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BATISMO DE FOGO DA FEB: Operações no vale do rio Serchio
09 fev 2015

Autor: Cel R1 Claudio Skora Rosty Historiador Militar

 

Embarque da FEB 1ºescalão - soldados com uniforme carinhosamente apelidado de Zé Carioca.

 

Tendo como referência o emprego do Destacamento Força Expedicionária Brasileira durante as operações no vale do rio Serchio, em particular a manobra do 6º Regimento de Infantaria, o artigo destaca momentos gloriosos e difíceis vividos por esse contingente, bem como a atuação do pracinha brasileiro no momento de seu batismo de fogo.

A Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi criada em 9 de agosto de 1943 e, em 28 de dezembro do mesmo ano, o General de Divisão João Baptista Mascarenhas de Moraes foi nomeado para comandá-la. Esta força, ininterruptamente empenhada em combate, durante 239 dias, contribuiu decisivamente para derrotar as forças nazistas na península italiana, avançando mais de 400 km, libertando mais de meia centena de vilas e cidades e aprisionando mais de 20 mil combatentes inimigos.

O Brasil manteve-se neutro em relação a esse conflito, até o momento em que submarinos alemães e italianos afundaram expressivo número de navios brasileiros em nossa costa, ceifando covardemente a vida de centenas de compatriotas.

O Presidente da República, Getúlio Dorneles Vargas, respeitando os compromissos internacionais e fortalecido pela vontade popular para desagravar as covardes agressões à nossa soberania, declarou estado de beligerância à Alemanha e à Itália em 22 de agosto de 1942 e declarou guerra às Forças do Eixo no dia 31 daquele mês.

A FEB – denominada 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) – foi constituída por compatriotas de todos os rincões do País para atuar na Itália, no vale do rio Serchio, nas montanhas dos Apeninos e no vale do rio Pó. Seu emprego ocorreria juntamente com as tropas do IV Corpo de Exército, sob as ordens do General Willis Crittenberger; subordinada ao V Exército (V Ex) norte-americano, comandado pelo General Mark Clark; e enquadrada pelo XV Grupo de Exércitos, sob o comando do Marechal Sir Harold Alexander.

Cerca de 25 mil soldados embarcaram e cruzaram o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo rumo à Itália em cinco escalões. Em 2 de julho de 1944, as tropas brasileiras seguiram para o Continente Europeu a bordo do navio General Man, desembarcando na cidade italiana de Nápoles, a fim de iniciar as operações de combate contra os alemães e libertar o povo italiano do nazi-fascismo, caracterizando desta forma a Operação de Desembarque.

Vinte e oito capelães militares foram convocados, sendo dois pastores, e, por via aérea, foram transportados 111 militares, dentre os quais 67 enfermeiras.

A fim de dar prosseguimento às ações de preparação da tropa para o combate, foram utilizados os meios de transporte marítimo, rodoviário e ferroviário para o deslocamento dos “pracinhas”, passando pelas cidades de Tarquínia (recebimento de material bélico), Vada (1º treinamento), Livorno e Pisa, acampando em San Rossore – Quartel-General (QG) da 1ª DIE.

Ao desembarcar na Itália, a FEB assegurou a condição histórica de ser a primeira e única tropa sul-americana a deixar o seu continente para combater na Europa, em defesa da liberdade do povo italiano.

 

 

Linha Gótica – Série de linhas de defesa nazifacistas construídas no norte da Itália, com a finalidade principal de retardar e. se possível bloquear os avanços dos aliados na 2a Guerra Mundial.

 

Operações no vale do rio Serchio

Duas manobras caracterizaram o emprego do 6º Regimento de Infantaria (6º RI): a 1ª manobra, de 13 a 28 de setembro de 1944, que deslocou a Linha Gótica para a região de Borgo a Mozano; e a 2ª manobra, de 29 de setembro a 6 de novembro, que deslocou a Linha Gótica para as alturas de Castelnuovo di Garfagnana, onde aquela linha ficou inalterada até o final da guerra.

