Museu Capitão Pitaluga e seu vasto acervo sobre a FEB

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Publicado em: 26 jul 2017

Valença (RJ) – Como se viu nas três primeiras reportagens sobre o 1º Esquadrão de Cavalaria Leve (1º Esqd C L), Esquadrão Tenente Amaro, essa foi a única Unidade da 2ª Divisão de Exército fora do Estado de São Paulo que partiu para a Segunda Guerra Mundial, guardando também outra singularidade, mais interessante: a de única tropa de Cavalaria do Exército Brasileiro a combater em solo italiano.

Quando retornaram para o Brasil em 1945, os expedicionários do então 1° Esquadrão de Reconhecimento (1° Esqd Rec) trouxeram consigo memórias e espólios de guerra. Um material rico, carregado de história e que, 57 anos depois, deu vida ao Museu Militar Capitão Pitaluga.

 

O ilustre comandante

O nome do museu é uma homenagem ao segundo comandante do 1° Esqd Rec durante a Segunda Guerra Mundial. O então Capitão Plínio Pitaluga assumiu o comando da Unidade em dezembro de 1944, quando o Esquadrão estava estacionado, junto a toda a Divisão de Infantaria Expedicionária Brasileira, em frente a Monte Castelo.

O Museu reserva uma sala, no primeiro andar, para contar a história dessa ilustre personagem de nossa história, por meio de um vasto acervo pessoal doado pela família. No recinto, é possível acompanhar, em uma televisão, uma entrevista do General Plínio Pitaluga à Globo News. “Eu senti, naquele momento, que, se eu tomasse um contra-ataque alemão – e eu estava a 80 quilômetros da Infantaria –, eu estaria destruído. Mas então agi com calma e tranquilidade. E o soldado brasileiro tem que ter na bagagem um pouco de sorte também”, relembrou o General ao narrar a perseguição aos alemães após atravessar o Rio Panaro, no contexto da Ofensiva da Primavera, em abril de 1945, e que levaria à capitulação de 14.779 inimigos em Fornovo Di Taro, no final do mês.

 

A madrinha

Ainda no térreo do museu, o visitante pode se deparar com outras peças raras: o Boletim Diário do Esquadrão durante a guerra, cartas de militares, fardamento e material de campanha. Mais à frente, a Sala Capitão Bertha Moares homenageia a “Madrinha do Esquadrão” e o Primeiro Batalhão de Saúde que, à época, estava instalado em Valença, na atual sede do 1° Esqd C L.

No recinto, há uma exposição de material de campanha médico e odontológico. Diversos ambientes do museu contam com material audiovisual, que estimula os outros sentidos do visitante, fazendo-o refletir sobre o cenário enfrentado pelos expedicionários. Uma maquete de Montese após a batalha retrata a ocupação dos blindados M-8 Greyhound e o início da missão de aproveitamento do êxito por parte do 1° Esqd Rec na Ofensiva da Primavera.

 

A “Lurdinha”

No segundo andar, a Sala General Otto Fretter-Pico guarda a memória de guerra do inimigo: flâmulas nazistas, medalhas e material de campanha alemão, dentre eles a famosa “Lurdinha”, ou MG 42, a temida metralhadora alemã utilizada na Segunda Guerra Mundial. Há, ainda, uma sala para contar a história do 1° Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, outra que expõe material de comunicações utilizado na Campanha da Itália e uma biblioteca com vasta bibliografia sobre a Força Expedicionária Brasileira.

 

Visite!

A missão de preservar a história da FEB e do Esquadrão segue sendo passada entre os curadores do museu, que hoje compõe o Circuito Internacional de Museus. Atualmente, a tarefa está nas mãos do 1° Ten Calixto. “Os expedicionários já não visitam mais o museu: o medo de se emocionar e o risco de o coração não aguentar é grande”, revelou.

O atual comandante do 1° Esqd C L, Capitão Rafael Barbosa Pereira, comentou o ótimo relacionamento do Esquadrão com a sociedade local. “Fruto do trabalho de antigos comandantes, esse relacionamento é excepcional até pelo fato de o Esquadrão fazer parte da história de Valença. É difícil ter uma família valenciana que não tenha ou tenha tido um parente que serviu no Esquadrão. Esse relacionamento é um legado e, portanto, há uma responsabilidade ainda maior em usar a farda verde-oliva em Valença”, disse.

O Museu Militar Capitão Pitaluga fica no interior do 1° Esqd C L, localizado na Avenida Comendador Antônio Jannuzzi, 415, Valença (RJ).

A visitação ocorre de segunda a quinta-feira, das 8h às 11h e das 13h às 16h, e às sextas-feiras apenas na parte da manhã. O museu ainda abre suas portas aos finais de semana para grupos, desde que com prévio agendamento com a Seção de Relações Públicas pelo telefone (24) 2458-4424, ramal 22.

 

Finalizamos, aqui, a história dessa Unidade militar. Porém, o leitor pode rever as três primeiras matérias dessa série nos links abaixo:

Cavalaria Brasileira fez história na II Guerra Mundial

Quatro fatalidades: heróis na memória do Esqd Ten Amaro

M-8 Greyhound: principal Blindado utilizado pela FEB