Comando Militar do Oeste comemora, em 11 de setembro, Dia do Guerreiro do Pantanal

${the_title} - ${company_name}

Publicado em: 11 set 2020
Crédito: Arquivo (1998)

Campo Grande (MS) – Há 22 anos, em terras pantaneiras, entravam para a história do Comando Militar do Oeste, 24 militares que, destemidos, enfrentaram o ambiente operacional de um lugar inóspito: o Pantanal. Coragem, abnegação, garra e suor fizeram deles os primeiros Guerreiros do Pantanal.

Combatentes como o Guerreiro do Pantanal número 1, da primeira turma do Estágio de Operações no Pantanal (EOPan), o Coronel Valdenir de Freitas Guimarães, não esquecem os dias de luta. As dificuldades de fatores típicos do espaço geográfico pantaneiro acabaram virando texto. Em 1998, o Coronel Freitas, na época, Comandante do 17º Batalhão de Fronteira, caracterizou e eternizou, em forma de oração, aquele novo combatente, diretamente ligado ao pantanal.

“Senhor,

Vós que fizestes do dilúvio ressurgir a terra,

Criastes dessas entranhas o Pantanal,

Com insetos e espinheiros,

O perigo das matas,           

O calor e a friagem,

As enchentes,

E o segredo das águas.

Mas, Senhor,

só Vós sois Deus,  

A última luz do universo.

Transformai as forças da natureza,

No poder, do seu próprio defensor:

Fazei explodir a coragem

Multiplicar a força

E consolidar a fé.

Pois, aqui, Senhor,            

Da mistura de lama e sangue do passado,

Empunhando o aço de divina têmpera,            

Criastes o Guerreiro do Pantanal,

A subjugar o invasor...

E o adverso.

Pantanal!”

 

"Escrevi a Oração do Guerreiro do Pantanal, para criar a mística do Guerreiro do Pantanal no 17º B Fron, em 1998. A inspiração que me acompanha até hoje foi a fusão da hostilidade do ambiente pantaneiro com o soldado combatente do Pantanal, como autêntico herdeiro de um passado de lutas, na defesa da Fronteira Oeste na Guerra do Paraguai," explicou o Coronel Freitas.

A Oração do Guerreiro do Pantanal também foi um marco para o Tenente-Coronel Ricardo Soares Pires Melo, um dos instrutores da primeira turma do EOPan, hoje Chefe da Seção de Serviço Militar da 10ª Região Militar.

“A missão para ajudar a conduzir o 1º Estagio de Operações no Pantanal é uma lembrança que me enche de orgulho. Agradeço ao Coronel Freitas por ter me escolhido para ser o 1º militar do Exercito Brasileiro a conduzir a Oração do Guerreiro do Pantanal, em uma formatura do glorioso Batalhão Antônio Maria Coelho”, contou o Tenente-Coronel Ricardo, Guerreiro do Pantanal número 10.

 

O ambiente operacional do Pantanal, por suas singularidades, exige do combatente características especiais para suportar, combater e vencer ante o calor, a friagem e as enchentes que alteram, decisivamente, o emprego da tropa. Pensando nisso, foi criado o Estágio de Operações no Pantanal. A primeira edição, realizada no, então, Núcleo de Operações no Pantanal, do 17º Batalhão de Fronteira, foi concluída em 11 de setembro de 1998. Desde então, 1395 Guerreiros do Pantanal foram formados.

A partir de 1999, o Núcleo passou a se denominar Seção de Instrução de Operações no Pantanal (SIOP), que, em 2011, com a Portaria nº 187-EME, passou a ser chamada de Centro de Instrução de Operações no Pantanal, funcionando como parte da estrutura organizacional do 17º B Fron.

“Tivemos muito trabalho pra fazer funcionar o primeiro estágio. Fiquei 45 dias destacado em Porto Índio, antes mesmo de começar o estágio, montando a área de instrução. Foi um momento marcante, porque, todo esforço, todo o suor e sangue derramados tiveram como primordial objetivo criar um combatente capaz de sobreviver e proteger um ambiente que é tão sensível e, ao mesmo tempo, tão inóspito como o Pantanal”, explicou um dos instrutores do 1º EOPan, o Guerreiro do Pantanal número 6, Tenente da Reserva Fábio Ruzicki Conceição, hoje Inspetor de Polícia, em São Lourenço do Sul (RS).

Durante o Eopan, realizado duas vezes por ano no Centro de Instrução de Operações Especiais do Pantanal (CIOpPan), oficiais e sargentos são treinados para operar no complexo ambiente pantaneiro. São 572 horas de duração, divididas em três fases: Vida no Pantanal, Técnicas Especiais e as Operações em Ambiente Pantaneiro.

“Graças à visão dos oficiais que serviam na época, no 17º Batalhão de Fronteira e a necessidade de especializar a tropa em um ambiente tão inóspito, porém, de extrema importância estratégica, nasceu o nosso Estágio. Lembro que não se tinham todos os meios de instrução disponíveis, mas, graças ao empenho de todos os escalões enquadrantes, muito foi feito. Sinto-me extremamente recompensado de pertencer à primeira turma e de contribuir, posteriormente, na formação de mais nove turmas de Combatentes Pantaneiros. Tenho plena convicção de que a experiência vivida em Corumbá (MS) me moldou como oficial,” explicou o Guerreiro do Pantanal número 14, Tenente-Coronel, Luiz Otavio Biazoto, hoje Subcomandante do 36º Batalhão de Infantaria Mecanizado.

Os conhecimentos são repassados aos combatentes em um dos terrenos mais difíceis para as tropas do Exército Brasileiro, por conta de cerca de 300 km de fronteira para proteger, da planície de inundação, do clima, entre outros fatores que influenciam no grau de complexidade das operações nos ambientes pantaneiros.

 

“As operações em ambiente pantaneiro puderam aprimorar as técnicas de emprego e, com isso, forjar os combatentes do Pantanal, numa área que requer criatividade e preparo físico e técnico para sobreviver e vencer as adversidades, em prol da manutenção da integridade territorial, preparo para defesa externa e presença da Força na linha da Fronteira Oeste. Fico feliz em ter participado e, posteriormente, ter sido instrutor, onde pude contribuir para o desenvolvimento de uma nova doutrina no Exército Brasileiro”, enfatizou o Guerreiro do Pantanal número 11, Tenente-Coronel Maurício Bachie Ferreira, hoje Chefe da Seção de Pessoal da 4ª Região Militar.

 

Em homenagem a esses pioneiros do EOPan, por meio do Boletim Interno número 23, de 3 de fevereiro de 2020, por determinação do Comandante Militar do Oeste, foi instituído como 11 de setembro, o Dia do Guerreiro do Pantanal. A todos os combatentes, a nossa continência. Pantanal!

Fonte: Comando Militar do Oeste


Fonte:CMO