 

Primeira Manobra

A Força Expedicionária, inicialmente com o nome de Destacamento FEB, chamado pelos norte-americanos de 6th Combat Team (6º RI, elementos do 11º RI, II do 1º ROAuR2, 1ª Companhia do 9º Batalhão de Engenharia de Combate (1ª/9º BE); 1º Esqd Rec Mec 3 ; elementos da 1ª Companhia deComunicações; 1ª Companhia de Saúde e outros elementos auxiliares), empregou, aproximadamente, um quarto de seu efetivo mobilizado (1º escalão) sob o comando do General de Brigada Zenóbio da Costa, na larga frente, a cavaleiro do divisor de águas balizado pelo mar Tirreno a oeste e o rio Serchio a leste (terreno acidentado, com altitudes crescentes para o norte).

O emprego do contingente brasileiro foi decidido pelo Comandante do V Exército, Marechal Mark Clark, após ter constatado o esplêndido resultado obtido nos exercícios de combate realizados em Vada, nos dias 10 e 11 de setembro. Nas palavras do Comandante do V Exército “a inoculação no combate do 6th Combat Team deveria ocorrer em uma frente relativamente calma”.

A primeira tropa brasileira a cumprir missão de combate em território italiano foi a 1ª/ 9º BE, comandada pelo Capitão Floriano Moller, subordinada ao IV Corpo de Exército. Construiu, em 6 de setembro, uma ponte (tipo Bailey), sobre o rio Arno, o que permitiu que nossas forças atingissem o norte da cidade de Pisa.

Na noite de 13 de setembro, em Vada, a FEB recebeu sua primeira missão operacional de substituição, na região de Vecchiano-Massacinccoli-Filettole, de manter o contato com o inimigo e sondar o seu dispositivo por meio de vigorosa ação de patrulhas; e, caso o inimigo se retirasse, persegui-lo mediante ordem do IV Corpo.

 

 

Em 14 de setembro, o Destacamento FEB percorreu 50 km, partindo de Vada, para chegar até a Zona de Reunião (Ospedaleto), situada a 2 km ao Sul de Pisa, com a finalidade de por em prática a difícil operação de substituição, que foi executada em cinco fases.

A data de 15 de setembro, caracterizando a primeira fase do combate (substituição), marcou, na História Militar Brasileira, o início da entrada em combate do soldado brasileiro.

Em 17 de setembro, as localidades Quiesa, Mozzano e Massarosa passaram a ser os primeiros símbolos de nosso avanço vitorioso de 5 km, pressionando o inimigo em movimento retrógrado. A conquista de Massarosa caracterizou a segunda fase do combate e foi a primeira localidade de real importância libertada pelas forças brasileiras em território italiano, o que rendeu efusivo telegrama do General Mark Clark, elogiando a atuação da FEB.

O Destacamento FEB, por meio das vigorosas patrulhas motomecanizadas, ocupou rapidamente as regiões de M. Ghilardona, Monticiano, Piazzano, Vecoli e C. Boccella. Esta linha de alturas caracterizava os Postos Avançados de Contato (PAC) do Inimigo (16ª Divisão SS). Coroada de êxitos, a FEB atingiu a linha de controle Licetro, Piazzano e Fattoria, caracterizando a terceira fase do combate.

Em reunião em Quiesa, no Posto de Comando do Destacamento, os Generais Clark, Critemberger, Mascarenhas e Zenóbio concluíram sobre a importância da ocupação imediata de Camaiore (sede de comandos, centro de comunicações e abastecimento alemão).

Durante a quarte fase do combate, a FEB obteve a primeira expressiva vitória, Operação Abertura, em Camaiore, a qual foi conquistada sem maior resistência, pois os alemães ali mantinham elementos de vigilância, que se retiraram à aproximação dos elementos avançados de nossas tropas.

O Monte Prano constituía esplêndido observatório sobre as nossas posições em Camaiore e sobre a planície litorânea. Conquistar aquelas alturas era assegurar o domínio das posições já conquistadas.

Para a quinta fase do combate, dadas a extensão da frente a vasculhar e as dificuldades do terreno, o Comandante do Destacamento manteve seus limites com seus vizinhos e estabeleceu nova linha de partida.

