Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas verifica infraestrutura de acolhimento aos imigrantes em Roraima.


Publicação: Seg, 16 abr 2018 11:10:00 -0300
Crédito: Sgt Alexandre Manfrim (MD) e Sgt P. Johnson (FT Log Hum)

Boa Vista (RR) – O Ministério da Defesa (MD), por meio do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, esteve, na sexta-feira, dia 13, em Boa Vista, para verificar a reorganização dos abrigos que acolhem os desassistidos provenientes da Venezuela. As melhorias relacionadas à infraestrutura dos locais têm a parceria de órgãos federais, estaduais e municipais, bem como de organizações internacionais e organizações não governamentais, e proporcionam condições de higiene, alimentação, segurança e saúde em solo brasileiro.

“O grande objetivo dessa Força-Tarefa é tirarmos as pessoas desabrigadas das ruas, dar condições dignas para elas. Eu estive aqui há 25 dias e voltei hoje, e já vi uma grande diferença. Logicamente, que ainda não conseguimos tirar todos, mas as famílias, as crianças já estão abrigadas”, disse o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Almirante de Esquadra Ademir Sobrinho.

Há 2.200 desassistidos oriundos da Venezuela em abrigos em Boa Vista. Estão sendo confeccionadas cerca de 4.500 refeições por dia para atendê-los. Com condições sanitárias melhores, o nível de enfermidades caiu e, em cada local, há visitas médicas diárias, promovidas pela Força-Tarefa Logística Humanitária e órgãos do município e do estado.

Para cada abrigo há uma equipe das Forças Armadas em apoio à coordenação, colaborando com organizações, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a Fraternidade Federação Humanitária Internacional e a Fraternidade sem Fronteiras. As Forças Armadas realizam o cadastramento voluntário das pessoas e organizam o funcionamento dos locais, para que a limpeza e o bem-estar de todos sejam geridos pelos próprios imigrantes.

O Almirante Ademir e sua comitiva visitaram cinco abrigos em Boa Vista: Tancredo Neves, Jardim Floresta, Pintolândia, Hélio Campos e São Vicente, além das instalações da cozinha da Ala 7 (Base Aérea), onde são preparadas as refeições para os abrigados. Em Pacaraima, estiveram no abrigo da etnia Warao e conheceram as obras de terraplanagem e preparação para nova área de triagem e apoio. Na região, ocorre, ainda, a Operação Controle, com o reforço de efetivo militar do 3º Pelotão Especial de Fronteira.

Fizeram parte da comitiva a suplente do Comitê de Assistência Humanitária, da Casa Civil da Presidência da República, Natália Marcassa; o Comandante da Força-Tarefa Logística Humanitária, General de Divisão Eduardo Pazuello; o Subchefe de Coordenação de Logística e Mobilização do MD, Contra-Almirante Paulo Ricardo; o Chefe da Operações Conjuntas, também do MD, Tenente-Brigadeiro Baptista Junior; o Comandante de Operações Aeroespaciais da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Carlos Aquino; e o Comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, General de Brigada Gustavo Dutra.

 

Abrigo

Segundo Isabel Marques, do ACNUR no Brasil, o esforço humanitário junta vários especialistas numa mesma causa. Ela também falou sobre as mudanças ocorridas no Abrigo Tancredo Neves: “nós temos nossos arquitetos que fazem o layout e o pessoal do Exército, do Ministério da Defesa, vem com seus engenheiros, suas máquinas e, em 36 horas, hoje, é outro lugar. Eu estive, em um ano, tentando avançar nessa infraestrutura e quando os militares chegaram, nos juntamos, e este é o resultado”. O abrigo tem barracas com colchões, contêineres de banheiros e área de alimentação.

No Abrigo Tancredo Neves, há 340 pessoas, e o cadastramento dos que chegam é feito por um sistema de registro biométrico e de íris, de informações pessoais, que já foi utilizado em crises humanitárias de outros países, como Síria e Sudão do Sul. O ACNUR quer implantá-lo nos demais abrigos.

Já no Jardim Floresta, está a maior parte das famílias com crianças e, por isso, são desenvolvidas atividades como pintura e desenho. São 645 pessoas e o maior desafio da gestão é abrir mais vagas. A Força-Tarefa também planeja soluções para evitar que enchentes prejudiquem esses locais em época de chuvas no estado.

A comunidade Warao está concentrada em Pintolândia. O abrigo, também reorganizado, preserva as condições culturais da etnia, disponibilizando redes e adaptando os gêneros indígenas para alimentação. O abrigo está em funcionamento desde 2016 e são, atualmente, 720 indígenas, que contam com o apoio da Força-Tarefa e da organização da Fraternidade Federação Humanitária Internacional.

Na sequência, no Abrigo Hélio Campos, com 189 pessoas, foi verificado as obras realizadas pelo 6º Batalhão de Engenharia de Construção, que proporcionarão uma nova rede de esgoto ao local. O trabalho da organização militar também inclui adaptações no local para o escoamento da água das chuvas.

O último abrigo conferido foi o São Vicente, recentemente aberto, onde há 292 pessoas, na maioria retiradas do Tancredo Neves.

 

Interiorização

O processo de interiorização continuará. O planejamento do Subcomitê de Interiorização é que, além dos desassistidos voluntários inscritos para a transferência para outros estados, possa haver um cadastro reserva, para os casos de desistências de última de hora.

Como parte da comitiva, a representante da Casa Civil, Natália Marcassa, falou sobre o processo emergencial desencadeado pelo Governo: “é um trabalho que é feito em conjunto, são três grandes linhas de ações do Governo Federal, para questão humanitária: uma primeira, de organização e ordenamento da fronteira; a segunda, o abrigamento e a dignidade humana;  e a terceira a interiorização”.

Natália afirmou, ainda, que “a interiorização dá uma melhor condição de empregabilidade para o imigrante”. Ela lembrou que a solução da interiorização atende à dificuldade da inserção do imigrante na economia local e cria um ambiente mais estável para os brasileiros que vivem em Roraima.

A Força-Tarefa Logística Humanitária, coordenada pelo Ministério da Defesa, continuará as construções, reformas e melhorias necessárias ao controle e acolhimento dos desassistidos provenientes da Venezuela, com o objetivo de cooperar com as agências governamentais que compõem o Comitê Federal para as ações de ajuda e controle na fronteira com a Venezuela.

 

 


Fonte:Asse Com FT Log Hum em Roraima, com informações da Ascom/MD

Crédito: Sgt Alexandre Manfrim (MD) e Sgt P. Johnson (FT Log Hum)