Palestra sobre os 100 anos da Missão Militar Francesa no Brasil

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Publicado em: 20 set 2018
Crédito: CMN

Belém (PA) – No dia 20 de setembro, militares do Comando Militar do Norte e da guarnição de Belém, acompanharam uma apresentação sobre os 100 anos da Missão Militar Francesa no Brasil (MMFP), que será comemorada em 2019. Ministrada pelo Chefe do Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército, General de Brigada Marcio Tadeu Bettega Bergo, a exposição abordou o perfil do país e do mundo à época, os motivos que levaram à escolha pela França e o legado de 21 anos de atividade.

Em um contexto militar com certa defasagem em comparação a grandes potências mundiais, o Brasil encontrava-se aquém na área bélica, pois, periférico na América Latina, não possuía poder de fogo. Ao ver grandes exemplos mundiais, escolheu a França para uma grande intervenção na modernização do Exército Brasileiro, com o objetivo de inovar, instruir e alterar procedimentos administrativos e operacionais no país.

A opção pelo acordo com o país europeu foi para consolidar uma influência que já existia no campo cultural. “Já havia vindo ao Brasil uma missão francesa com Dom João VI, missão científica e artística”, explica o General Bergo, que destaca, também, a influência do resultado positivo do país apoiador na I Guerra Mundial. “Claro que sofremos influência de outros países, mas estávamos mais ligados com a França por questões afetivas”.

Até o final do acordo, em outubro de 1940, vários campos do Exército Brasileiro receberam orientações dos militares franceses, com dois grandes destaques. “A doutrina da guerra é a forma de fazer, de combater. Evoluímos desde os romanos, com o perfil de tropa quadrado. A França modificou isso e, o principal de mudar é que, no nosso caso, nós aprendemos a fazer a nossa própria doutrina”, analisa o palestrante. A educação também sofreu grande influência francesa, com a fundação e progresso das principais escolas do Exército Brasileiro, pois, na análise da época, “o homem bem formado supera as dificuldades”, diz.

Para coroamento dos trabalhos da MMFP, foi realizada, em março de 1940, a manobra em Saicã, que, apesar do enorme êxito nos exercícios, o país ainda estava aquém da realidade mundial. Em outubro do mesmo ano, foi encerrado o contrato, resultando na extinção da missão e no repatriamento dos militares franceses que ainda estavam no Brasil. “Na II Guerra, os 25 mil militares brasileiros empregados combateram ao lado dos norte americanos e mostraram grande poder de adaptação à doutrina daquele país”, destaca o General. Entre os principais legados franceses, o despertar para valores éticos, morais e culturais e o culto aos heróis e a preservação da memória nacional.



Fonte:CMN

Crédito: CMN