Em 23 de setembro, uma patrulha da 2ª/6º RI comandada, pelo Tenente Mário Cabral de Vasconcelos, realizou ousado reconhecimento ao sul de Monte Prano, surpreendendo elementos da 42ª Divisão Ligeira alemã e causando-lhes baixas. Na manhã de 26 de setembro, após seis dias de intenso combate, Monte Prano foi conquistado. Foram feitos os primeiros prisioneiros (32 prisioneiros alemães) e a FEB sofreu as primeiras baixas (quatro mortes e sete feridos).

A vitória e a ocupação de Monte Prano caracterizaram o bem sucedido batismo de fogo da FEB e o fim da primeira manobra das forças brasileiras no teatro de operações italiano, que percorreram cerca de 15 km em 11 dias, combatendo e libertando dezenas de vilas e cidades italianas, pelo que mereceram efusivos elogios e respeito dos aliados.

O II GO4 cumpriu 196 missões de tiro e consumiu 3.107 granadas.

O Destacamento da FEB fez cair pela manobra5 (sem combate) as expugnáveis posições de defesa da Linha Gótica de Bargo a Mozzano, abrindo a frente de combate do vale do rio Serchio, que definiu a segunda manobra do destacamento da FEB na Itália.

As operações até então realizadas caracterizaramse por ações descentralizadas, em frentes amplas, nas quais cada subunidade de 1º escalão atuou isoladamente a cavaleiro de caminhos estreitos, sinuosos e elevados, com a finalidade de estabelecer contato com o inimigo, que se encontrava entrincheirado em magníficas posições de tiro e de observação nas elevações do vale do rio Serchio.

Ressaltam-se o esforço, a coragem, a bravura, o desprendimento, a iniciativa e a criatividade do “pracinha brasileiro”, de lutar em um terreno desconhecido, áspero e montanhoso contra um inimigo experiente, valoroso, inteligente e astuto, demonstrando falsa impressão de que estava desmoralizado e abatido.

A conquista de Camaiore e o abandono das posições de Monte Prano e Monte Acuto pelo inimigo despertaram na tropa brasileira forte entusiasmo e contagiante euforia, que se transformaram em exagerada confiança e impulsionaram a tropa para a segunda manobra na campanha da Itália.

 

 

Segunda Manobra

No final da jornada de 28 de setembro, o General Zenóbio da Costa recebeu nova ordem para progredir na direção geral de Castelnuovo di Garfagnana, conduzindo o esforço principal ao longo do vale do Serchio, e para manter contato com o Grupamento Tático da 92ª DI6 americana.

A finalidade da missão continuava praticamente a mesma – procurar e manter contato com o inimigo –; porém, com uma frente duas vezes maior (20 km), menos acidentada e mais humanizada.

De posse das informações sobre o inimigo, o Comandante do Destacamento da FEB iniciou as operações que ocorreram em quatro fases de combate (substituição).

O encerramento da primeira fase caracterizou-se pela ultrapassagem da Linha Gótica, abandonada na região de Borgo a Mozano. Porém, até o dia 4 de outubro, choveu incessantemente e as operações se limitaram a ações de patrulhas.

O início da segunda fase do combate caracterizou-se pelo contato estabelecido com o inimigo em San Quirico por uma patrulha da 8ª/6º RI. Tivemos uma morte e sete feridos.

Em 10 de outubro, foi consolidada a posse da linha BargaGallicano, sob fortes reações da Artilharia inimiga. Nesta situação, as ações foram interrompidas e, nesse período de inatividade, patrulhas e informações civis levantaram o dispositivo inimigo.

Após três dias de estabilização, o dispositivo foi reajustado para a terceira fase do combate, mantendo os batalhões na mesma situação anterior.

A nova missão da Infantaria era continuar a progressão pelo vale do rio Serchio em busca da retomada do contato com o inimigo.

A presença do Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, no teatro de operações da Itália, de 24 de setembro a 18 de outubro, antes do revés de Sommocolonia, elevou o moral, a vontade de lutar e o prestígio da FEB junto às autoridades norte-americanas. O General Mark Clark recebeu o General Dutra em visita e condecorou os Generais Mascarenhas de Morais e Zenóbio da Costa, em nome do Presidente Roosevelt, e entregou aos oficiais brasileiros o distintivo do V Exército e observando que as tropas norte-americanas usavam um distintivo de braço que as diferenciava, sugeriu que a tropa brasileira também adotasse aquele sistema. Foi assim que surgiu a ideia de se representar em desenho a frase: “A Cobra está fumando”. O desenho apresentado pelo Tenente-Coronel Senna Campos, depois de pequenas modificações, foi bem aceito pelos superiores e pracinhas.

