Dia da Cavalaria – 10 de maio

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Publicado em: 09 mai 2019

Nos enfrentamentos bélicos que envolveram grandes efetivos humanos ao longo da história e, especialmente, na era moderna, ocorreram combates decisivos, pontos de inflexão que definiram o desfecho de batalhas, recuperaram o moral da tropa e insuflaram fôlego nos combatentes, induzindo-os a crer na certeza da vitória.

A Cavalaria nasceu da diferenciação entre as forças apeadas e montadas que surgiram em combate, a partir do momento em que o homem aprendeu a domesticar animais e servir-se deles em suas contendas contra vizinhos ou contra povos invasores.

Arma que se apoia firmemente na tradição dos seus feitos e no valor de seus integrantes, a palavra cavalaria provavelmente originou-se do sânscrito “AKVA”, que significava combater em vantagem de posição. Esse conceito firmou-se quando os exércitos, pelo emprego de diferentes plataformas, obtiveram um maior efeito de choque contra o inimigo. No início, empurradas pela força do próprio homem e, com o passar do tempo, tracionadas por elefantes, camelos ou cavalos.

As raízes da Cavalaria no Brasil remontam ao surgimento do Regimento de Dragões Auxiliares, em Pernambuco, após a guerra contra os holandeses no século XVII. Algumas décadas antes da transferência da corte portuguesa para a colônia, ocorrida em 1808, criou-se o Regimento de Dragões no Rio de Janeiro com o objetivo de preservar a ordem e garantir o cumprimento das leis.

Ao longo do tempo, constatou-se a efetiva participação de unidades de Cavalaria nos principais acontecimentos históricos do final do período colonial e na monarquia, com destaque para o Regimento Dragões do Rio Grande, decisivo nos conflitos de fronteira em torno da Colônia do Sacramento.

Alcunhada de “Arma de Heróis”, inumeráveis são os líderes militares cujas atuações relevantes associam-se ao símbolo das “lanças cruzadas”, tais como o Brigadeiro Andrade Neves, comandante da “cavalaria louca varrida” e suas lendárias cargas; o Marechal José Pessoa, comandante da Subunidade de Carros de Assalto na Primeira Guerra Mundial e idealizador da Academia Militar das Agulhas Negras; o General Plínio Pitaluga, comandante do 1° Esquadrão de Reconhecimento na Força Expedicionária Brasileira; e o primeiro entre seus iguais, Osorio, o Legendário.

Em justa homenagem, comemora-se o dia da Arma de Cavalaria em 10 de maio, data de nascimento de Manuel Luis Osorio em 1808. Oriundo de família simples, com apenas 14 anos alistou-se como voluntário no Regimento de Cavalaria da Legião de São Paulo e seu batismo de fogo ocorreu durante a Guerra da Independência do Brasil, em combate contra a cavalaria portuguesa.

Lutou na Guerra da Cisplatina em 1825, destacando-se no combate junto ao arroio de Sarandi. Na Batalha de Passo do Rosário, dois anos mais tarde, seu esquadrão foi o único a manter a formação durante a peleja. Atuou, ainda, na Guerra dos Farrapos, desde o seu início em 1835. Ao eclodir a Guerra da Tríplice Aliança em 1864, Osorio representava o líder militar brasileiro de maior prestígio na Região Sul do país, pois permanecera por 42 anos em campanhas sucessivas desde a independência.

Presente na retomada de Uruguaiana em 1865, no ano seguinte foi o comandante brasileiro na Batalha de Tuiuti contra o ataque paraguaio, o maior combate já travado na América do Sul. Na fase final da guerra, em 1869, recebeu o título honorífico de Marquês de Herval. Substituiu o Duque de Caxias como Ministro da Guerra em janeiro de 1878 e permaneceu no cargo até a sua morte em outubro do ano seguinte.

Na evolução de um passado heroico aos dias atuais, tecnologias e equipamentos modernos aperfeiçoam e intensificam as características da Arma de Cavalaria, possibilitando multiplicar a mobilidade, o poder de choque, a potência de fogo, a proteção blindada e a capacidade de empregar comunicações amplas e flexíveis.

Atuando em largas frentes, reconhecendo, informando, provendo a segurança e realizando manobras ofensivas, envolvendo e perseguindo o inimigo, a Cavalaria impõe-se no início das operações, à frente da Força Terrestre. Este papel, decisivo no combate, revela-se fundamental em operações ofensivas, defensivas, de segurança e de reconhecimento.

A crescente e dinâmica complexidade dos conflitos modernos, travados em campos de batalha tridimensionais, reais e virtuais, que privilegiam a alta tecnologia e a integração dos variados sistemas operacionais, impõe às forças combatentes inéditos desafios no que concerne aos equipamentos utilizados e às capacitações dos combatentes engajados.

A “Arma Ligeira”, modernizada em conceitos doutrinários, em sistemas bélicos e na formação dos combatentes, nunca renegou o “nobre amigo”, essencial ao desenvolvimento dos atributos inerentes ao cavalariano, quais sejam o espírito de cumprimento de missão, a camaradagem, a audácia, a iniciativa e a lealdade, valores que constituem a sua própria essência.

Cavalarianos de ontem, de hoje e de sempre, orgulhem-se de empunhar a lança! Inspirem-se em Osorio, o Legendário, cuja liderança honrada, leal e agressiva sempre será o exemplo a seguir. Prontos para a carga, pois haverá sempre mais uma!

“É fácil a missão de comandar homens livres: basta mostrar-lhes o caminho do dever”, pois “A farda não abafa o cidadão no peito do soldado”.

 

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.: Vídeo com a canção da cavalaria

Fonte: Agência Verde-Oliva