Passados 83 anos da Intentona Comunista, o Nordeste relembra o episódio que deixou muitos mortos

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Publicado em: 27 nov 2018
Crédito: Arquivo

Recife (PE) – Em Natal, Capital do Rio Grande Norte, o dia 23 de novembro de 1935, um sábado, começou calmo para toda a população. Eram tempos de mudanças no Brasil e no Mundo, com choques entre ideologias causando revoltas, guerras e divisões entre povos, mas nada aparentava que aquele dia terminaria coberto pela violência. No quartel do 21º Batalhão de Caçadores (21º BC), quando a noite já caía na cidade, um grupo de revoltosos precipitou um movimento armado, baseado na ideologia comunista, com o objetivo de tomar o País e implantar um Governo que seguiria os ditames da Internacional Comunista. Era o início da Intentona Comunista no Brasil.

O líder em Natal foi o Sargento do Exército Quintino de Barros, que, após o sucesso na tomada do 21º BC, conduziu os revoltosos para destituírem os governantes, assumirem as funções estatais e iniciarem um governo comunista sob uma nova bandeira, gerando um clima de anarquia, insegurança e violência, que se alastrou a outros municípios do Estado, como São José do Mipibu e Ceará-Mirim.

O aparente sucesso em Natal, motivou o início da Intentona em um objetivo ainda maior: a cidade do Recife, distante pouco menos de 300 km e com grande efetivo militar e populacional. Dia 24 de novembro, logo pela manhã, a cadeia pública de Olinda foi atacada por um grupo liderado por um sargento, o que ocasionou um clima de instabilidade e preocupação. No Quartel General da 7ª Região Militar, onde também funcionava o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), o Sargento Gregório Bezerra assassinou o Tenente José Sampaio e feriu o também Tenente Agnaldo de Almeida. Um pouco distante desse local, o 29º Batalhão de Caçadores, hoje o 14º Batalhão de Infantaria Motorizado, de Jaboatão dos Guararapes, após um violento combate no interior do aquartelamento, partiu para o Recife, com um grupo de revoltosos que incluía oficiais e praças fortemente armados, e que agregou civis ao longo do percurso, com a determinação de destituir o Governo local e fortalecer o movimento iniciado em Natal.

Na região do Largo da Paz, já na Capital pernambucana, os revoltosos foram barrados pelas forças estaduais, iniciando um violento combate. Quando entrou a noite de 24 para 25 de novembro, as tropas do Exército oriundas de Maceió e João Pessoa somaram-se aos legalistas na ação e derrotaram os rebeldes, empregando alto poder de fogo, inclusive a Artilharia, deixando um terrível resultado de mais de 100 mortos.

Após a vitória em Recife, as tropas do Exército seguiram para Natal e também sufocaram o movimento rebelde, que foi encerrado em 27 de novembro, deixando um rastro de destruição em prédios públicos, quartéis e bancos, e mais de 20 mortos, entre civis, rebeldes e legalistas.

Aos eventos no Nordeste, somou-se a ação na Capital Federal do Rio de Janeiro, que sob o comando de Luís Carlos Prestes, deixou clara a intenção de dividir o País e criar um Estado baseado na doutrina comunista.

A violência das ações no Nordeste só não foi maior devido à coragem e estoicismo de homens e mulheres, civis e militares, abnegados na crença de liberdade, paz e união.

Não podemos esquecer a Intentona Comunista, nem aqueles que foram mortos. Aos soldados de hoje, que sigam o exemplo de honra dos nossos antecessores, verdadeiros heróis de um Brasil livre e democrático.

Fonte: CMNE


Crédito: Arquivo