Atividade do comércio mostra retomada modesta no início do ano, dizem analistas

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A atividade do comércio começou 2018 em reação modesta, tendência que deve se acentuar ao longo do ano, avaliam economistas. Segundo a estimativa média de 25 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o volume de vendas do varejo restrito, que não inclui automóveis e material de construção, aumentou 0,5% em janeiro frente ao mês anterior, descontados os fatores sazonais, após redução de 1,5% em dezembro.

As previsões para a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), a ser divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vão de queda de 0,5% até expansão de 1,1%. Para as vendas ampliadas - que consideram, além dos oito segmentos analisados no varejo restrito, os de veículos e material de construção - 21 analistas esperam recuo de 0,1%, em média. Na medição anterior, houve retração de 0,8%.

Como o IBGE revisa o ajuste sazonal da pesquisa em todo início de ano, há um nível de incerteza adicional em relação ao dado de janeiro, ressalva a equipe econômica do UBS. Nas projeções do banco suíço, o comércio restrito cresceu 3,5% sobre igual mês de 2017, o que resultaria em alta de 0,5% sobre dezembro. "Não achamos que a revisão vai alterar o padrão histórico", afirmam os economistas do UBS.

Olhando para frente, acrescentam, deve haver aceleração adicional das vendas no segundo trimestre deste ano. Como fatores que tendem a impulsionar a atividade do comércio, o UBS menciona o alívio das condições financeiras e o melhor desempenho da massa salarial real.

Para o BNP Paribas, o varejo restrito ficou estável na passagem mensal, mas o crescimento do setor vai ganhar fôlego nos próximos meses, depois de ter andado de lado desde julho do ano passado. O aumento esperado na oferta de crédito e a maior renda disponível serão os principais vetores da recuperação do consumo das famílias prevista para 2018, comentam os economistas do banco.

Se confirmada a expectativa de estabilidade em janeiro, as vendas restritas terão crescido 1,6% sobre o primeiro mês de 2017, observa o departamento econômico do BNP. Já as vendas ampliadas devem ter avançado 4,8% em igual comparação, com contribuição maior dos veículos. O banco não divulga a previsão mensal para este dado.

Segundo Jankiel Santos e Flávio Serrano, economistas do Haitong, o mês de janeiro deve ter mostrado divergência no comportamento entre as vendas restritas e ampliadas: para o primeiro segmento, a expectativa é de alta de 0,3% sobre dezembro, enquanto, para o segundo, a previsão é de queda de 1,2%.

"Levando em conta uma perspectiva de prazo mais longo, os dois dados devem reforçar que o consumo privado perdeu fôlego", afirmam os economistas do banco. Nos cálculos de Santos e Serrano, o varejo restrito vai recuar 0,4% entre o último trimestre de 2017 e o primeiro deste ano, ao passo que, no setor ampliado, a redução será de 1,1%.

Embora a taxa de juros em nível mais baixo tenda a estimular a economia e elevar as compras das famílias, parece que a recuperação da atividade está ocorrendo em ritmo mais fraco do que o mercado esperava anteriormente, ponderam os economistas do Haitong.

Fonte: VALOR ECONÔMICO -SP

Autor: Arícia Martins