Tradição equestre da Artilharia: os primórdios da Arma sempre vivos com Seção Hipomóvel Salomão da Rocha.


Resende (RJ) – Criada em 1998, para a manutenção das tradições equestres da Arma de Artilharia, a Seção Hipomóvel Salomão da Rocha foi reativada na AMAN no dia 10 de abril, a fim de manter viva a memória dos primórdios da Artilharia na Academia Militar das Agulhas Negras, baluarte das tradições e valores do Exército Brasileiro.

Treze cadetes do 4º ano do Curso de Artilharia compõem a bateria histórica, que recebeu, da Bateria Caiena, do 32º Grupo de Artilharia de Campanha, localizado em Brasília (DF), os melhores cavalos da raça Bretão. Esses animais são caracterizados pela exímia força de tração, essencial para a movimentação das antigas peças de Artilharia. A seção foi também aparelhada com viaturas-peça de canhão Krupp.

Durante a cerimônia de reativação da Seção Hipomóvel, foi realizada uma evolução equestre dos cadetes de Artilharia, que, em seguida, receberam suas esporas. Em suas palavras, o comandante do Curso de Artilharia, Major Cid, fez menção à simplicidade da cerimônia, mas que não retirou dela seu forte significado histórico para a Arma. “Todos sabemos da importância do cavalo para a formação do nosso cadete e, no Curso de Artilharia, reforçaremos essa relação e todos os atributos que ela desenvolve no futuro oficial”, ressaltou.

O Cadete Eric Bernardo Fermiano Alves, do 4º ano do Curso de Artilharia, salientou a importância desse resgate de valores. “Não podemos deixar que se percam as nossas tradições. É muito importante conhecer a nossa história e saber o que fizeram aqueles que vieram antes de nós, que são os nossos exemplos. Pra mim, é uma grande satisfação fazer parte da recuperação da Seção Hipo”, disse.

A atuação da Bateria se dará principalmente em desfiles e demonstrações, proporcionando aos Cadetes um profundo conhecimento da história e do legado do Exército.

 

Quem foi Salomão da Rocha

O Capitão José Agostinho Salomão da Rocha atuou bravamente na Guerra de Canudos, onde tombou em combate, após deixar seu legado de honra. Seu nome ficou registrado na história do Exército e da Artilharia, durante as lutas contra Antônio Conselheiro e seus seguidores, no episódio da Guerra de Canudos. Salomão da Rocha era comandantes da 4ª Bateria do 2º Regimento de Artilharia a Cavalo e, após inúmeras tentativas de conquistar o reduto dos “jagunços”, tendo o Exército já inúmeros feridos, coube à sua bateria a missão de manter o inimigo distante para a evacuação dos baixados. A bateria inteira foi massacrada, com seus canhões Krupp, em 4 de março de 1897.

Mais que na história da Nação, seu nome figura, ainda, na literatura brasileira, eternizada no livro “Os Sertões”, de Euclides da Cunha: "O resto da expedição podia escapar-se a salvo. Aquela bateria libertava-a. De encontro aos quatro Krupps de Salomão da Rocha, como de encontro a uma represa, embatia, e parava, adunava-se, avolumando, e recuava, e partia-se a onda rugidora dos jagunços".



Fonte:AMAN