Promoção de Oficiais-Generais

 

 

 

 

Meus caros Generais

 

Este é um momento muito especial em suas vidas. Agradeço ao nosso comandante, General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, o privilégio de saudá-los em nome de nosso Exército.


É uma cerimônia, ao mesmo tempo, solene e simples.


É solene não pela honraria desta conquista, mas, pelos significados e pelas novas servidões que ela lhes impõe.


Os senhores foram escolhidos para prosseguirem chefiando o nosso Exército em um mundo cada vez mais competitivo e complexo. Esses novos tempos exigem enorme capacidade de gestão das informações e dos recursos financeiros e humanos.  Impõe-se a necessidade do conhecimento dos processos, para a elaboração de projetos que permitam atingir melhores índices de eficiência e de operacionalidade. Por fim, é preciso desenvolver a habilidade de integrar a capacitação operacional, às capacidades das outras instituições e agências, para que o Estado dê à sociedade a resposta que ela necessita nas áreas de defesa e de segurança.


Muitos de seus companheiros, de semelhante merecimento e competência, não prosseguirão. A eles, os senhores devem o respeito e a melhor forma de demonstrá-lo é sendo fiel aos princípios de chefia e de liderança que nos forjam desde a nossa Academia Militar das Agulhas Negras.


E nossa querida casa lhes manda seus mais nobres representantes, seus jovens cadetes, para conduzirem a espada que os acompanhará pelo resto de suas vidas.


A espada, se por um lado significa a força, de outro, reflete a benevolência. É com o equilíbrio entre elas que se estabelece a justiça. Espada, que lutou em Guararapes e conquistou a independência. Espada, que ponteou a proclamação da república e liderou as lutas pela democracia. Espada, que mundo afora leva a paz e garante os acordos firmados pela diplomacia brasileira. Espada, empunhada por nossos patronos e por Caxias, um soldado completo, um cadinho das virtudes de todos os patronos. Humilde, guerreiro, pacificador, criativo, ousado, prudente, persistente, conciliador, profundamente humano e reconhecido a ponto de tornar-se adjetivo, “caxias”, pessoa extremamente escrupulosa no cumprimento de suas obrigações. Que esta espada, símbolo de paradigmas de virtudes, os inspirem em suas missões.


Ela lhes será entregue por velhos soldados, nobres chefes militares, escolhidos pelos senhores, por serem a sua referência.


Ao empunhar esta espada invencível, receberão a sua primeira continência como General. A saudá-los os cadetes que a trouxeram.


Esta mistura do velho e do novo solidifica uma Instituição e fortalece uma nação. Velho chefe e sua temperança, jovem cadete e sua intrepidez. Esse amálgama, resultado da educação, nos conduz ao perfeito equilíbrio e à coesão.


       Educação permanente, fundamentada em valores e transmitida de geração a geração, eis a razão de nossa fortaleza. Cabe-lhes Senhores Generais mantê-la viva e protegê-la.


A responsabilidade de continuar gerindo os destinos de nosso Exército é uma distinção que atinge a plenitude, quando apoiada na honraria do servir, pois quando o servir baliza as atitudes do chefe, o "eu" perde lugar para o "nós" e nasce uma equipe. Então a autoridade do decreto transforma-se na liderança consentida e, mais ainda, desejada.


Para lembrar-se da responsabilidade de liderar pelo servir, os senhores conduzem o bastão de comando. Ele é feito de Pau-Brasil por significar o poder e a força do comandante, mas conduzido com a mão esquerda a do lado do coração, para lembrar-lhes do dever da aplicação da justiça.


Tudo que disse Senhores Generais refere-se aos simbolismos desta cerimônia, que a tornam solene, mas ela tem seu lado simples e tocante, ao tratar das pessoas que foram suas parceiras nessa conquista.


Seus pais e familiares, o primeiro ninho, aconchegante, protetor, reconfortante e incentivador. Seus professores, ensinado os segredos dos números, das letras, da história e de outros tantos mistérios para que se tornassem livres para fazer as suas escolhas. Seus companheiros de caserna, subordinados e superiores, cujos ensinamentos os fizeram crescer. Sua esposa e seus filhos, estes, dignos da maior gratidão de nossa força.


Esposa, que não veste farda, nem recebe soldo, mas nem por isso deixa de se doar ao Estado. Muitas vezes, abandona seus sonhos e sua carreira para ajudar a construir a carreira de seu soldado e realizar o sonho de seus filhos. É preciso que se transforme em professora de português para entender e ensinar os regionalismos do novo rincão que os acolhe; de geografia, para conhecer os rios, montanhas e riquezas daquele lugar; de história, para valorizar os antepassados daquele povo e, até de psicologia, para fazer seus filhos entenderem e superarem as distâncias dos amigos e mais difícil ainda dos namoradinhos e namoradinhas.


Filhos, que aprendem desde cedo a dureza da separação e a necessidade da reconstrução da afetividade para a manutenção de seu equilíbrio emocional. Filhos, que saem de uma escola exigente para outra de menor cobrança, então passam a gazetear as aulas, pois, sem estudar, são os melhores da classe. O problema é quando ocorre o contrário, então, a mãe e o pai voltam-se aos bancos escolares, relembrando as velhas lições e não raro, socorrendo-se do bendito reforço do professor particular.


E isso acontece a cada dois, ou três anos, durante toda vida, dificultando, ou impedindo que a esposa exerça a sua profissão, que os filhos continuem os estudos em boas escolas e que a família construa um patrimônio.


Esposas e filhos, em vocês o chefe militar encontra o equilíbrio indispensável para comandar e chefiar. Servidão e família, eis o que caracteriza essa bela "carreira de estado".


Essa servidão, Senhores Generais, deve ser reconhecida pelo Estado Brasileiro, através de seus dirigentes, de forma justa, tal como ocorre com outras carreiras de estado, permitindo ao soldado tranquilidade e dignidade para cumprir o seu dever.
Que Deus fortaleça o seu espírito, com saúde, sabedoria, força e fé. Sejam muito felizes.

 


General de Exército Francisco Carlos Modesto

Chefe do Estado-Maior do Exército

 

.: Versão em pdf para impressão.
 

Fonte:
Publicado:$pubDate