Há 55 anos, o Tenente Camargo cumpria seu juramento

${the_title} - ${company_name}

Publicado em: 28 mar 2020
Crédito: Maj Luis Roberto

Francisco Beltrão (PR)Carlos Argemiro Camargo nasceu em 15 de abril de 1938, na cidade de Ponta Grossa (PR), filho de Rômulo Camargo e Leondrina Rodrigues. Convocado para o serviço militar, foi incorporado ao 13º Regimento de Infantaria (13º RI) em 1957. Dois anos depois, foi transferido para a recém-instalada 1ª Companhia do 13º RI, localizada na cidade de Francisco Beltrão.

O mundo bipolarizado vivido na época trazia ameaças reais ao destino do Brasil. Foi nesse contexto que, em 26 de março de 1965, o posto de telegrafia da 1ª Companhia do 13º RI recebeu ordem do escalão superior para interceptar um grupo armado subversivo, que já havia atacado destacamentos da Brigada Militar do Rio Grande do Sul nas localidades de Três Passos e Tenente Portela.

Imediatamente, o Comando da Companhia destacou uma patrulha, comandada pelo Tenente Lemos. O então Terceiro-Sargento Carlos Argemiro Camargo partiu de Francisco Beltrão, integrando essa patrulha. Em seguida, foram recebidos informes de que o grupo armado estava na região de Capanema, seguindo em direção a Foz do Iguaçu, onde o Presidente do Brasil à época, Castello Branco, e o do Paraguai, Alfredo Stroessner, estariam reunidos para a inauguração da Ponte Internacional da Amizade.

Sabendo das ações da tropa da 1ª Companhia do 13º RI, o grupo subversivo preparou uma emboscada e recebeu a patrulha a tiros próximo à Marmelândia (PR). Dois desses disparos vieram a alcançar o 3º Sgt Camargo, um na perna e outro no peito. Era o dia 27 de março de 1965. Apesar da baixa, a missão prosseguiu e, no mesmo dia, o grupo armado foi alcançado e preso.

O Sargento Camargo, na época com 26 anos, deu sua vida em defesa da Nação, no estrito cumprimento de seu dever. Havia casado recentemente com a Senhora Maria da Penha Correa Soares, deixando-a grávida no 7º mês de gestação de seu primeiro e único filho.

Sua morte prematura causou comoção nacional, mas abalou sobremaneira a população beltronense, que já havia o abraçado como um de seus filhos. Totalmente integrado à comunidade local, além de militar, atuava como professor de voleibol no Colégio das Irmãs, hoje Colégio Nossa Senhora da Glória.

Carlos Argemiro Camargo foi promovido post-mortem ao posto de Segundo-Tenente e recebeu a Medalha do Pacificador. Sua memória está eternizada na denominação de logradouros e estabelecimentos de ensino em diversos municípios da Federação. Atualmente o 16º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado ocupa as antigas instalações da 1ª Companhia de Infantaria, local onde jaz os restos mortais desse insigne herói.

Nesse ano, em função das medidas para a redução do contágio da população pelo coronavírus, não houve a tradicional cerimônia de homenagem ao Tenente Camargo. Porém, ao rememora-lo, o Exército reverencia a figura do Soldado Brasileiro, que, no cumprimento da missão, seguiu, até a última letra, o juramento que fez: “Dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja Honra, Integridade e Instituições defenderei com o sacrifício da própria vida”.

 

Fonte: 16° Esqd C Mec


Crédito: Maj Luis Roberto