Resenha

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Estados unidos querem aproximação comercial com o Brasil
18 Mar 2014

 

Secretário do tesouro americano encontra-se com mantega e tombini

Lino Rodrigues

 

Na primeira visita de uma autoridade do primeiro escalão do governo dos Estados Unidos ao Brasil desde as denúncias de espionagem feitas em meados do ano passado pelo ex-agente da CIA, Edward Snowden, o secretário do Tesouro americano, Jacob J. Lew, reuniu-se ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir uma agenda de reaproximação e a ampliação das relações econômicas entre os dois países. Em pronunciamento logo após o encontro, Mantega elogiou a atuação dos EUA no G-20, grupo dos 20 países mais ricos do mundo.

- Temos que promover uma reaproximação dos Estados Unidos com o Brasil. E isso é possível, porque temos interesses comuns e temos que encontrar os caminhos para concretizar essa parceria - disse o ministro brasileiro, salientando que os dois países continuarão atuando juntos no G-20.

Já o secretário do Tesouro americano reforçou a importância das relações com o Brasil. Segundo Lew, o país, por se tratar da segunda maior economia das Américas, é um parceiro importante para os Estados Unidos.

- Temos uma relação em expansão, rápida e baseada em valores comuns. Os dois países reconhecem os benefícios de trabalharem juntos e vão explorar novos tipos de parcerias bilaterais - disse o secretário americano, salientando que também foram discutidas formas de lutar contra a evasão de impostos nos dois países.

Mantega aproveitou a presença do secretário americano para falar sobre o processo de recuperação da economia internacional que, segundo ele e Lew, ainda é incipiente, mais lento do que eles gostariam e insuficiente para estimular a retomada dos países emergentes.

- É uma recuperação mais lenta do que gostaríamos e ainda insuficiente para estimular a retomada dos emergentes. Estamos em um momento de transição, saindo de uma crise econômica e entrando em uma nova fase na qual acontecem os ajustes, como a redução dos estímulos - disse o ministro.

Antes do encontro com Mantega, Lew havia se reunido com o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, e com líderes empresariais. Na conversa, que aconteceu na sede do BC em São Paulo, ambos falaram sobre as perspectivas das economias americana, brasileira e mundial. Segundo comunicado do BC, a conversa também abrangeu a agenda financeira internacional, "incluindo os desafios atuais para solidificar o crescimento econômico e a estabilidade financeira por meio de esforços conjuntos de todos os membros do G20".

A visita do secretário americano às principais autoridades econômicas brasileiras ocorre simultaneamente à de executivos da agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P), que estão no país desde a semana passada para levantar dados sobre o Brasil. Desde o ano passado, a nota de crédito do Brasil na S&P está sob perspectiva negativa, o que significa que pode ser reduzida a qualquer momento.

 

DOLAR CAI 0,04% E BOLSA SOBE

Como o GLOBO publicou no ano passado, informações vazadas por Snowden revelaram que a espionagem feita pela Agência Nacional de Inteligência (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos abrangeu conversas da presidente Dilma Rousseff e informações da Petrobras. Insatisfeita com as desculpas e justificativas dadas pelo governo americano sobre as denúncias de espionagem, Dilma adiou uma visita de Estado que faria a Washington em outubro do ano passado.

Ontem, o dólar comercial fechou em queda de 0,04%, a R$ 2,350. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, subiu 0,34%.