A violência que divide os turistas



O aviso do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que alertou os viajantes norte-americanos a não visitar quatro cidades do Distrito Federal, provocou reações negativas e revolta nos brasilienses. No entanto, o ano 2018 começou mesmo marcado pela violência na capital do país. Ontem, um homem morreu após levar 10 tiros em Samambaia. Além disso, quatro bandidos, dois deles armados, tentaram assaltar um dos shoppings mais movimentados de Brasília, o Conjunto Nacional. A região é cercada por hotéis, bancos e centros comerciais frequentados diariamente por turistas. 

A Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP) não tem os dados consolidados de quantos crimes ocorreram em 2018 no DF. Mas o Correio levantou que nove pessoas morreram de forma violenta até o 12º dia do ano. Na quinta-feira, um homem foi executado no Paranoá Parque, localizado em uma das cidades citadas na nota dos EUA. Um suspeito disparou contra a vítima por volta das 15h. Também houve um suposto feminicídio em São Sebastião, outra cidade não recomendada para os turistas norte-americanos. Lá, um policial militar teria matado a namorada e cometido suicídio em seguida. 

O balanço mais recente da SSP considera o período de janeiro a outubro de 2017. Segundo os dados, Ceilândia, também citada na lista de restrições norte-americana, aparece no topo do ranking, com 8.727 ocorrências dos mais diversos crimes. Em segundo, fica Brasília, com 7.810. Samambaia está na terceira colocação, com 5.749 casos. Além de Ceilândia, outras três cidades recomendadas para serem evitadas à noite - Santa Maria, São Sebastião e Paranoá - figuram em 7º, 9º e 11º lugares, respectivamente. 

Na quinta-feira, o GDF rechaçou a recomendação do Departamento de Estado norte-americano e salientou que a realidade das quatro cidades citadas não pode ser comparada à de "outras localidades violentas no Brasil e no exterior". "Nelas, vivem cerca de 600 mil habitantes que trabalham, que estudam e convivem numa situação de absoluta normalidade. Como em qualquer cidade no mundo ocorrem crimes, mas tudo dentro da normalidade", informou a nota. 

Dinâmica socialPara a especialista em segurança pública e professora da Universidade Católica de Brasília (UCB) Marcelle Figueira, esses números não podem ser analisados de forma absoluta. Segundo ela, é necessário levar em conta as dinâmicas sociais da população que vive em cada uma delas e os tipos de delito considerados. De acordo com ela, a quantidade de pessoas em determinada região não diz respeito ao total de crimes registrados nela e não há, necessariamente um fator que possa ser relacionado a isso e analisado de forma isolada.

 

Ainda segundo Marcelle, as pessoas classificam a segurança da região onde moram a partir das relações de vizinhança que estabelecem. "Os habitantes de determinada região se percebem mais ou menos inseguros a partir de outras variáveis que estão relacionadas à dinâmica social delas. É evidente que a população se sinta indignada, mas, se formos buscar as estatísticas da Secretaria da Segurança Pública, vamos ver que a recomendação dada pelo governo norte-americano não seria muito diferente de uma emitida pelo governo brasileiro para que os turistas daqui evitassem o bairro do Bronx, em Nova York, por exemplo", compara.

Insegurança

Confira as 10 cidades com mais ocorrências entre janeiro e outubro de 2017

» Região administrativa » Total de crimes

Ceilândia 8.727 

Brasília 7.810  

Samambaia 5.749 

Taguatinga 5.616 

Recanto das Emas 3.310 

Planaltina 3.253 

Santa Maria 2.653 

Gama 2.603 

São Sebastião 1.677 

Guará 1.615

Fonte: SSP-DF

 

Passaporte na mão

Os cinco os países que mais enviaram turistas para o Brasil em 2016:

1 Argentina

2 Estados Unidos

3 França

4 Portugal

5 Alemanha


Fonte: CORREIO BRAZILIENSE - DF

Autor: JÉSSICA EUFRÁSIO / WALDER GALVÃO