Combustíveis devem manter pressão sobre a inflação em 2018

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Uma das principais pressões sobre o IPCA em 2017, os preços dos combustíveis devem continuar subindo este ano. Consolidada a nova política de preços da Petrobras, que desde julho adota reajustes diários para gasolina e diesel nas refinarias, com base nas cotações internacionais, a tendência é que os preços no mercado interno avancem em 2018, ainda que de forma mais moderada, segundo analistas consultados pelo Valor.

Em 2017, de acordo com IBGE, os preços ao consumidor da gasolina subiram 10,32%, enquanto os do diesel avançaram 8,35%. O gás liquefeito de petróleo (o "gás de botijão") subiu 16%.

Segundo Márcio Milan, economista da consultoria Tendências, a expectativa é que a Petrobras mantenha a política de reajustes quase diários, acompanhando o comportamento de preços internacionais. Milan prevê que a gasolina fique 7% mais cara, e o gás de botijão, 3%. "O preço do petróleo no exterior deve continuar subindo, gradualmente, inclusive com a influência do câmbio. No caso do gás, a história é parecida, mas precisamos acompanhar se a Petrobras vai manter nesse caso a política de repasses", disse.

Desde junho, a Petrobras adota reajustes mensais para o botijão de gás, tomando como referência a cotação no mercado europeu. A estatal, contudo, está reavaliando a metodologia, de forma a suavizar os impactos causados pela volatilidade do mercado internacional.

O Itaú Unibanco, por sua vez, tem um cenário de comportamento mais ameno para os preços da gasolina e do gás em 2018. Pelas contas do banco, o preço do petróleo não deve se sustentar no atual patamar, acima de US$ 60, ao longo do ano - deve ceder para a faixa de US$ 50 a US$ 55.

"Com isso, o preço da gasolina deve ser reajustado, na média do ano, em 1%. É o nosso número preliminar. O gás, por sua vez, deve aumentar 2%", disse Elson Teles, economista do banco, acrescentando que as projeções consideram cenário de câmbio a US$ 3,50 ao fim deste ano.

O Citigroup alerta para as tensões geopolíticas no Oriente Médio, e entre os EUA e a Coreia do Norte, que, segundo o banco, podem pressionar o barril do petróleo para uma faixa entre US$ 70 e US$ 80. Some-se a isso uma possível sanção dos americanos ao petróleo do Irã e os efeitos do acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de novembro, para ampliar a meta de corte da oferta até o fim de 2018.

Segundo a Agência de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), os preços do petróleo e dos combustíveis no mercado internacional, utilizados como referência pela Petrobras, devem subir em 2018, mas numa proporção menor do que em 2017. A expectativa é que o preço médio do barril do tipo Brent em 2018 fique em US$ 60, o que representa uma alta de 11% sobre 2017. No ano passado, a elevação foi de 22%.

A EIA destaca o aumento dos preços do barril para US$ 67 ao fim de dezembro, mas estima que o nível de estoques globais de petróleo subirá cerca de 200 mil barris/dia, contribuindo para que o Brent caia para US$ 60 no primeiro trimestre.

O órgão americano também projeta crescimento nos preços dos combustíveis nos EUA, uma das principais referências do mercado. A cotação da gasolina no varejo é estimada em US$ 2,57 o galão na média de 2018, o que representa uma alta de 6,2% ante o ano passado. O diesel, por sua vez, deve subir 11% - de uma média de US$ 2,65 o galão em 2017 para US$ 2,95 este ano. Entre 2016 e 2017, a alta foi de 14%.

Fonte: VALOR ECONÔMICO -SP

Autor: ANDRÉ RAMALHO E BRUNO VILLAS BÔAS