Promoção de oficiais-generais

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Publicado em: 07 abr 2022
Crédito: Centro de Comunicação Social do Exército

Senhores generais de 31 de março de 2022!

Por atribuição há muito tempo conferida por tradição ao Chefe do Estado-Maior do Exército e formalizada pela Portaria do Comandante nº 554, de 2008, é com grande satisfação que me cabe saudar os oficiais-generais recém-promovidos, em nome do Exército Brasileiro.

É a minha sexta e última vez, na condição de Chefe do EME, que cumpro esta honrosa tarefa, mas nem por isso serão palavras de adeus ou nostalgia.

Aqui, nesta solenidade, encontram-se o passado, o presente e o futuro da nossa Instituição. Os senhores – hoje generais –, cadetes e alunos da década de 1990; aqueles, cadetes de hoje e generais do futuro – da década de 2050 – preparando-se já para nos substituir.

Neste sentido, esta solenidade repleta de simbolismos também é parte da história do Exército Brasileiro, até porque quem melhor a conta são os seus soldados.

Tenho repetido, em muitos lugares, uma conhecida reflexão: os dias, muitas vezes, nos parecem longos. Os anos, no entanto, passam muito rápido. Por isso, é preciso aproveitar bem o tempo, todo o tempo, todos os dias. É preciso praticar a frase de Santo Inácio de Loyola: “Trabalha como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus”, significada na frase “Trabalha e Confia” da bandeira do estado do Espírito Santo. Depois de tanto tempo repetindo-a, decidi, para maior ênfase, reforçá-la, enunciando-a: “Trabalha muito e confia muito”, pois quem planta pouco, colhe pouco; quem crê pouco, não crê nada. Além disso, o profissionalismo, o entusiasmo e a fé na missão são manifestações do valor militar definidas no Estatuto dos Militares, a lei que rege obrigações, direitos, prerrogativas e deveres dos membros das Forças Armadas. Decorre daí que se tornam imperativos para nós o esforço intenso, de forma continuada, e a fé em abundância. 

Caros Generais de Brigada MARCIS, LEAL, GOYA, CALDEIRA, BARBOSA, SABBÁ, BERNARDES, ANDRELUCIO, BARRETO, FABIANO, CARLOS MARCELO, WELLINGTON, ZUCCO, MAURÍCIO DE SOUZA, ZANON, SILVA NÉTO, NAGY e CESAR.

Neste significativo momento, gostaria de comentar sobre o cerne da profissão militar: fazer a guerra e promover a paz. Com maestria, a Canção do Exército resume a essência dessa dualidade ao expressar que “a paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor”.

E a paz tem sido mantida em nosso País! O último conflito bélico no qual o Brasil tomou parte foi a 2ª Guerra Mundial, finalizado em 1945. No entanto, observando a história, seja a distante, seja a recente, vê-se quão imprescindível e cheia de desafios é a profissão militar.

Tome-se, a título de ilustração, a invasão da Ucrânia ocorrida no último mês de fevereiro, para contextualizar os desafios do Exército Brasileiro, que são também, certamente, desafios das Forças Irmãs - a Marinha e a Força Aérea.

Não é nenhum luxo para um país soberano ter Forças Armadas em condições de serem empregadas. A guerra, de forma simples, pode ser definida como “um ato de violência em que um lado tenta impor ao outro a sua vontade”. Por outro ângulo, podemos dizer que a paz é a “ausência de guerra”.

A guerra não precisa de convite. E ela chega mais cedo para os despreparados. Assim, devemos ter poder dissuasório para desencorajar, com meios convencionais, ameaças à nossa soberania. Importante destacar que recai, sobre os generais, a parcela majoritária da responsabilidade pelo preparo e emprego da Força Terrestre.

É preciso ter tropas com materiais de emprego militar no estado da arte, excelentemente adestradas e em prontidão, a fim de estarem presentes e prevalecerem no momento e local adequados, em caso de afronta à nossa soberania. Temos como prioridade a recuperação e a ampliação das capacidades existentes, além da aquisição de novas capacidades, baseadas nas mais modernas tecnologias, e isso exige esforço permanente. Para tanto, devemos dispor de recursos orçamentários compatíveis com essas demandas e em sintonia com a estatura estratégica do Brasil, um país de dimensões continentais. A Estratégia Nacional de Defesa prevê que ao menos 2% do Produto Interno Bruto do País devem ser destinados ao preparo das Forças Armadas. A responsabilidade pelo cumprimento e pela satisfação das demandas da Defesa Nacional não cabe exclusivamente aos militares. Ao contrário, cabe ao Estado Brasileiro!

Senhores generais, é imperioso que a instrução militar dos seus subordinados alcance não somente os afazeres técnicos e táticos do emprego. É importante que também contemple um amplo espectro de saberes, como os ditames previstos no Direito Internacional Humanitário e a obediência aos princípios da Ética Militar, lembrando que a disciplina é um dos pilares fundamentais de qualquer instituição armada e é a principal ferramenta de controle de um exército, no caso extremo de uma guerra.

Na guerra que se desenvolve no Leste Europeu, observamos conceitos que são conhecidos e tratados pela nossa doutrina. Vemos, por exemplo, a discussão dos objetivos políticos e militares, os movimentos de concentração estratégica, o desencadeamento de operações ofensivas e defensivas, o difícil combate em ambiente urbano e a vasta utilização de armamentos antiaéreos e anticarros.

Notamos, também, a força das ações de guerra cibernética, as operações de antiacesso e negação de área, a utilização de operadores especiais, a efetividade dos drones e das munições inteligentes, as restrições e os bloqueios econômicos impostos como forma de pressão internacional, a tentativa de imposição da narrativa pelos contendores, a ameaça da utilização de armamento nuclear, a percepção de lideranças fracas e fortes em nível mundial e o valor moral das tropas em confronto.

Todos esses, de uma forma ou de outra, são assuntos que fazem parte do cotidiano de nossa profissão e formação. Para além desses limites, os senhores terão que transitar em temas para os quais não tiveram experiências e educação formal. A resposta para essas situações inéditas virá exatamente do alicerce de valores e fundamentos que a Instituição depositou em cada um de vocês ao longo das suas vidas militares. Tenham a certeza de que estarão prontos para adequadamente se posicionarem!

A história, uma vez mais, nos mostra que a guerra, ou a sua possibilidade, forma um elo indissociável entre os militares e a Nação. Esse elo é estabelecido cedo, desde o tempo de paz, e se traduz pela missão constitucional das Forças Armadas da “Defesa da Pátria”, missão que é a razão de existir dos exércitos de todo o mundo. 

Caros promovidos, o aforismo atribuído aos romanos, há quase trinta séculos, continua verdadeiro: “Si vis pacem, para bellum”,  “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”.

Por fim, compartilhamos, como irmãos de armas, das alegrias dos seus entes queridos pela merecida promoção, estendendo-lhes nossos votos de continuados êxitos no prosseguimento. Que Deus abençoe seus passos e suas decisões pelos novos caminhos que trilharão!

Brasil acima de tudo!

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Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército