67 Anos da Tomada de Montese

“Montese: sorvedouro de vidas patrícias.”
Iporan Nunes de Oliveira

“No dia 14 de abril de 1945, na região de Montese, teve início a série dos mais árduos combates travados pelos brasileiros na Itália. As operações, durando quatro dias sucessivos – de 14 a 17 –, transcorreram sob violentos e ininterruptos bombardeios.” (Trecho extraído do livro Memórias do Marechal Mascarenhas de Moraes).
A vitória da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) contribuiu decisivamente para o rompimento das linhas inimigas ao norte da Itália, o que foi possível em virtude da bravura e do elevado poder combativo dos Pracinhas, demonstrados na conquista de Montese.
A 1ª DIE recebeu a missão de conquistar Montese e cobrir o flanco esquerdo da 10ª Divisão de Montanha do exército norte-americano. A região era um dos pontos fortes da defesa inimiga, reforçada por campos minados e batida por intensos fogos. Cientes da importância da posição, os defensores estavam determinados a não ceder terreno.
A conquista de Montese era fundamental, pois caracterizava a ruptura da linha defensiva alemã no vale do Rio Panaro (linha “Gengis Khan”) e abria caminho para o avanço aliado rumo à planície do Rio Pó.
Os combates começaram na manhã de 14 de abril de 1945, dando início à Ofensiva da Primavera. Numa demonstração do alto valor de combate das tropas brasileiras, o objetivo foi conquistado definitivamente após quatro jornadas de combates, além de repelidas todas as tentativas de contra-ataque inimigas.
Foi a primeira grande vitória obtida exclusivamente por brasileiros, da maneira brasileira. A manobra continha a ideia da moderna infiltração, hoje familiar a nossa Infantaria, e o êxito em muito se deveu à ação audaciosa do pelotão do Tenente Iporan Nunes de Oliveira, do 11º RI, que havia “introduzido uma cunha na defesa adversária”.
Iporan nasceu em Cuiabá (MT), ingressou na Escola Militar do Realengo e foi declarado Aspirante a Oficial em 8 de janeiro de 1944. Mercê de sua intrepidez e ciente da estrutura organizacional da futura Divisão de Infantaria Expedicionária, voluntariou-se para servir no 11º Regimento de Infantaria, um dos três grandes e tradicionais Regimentos de Infantaria, originalmente sediados nos Estados de São Paulo (6º RI), Minas Gerais (11º RI) e Rio de Janeiro (1º RI).
O então Tenente Iporan recebeu um comando de pelotão da 2ª Companhia/11º RI e embarcou para a Itália em 22 de setembro, como parte do 2º Escalão da FEB. Liderou 11 (onze) bem-sucedidas patrulhas ao longo da guerra, em virtude do que foi condecorado com duas classes da Cruz de Combate.
Após a guerra, Iporan continuou servindo no Exército Brasileiro em diversas designações por todo o país. No Estado-Maior do Exército, trabalhou entre 1960 e 1964, ocasião em que passou para a reserva como Coronel.
Com grande pesar, o Brasil perdeu um de seus grandes heróis, o veterano da Força Expedicionária Brasileira, Iporan Nunes de Oliveira, falecido no dia 3 de dezembro de 2011, em Niterói, de causas naturais aos 93 anos de idade.
Neste aniversário da Tomada de Montese, o Exército Brasileiro rende justa homenagem aos bravos combatentes da FEB que, em território estrangeiro, evidenciaram, sobejamente, exemplos de audácia, bravura, desprendimento, espírito de cumprimento de missão e sacrifício – virtudes imprescindíveis ao Soldado Brasileiro. Soldados que lutaram pela democracia nos campos do Velho Mundo e retornaram à Pátria com a convicção do dever cumprido. Soldados que são exemplos perenes para todas as gerações de brasileiros.

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