagar, porque quem paga o pessoal é o governo do estado - justificou.

Além das viaturas, os policiais receberão mais armamento. Segundo Braga Netto, no entanto, um estudo está sendo feito para verificar se é adequado o uso de fuzil nas ações que serão feitas. O militar voltou a afirmar que a intervenção é federal, e não militar, e que o papel das Forças Armadas é de colaborador.

Sobre o uso de balaclava por militares durante as operações, o general alegou que os soldados escondem o rosto para se protegerem, pois, às vezes, atuam em favelas onde moram ou em comunidades dominadas pela mesma facção que controla a região em que vivem. Ele ressaltou, no entanto, que qualquer pessoa pode pedir a identificação do militar em caso de alguma infração:

- Eles são funcionários públicos, do Estado. Em caso de qualquer irregularidade, nada impede que a população peça ao comandante da operação que o soldado seja identificado.

Durante uma operação em fevereiro na Favela Kelson's, na Penha, soldados foram vistos usando balaclavas com desenhos de caveira, o que provocou polêmica. Na ocasião, o porta-voz do Comando Militar do Leste (CML), coronel Roberto Itamar, afirmou que a peça pode ser usada, desde que sem desenhos.

NOVA CÚPULA Ontem, o secretário de Segurança, general Richard Nunes, disse que o novo comandante da PM, coronel Luís Cláudio Laviano, e o chefe de Polícia Civil, o delegado Rivaldo Barbosa, foram escolhidos para os cargos por serem competentes e de sua "inteira confiança".

Em seu primeiro pronunciamento, o coronel Laviano chegou a se emocionar:

- Nós, policiais, homens de bem, estamos unidos para preservar o maior bem do ser humano, que é a vida. A vida do policial, a vida do cidadão, a vida do agressor. Policiais nas ruas atentos ao serviço, preservando a vida do cidadão. Policiais trabalhando honestamente em prol da segurança da sociedade.

Já Rivaldo ressaltou a integração como instrumento principal da nova cúpula:

- Nosso foco é restabelecer e trazer a tranquilidade à sociedade.

Fonte: O GLOBO - RJ

Autor: CAROLINA HERINGER, GISELLE OUCHANA VERA ARAÚJO granderio@oglobo.com.br