Dia do Quadro de Engenheiros Militares - 3 de agosto

${the_title} - ${company_name}

Publicado em: 30 jul 2019

Do período colonial até os dias atuais, a engenharia militar vem contribuindo de forma marcante com a defesa, a segurança e o desenvolvimento nacionais, enfrentando e superando os desafos de cada momento histórico de nosso país. Seu legado compreende desde contribuições à demarcação, consolidação e integração do território nacional, até inúmeras realizações em proveito da defesa e do desenvolvimento científco e tecnológico do Brasil.

Essa trajetória, emblemática e norteadora da labuta incessante e silente dos integrantes do Quadro dos Engenheiros Militares, inspira-se no exemplo de dedicação, desprendimento e amor ao solo pátrio revelado pelo seu patrono, o Cel Ricardo Franco de Almeida Serra, cuja carreira militar deve ser sempre rememorada e reverenciada.

Nascido em 3 de agosto de 1748, Ricardo Franco iniciou sua vida castrense aos 14 anos, ao ingressar, em 1762, na Academia Militar de Portugal, onde concluiu os cursos de Engenharia e Infantaria em 1766.

Ricardo Franco chegou ao Brasil em 1780, no posto de capitão, designado pela rainha de Portugal para exercer a chefa da Terceira Partida de Demarcação de Limites, recebendo a árdua missão de solucionar as disputas resultantes da expansão das fronteiras do Brasil Colônia.

Em solo brasileiro, desempenhou papel decisivo na consolidação do nosso espaço territorial, realizando o levantamento de extensas regiões fronteiriças, explorando mais de 50 rios das bacias do Amazonas e do Prata, além de mapear as capitanias do Grão-Pará, de São José do Rio Negro (atual Amazonas) e de Mato Grosso.

Em sua vasta atuação como engenheiro militar, foi o responsável por obras de elevado valor estratégico, entre as quais destacam-se o Quartel dos Dragões de Vila Bela, no atual estado de Mato Grosso; o Forte Coimbra, no Mato Grosso do Sul; e o Real Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, considerada a maior edifcação militar portuguesa construída fora da Europa durante o período colonial do Brasil.

Em setembro de 1801, o então Tenente-Coronel Ricardo Franco de Almeida Serra protagonizou uma das mais fascinantes passagens da história militar do Brasil quando, no comando do Forte Coimbra, realizou heroica resistência aos ataques de forças espanholas que contavam com esmagadora superioridade em pessoal e material. A fantástica e improvável vitória da resistência desarticulou o inimigo, garantindo a Ricardo Franco o reconhecimento da Coroa portuguesa por meio de sua promoção ao posto de coronel em 1802.

Vítima de doenças tropicais, o Coronel Ricardo Franco faleceu em 21 de janeiro de 1809, aos 61 anos de idade, ainda no comando do forte que construiu e defendeu bravamente.

Pelo exemplo de liderança, pelo valor desmedido de soldado, e pela relevância das obras de engenharia das quais esteve à frente, o Coronel Ricardo Franco de Almeida Serra tornou-se, em 12 de junho de 1987, o patrono do Quadro de Engenheiros Militares do Exército Brasileiro, cuja comemoração ocorre em 3 de agosto, data de seu nascimento.

Perpetuando os valores de Ricardo Franco, gerações de engenheiros militares trabalham incessantemente nas mais diversas vertentes das áreas científco-tecnológica, logística e operacional, em prol do Exército e do progresso do país. Para o cumprimento de tão nobre missão, cabe ao Instituto Militar de Engenharia (IME), estabelecimento de ensino de excelência nacional, a formação militar e a graduação nas diversas especialidades dos futuros ofciais engenheiros militares, bem como a realização de pesquisa em ciência, tecnologia e inovação.

A Engenharia Militar vem desenvolvendo-se, acompanhando a rápida e dinâmica evolução tecnológica e contribuindo para ela, buscando proporcionar as melhores soluções nas diversas áreas de interesse do Exército. Nesse contexto, destacam-se a manutenção da operacionalidade da Força Terrestre, com o provimento de infraestrutura e de serviços de tecnologia da informação e comunicações; o desenvolvimento de sistemas corporativos, com a incessante busca da segurança da Tecnologia de Informação; a coordenação e execução das atividades cartográfcas relativas às imagens e informações geográfcas; o fomento da integração entre Academia, Indústria e Defesa; a gestão da inovação no processo de pesquisa e desenvolvimento para obtenção de produtos de defesa pela recém-criada Agência de Gestão de Inovação Tecnológica; o provimento de sistemas e materiais de emprego militar de elevada complexidade tecnológica; as ações de avaliação e conformidade de materiais de emprego militar; os projetos e pesquisas realizados pelo seu centro tecnológico; as ações fabris realizadas pelos seus Arsenais de Guerra; a defesa química, biológica, radiológica e nuclear, por intermédio de seu instituto; as ações de defesa cibernética por intermédio de seu comando e correspondente estrutura interforças recentemente criada; e o ensino, gestão e operação do Sistema de Comando e Controle do Exército.

Pode-se destacar, ainda, a atuação na indústria de material bélico do Brasil; o acompanhamento e a responsabilidade técnica na construção de obras de grande envergadura a cargo do Departamento de Engenharia e Construção; a crescente demanda da fscalização de produtos controlados pelo Exército, por intermédio de seu Comando Logístico, entre outros trabalhos de grande importância para o desenvolvimento e a segurança nacionais.

A Engenharia Militar também atua no processo de transformação do Exército, por ser vetor fundamental para os objetivos voltados à operacionalidade da Força Terrestre. Nessa perspectiva, podem ser destacadas a sua participação no desenvolvimento da viatura blindada de transporte de pessoal média sobre rodas Guarani; no Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON); na modernização dos meios de Artilharia Antiaérea do Exército Brasileiro; na aquisição e modernização de viaturas do Sistema ASTROS; na busca da proteção de Estruturas Estratégicas Terrestres (PROTEGER); na Obtenção de Capacidade Operacional Plena (OCOP), que tem por objetivo manter a capacidade operacional e contribuir com o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa; na Aviação do Exército; e na Defesa Cibernética, que incluiu o Brasil no restrito grupo de países capazes de desenvolver medidas de proteção e mitigação de ataques no campo cibernético.

Em qualquer área de atuação: na linha de pesquisa e desenvolvimento, na nobre atividade de docência, no campo operacional militar ou nas atividades de gerência, fscalização e administração, o ofcial engenheiro militar leva na alma os ensinamentos do seu patrono, o Coronel Ricardo Franco de Almeida Serra, cuja herança de honra e glória norteia a busca da excelência dos trabalhos desenvolvidos.

O Exército Brasileiro saúda os engenheiros militares pelo seu dia, reverenciando os feitos do passado, orgulhando-se da atuação no presente e confante no êxito futuro, em sua incansável contribuição para o
desenvolvimento do Brasil.

SEMPRE AVANTE, ENGENHEIRO MILITAR!

 

.: Versão em pdf para impressão                                


 

Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército