Comércio de armas já alcança Guerra Fria

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-ESTOCOLMO- A Guerra Fria terminou há quase três décadas, mas a volátil situação política internacional fez com que o comércio internacional de armas crescesse 10% entre 2013 e 2017, atingindo patamar semelhante ao do fim do período em que Estados Unidos e União Soviética se confrontavam pelo domínio do planeta.

É o que revela o relatório publicado ontem pelo Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri). O aumento do fluxo bélico global vem sendo impulsionado, sobretudo, pelos EUA, que elevou em 25% as suas exportações em comparação ao período anterior (2008-2012), sendo responsável por 34% de todas as vendas internacionais. Quase metade destas armas (49%) vai para o Oriente Médio, onde as compras dispararam no intervalo avaliado pelo estudo.

Segundo o relatório, os cinco maiores exportadores - EUA, Rússia, França, Alemanha e China - juntos contabilizaram 74% de todas as exportações de armas entre 2013 e 2017. No entanto, os Estados Unidos superam de longe - com 58% a mais em vendas - a Rússia, que ocupa o segundo lugar no ranking. As exportações americanas chegam a 98 países, e os seus principais compradores são Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Austrália.

O crescimento das exportações americanas pode ser explicado por acordos realizados durante o governo do então presidente Barack Obama. E, nos próximos anos, as vendas deverão aumentar ainda mais: no ano passado, o presidente Donald Trump fechou negócios de bilhões de dólares com a Arábia Saudita. Os números do Sipri são baseados no volume de armas entregues, e não no valor financeiro das vendas.

O aumento expressivo das vendas para o Oriente Médio, onde diversos países estão diretamente envolvidos em conflitos, provoca preocupações entre os especialistas do Sipri. A região registrou aumento de compras de 103% entre as médias de 2008-2012 e 2013-2017, sendo hoje responsável por 32% de todas as importações mundiais.

A Ásia-Oceania é, na verdade, a principal região importadora do mundo (42% do total), ainda na frente do Oriente Médio. Mas a Arábia Saudita se converteu no segundo país importador mundial de armas, atrás apenas da Índia e seguida imediatamente por Egito e pelos Emirados Árabes Unidos.

Fonte: O GLOBO - RJ