Dia da Artilharia – 10 de junho

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Publicado em: 06 jun 2019

O Exército Brasileiro comemora em 10 de junho, data do nascimento do Marechal Emílio Luís Mallet, o Dia da Arma de Artilharia.

O Marechal Mallet, Barão de Itapevi, nasceu na França, no ano de 1801, e construiu uma carreira militar de forma exemplar. Aos 17 anos de idade, imigrou para o Brasil e fixou residência no Rio de Janeiro, onde, em 1822, recebeu um convite do imperador D. Pedro I para iniciar a carreira das armas no Exército que, àquela época, após a proclamação da independência, estava em fase de reorganização. Assentou praça como 1º cadete no Regimento de Artilharia Montada e, no ano seguinte, matriculou-se na Academia Real Militar, optando pela formação no curso de Artilharia. Seu batismo de fogo ocorreu em 1827 na Campanha da Cisplatina, em Passo do Rosário, ocasião em que comandava a 1ª Bateria do 1º Corpo de Artilharia Montada. Pela bravura e liderança demonstradas, o 1º Tenente Mallet foi promovido a capitão pelo seu próprio comandante-chefe.

Em 1831, fruto de mudanças implantadas nas Forças Armadas, foi demitido do serviço ativo pelo fato de não ser brasileiro nato. Nos anos seguintes, o Império suportou turbulentas revoltas que ameaçaram esfacelar a integridade da Nação. De norte a sul, a Pátria sangrava, e a crise exigia o sacrifício supremo de seus filhos e daqueles que  serviram a ela com a alma e o coração. Assim, durante a Guerra dos Farrapos, Mallet, preocupado com a unidade da Nação, aderiu à causa brasileira.

Em 1837, é convidado para comandar uma bateria do Corpo de Artilharia a Cavalo e encarregado de fortificar a Vila de Rio Grande, objetivo estratégico dos farroupilhas. Em seguida, foi nomeado major da Guarda Nacional, função privativa de brasileiros natos. Dispensado uma vez mais após a assinatura da Paz de Poncho Verde, em 1º de março de 1845, Mallet retornou resignado às atividades pastoris em sua fazenda no Quebracho, arredores da atual Bagé-RS.

Em 1851, após alguns anos de afastamento, a Pátria novamente o chamou. O próprio Caxias, o Pacificador, reconvocou-o para combater na Guerra do Prata. Mais uma ocasião apresentou-se para o líder inconteste demonstrar suas excelsas qualidades de soldado e artilheiro por seu exemplo e sua liderança ímpares.

O Barão de Itapevi combateu ainda na Guerra da Tríplice Aliança, quando liderou o 1º Regimento de Artilharia a Cavalo. Durante aquela campanha, especificamente na Batalha de Tuiuti, em 1866, a maior batalha campal da América do Sul, suas bocas de fogo foram batizadas como “Artilharia Revólver” pela precisão e rapidez de seus fogos, que asseguraram importante vitória ao Exército Imperial.

Nessa batalha, o profundo fosso construído por ordem de Mallet para a proteção de sua linha de fogo resistiu a 20 cargas de cavalaria, sendo trunfo decisivo para barrar o avanço da tropa inimiga. Esse feito eternizou-se na história militar pela célebre frase: “Eles que venham. Por aqui não passam.”

Mallet manteve-se em combate e alçou à função de comandante da 1ª Brigada de Artilharia. Finda a campanha, por mérito, ascendeu ao posto de brigadeiro e, em 15 de julho de 1885, a marechal de exército. Mallet faleceu aos 84 anos de idade, em 2 de janeiro de 1886, na cidade do Rio de Janeiro. Em 1932, por meio do Decreto nº 21.196, foi-lhe concedido o título de Patrono da Artilharia do Brasil.

Já no século XX, a Artilharia cumpriu papel fundamental no sucesso da Força Expedicionária Brasileira durante a 2ª Guerra Mundial. Representada pela Artilharia Divisionária da FEB, atualmente Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército, ficou conhecida pela precisão, rapidez e letalidade dos seus fogos. Desde seu batismo de fogo em solo estrangeiro, quando apoiou a progressão de um destacamento do qual faziam parte o 6º Regimento de Infantaria, um pelotão de reconhecimento brasileiro e um pelotão de carros americano, até a marcha silenciosa da 1ª Bateria, que se inscreve entre as mais audaciosas e bem-sucedidas marchas noturnas de uma coluna motorizada, a flexibilidade, a coragem e a meticulosidade dos artilheiros brasileiros foram alvo de vários elogios durante as campanhas da Itália.

A Artilharia do Exército Brasileiro compreende, atualmente, dois ramos distintos: a Artilharia de Campanha e a Artilharia Antiaérea. A Artilharia de Campanha possui uma dotação de morteiros, obuseiros, foguetes e mísseis e tem como missão destruir ou neutralizar os alvos inimigos que ameacem o êxito das operações, inclusive com o emprego dual na defesa do litoral. No que concerne à Artilharia Antiaérea, equipada basicamente por canhões e mísseis, responsabiliza-se pela defesa de pontos sensíveis e estratégicos contra as ameaças aéreas inimigas.

O combate moderno, incerto e complexo torna a missão da Artilharia desafiadora, exigindo de seus quadros um contínuo aperfeiçoamento profissional, técnico e tático. Visando acompanhar essa ininterrupta evolução, a Artilharia avança na incorporação de recentes tecnologias para a melhoria dos materiais e para o adestramento da tropa. Entre os principais projetos de modernização em andamento, destacam-se o do Astros 2020, o do míssil tático, o de Defesa Antiaérea, o de desenvolvimento da família de radares Saber e o de aquisição dos obuseiros autopropulsados M109 A5+Br. A conclusão desses projetos dotará o Exército Brasileiro de novas capacidades e contribuirá para o incremento do poder de combate da Força Terrestre.

          Artilheiros,

          Precisão e eficiência letal nos campos de batalha exigem estudo e esforço contínuos!

          Prontidão para o emprego exige coragem, desprendimento e nobreza!

O culto às tradições e aos valores que nos foram legados fortalece o espírito militar, tornando a Artilharia e o Exército mais fortes. Cultuemos as virtudes do nosso patrono, servidor da pátria na mais profunda e adequada acepção da palavra, e orgulhemo-nos delas.

          É com fogo que se ganham as batalhas!

 

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Fonte: Agência Verde-Oliva