No dia 30 de setembro, foi a vez do General Dutra condecorar, em nome do governo brasileiro, os Generais Clark, Critemberg, Grunter, Croner e Luten, no Quartel- -General da FEB em San Rossore.

Após um período de reajustamentos e adaptações para a quarta fase do combate, as missões dos batalhões do 6º RI eram: 1º BI – ultrapassar as posições ocupadas pelo 3º BI, conquistar a linha Battoli-Colle-M. Pian Del Rio-Cota 906-Le Rocchette e Lama di Sotto; o 3º BI, após ultrapassado, passar à reserva e apoiar o 1º BI com seus fogos; e o 2º BI, continuar operando em sua zona de ação.

 

 

Ao escurecer, a tropa empenhada atingiu seus objetivos e não teve tempo para reconhecimentos e adoção de medidas de segurança local. Dois fatores após o sucesso passaram a predominar: o extremo cansaço e o excesso de confiança, com subestimação do inimigo. De uma maneira geral, as tropas descuidaram da segurança, não consolidaram as posições conquistadas e deixaram grandes intervalos entre os pelotões, sem ligação entre eles, e, em alguns casos, entre eles e as subunidades.

Às 3:00 horas da madrugada chuvosa de 31 de outubro, enquanto a maioria dos combatentes repousava da fatigante jornada e se encontrava mal guarnecida por sonolentas sentinelas, o inimigo realizou violento contra-ataque noturno, o que causou baixas e abriu perigosa brecha no dispositivo do Batalhão.

O que aconteceu foi simplesmente excesso de confiança, de otimismo e de ousadia na manobra executada, que, aliada a graves irregularidades no coroamento da missão, na ocupação e consolidação dos objetivos conquistados, resultou na morte de 59 homens e na perda das posições. O pequeno revés poderia ter sido evitado, mas não comprometeu o prosseguimento das operações.

Terminava assim a atuação do Destacamento FEB sob o comando do General Zenóbio da Costa, que voltou ao Comando da Infantaria Divisionária no Posto de Comando de Le Corti, após ter percorrido mais de 40 km, ter capturado 208 prisioneiros de guerra e ter sofrido 290 baixas, libertando diversas vilas e cidades italianas do jugo nazista.

 

As Operações nas Montanhas dos Apeninos

Na Conferência do Passo de Futa (QG V Ex), decidiu- -se retirar a 1ª DI brasileira da sua zona de ação e empregá-la, mediante rocada, para o vale do rio Reno.

A missão agora era liberar a Rodovia 64 e apoiar a conquista das montanhas dos Apeninos, ficando com a FEB a conquista de Monte Castelo, que foi atacada cinco vezes até ser conquistada. Os insucessos ocorreram por causa da insuficiência de meios para aquela larga frente e por terem sido realizados ataques frontais contra posições fortificadas e contra a tropa experiente da frente russa.

A conquista de Monte Castelo, em 21 de fevereiro de 1945, caracterizou a Operação Dignidade. Foi a vitória da garra brasileira, tornando-se o símbolo da bravura, da tenacidade e da determinação dos nossos soldados; vingando o sacrifício das tentativas fracassadas; quebrando o tabu do baluarte que parecia ser inexpugnável; e selando a máxima de que o Exército Brasileiro jamais foi vencido.

A operação militar de 5 de março, em Castelnuovo, caracterizou a conquista de um nó rodoviário de evidente interesse estratégico. Foi o combate de maior expressão tática. A hábil manobra de isolamento do importante trecho eliminou os últimos observatórios alemães sobre os vales dos rios Marano e Reno, liberando a Rodovia 64, eixo de suprimento essencial dos aliados, que possibilitou o prosseguimento das operações para o norte.

No dia 14 de abril de 1945, ocorreu a Operação Sofrimento, a prova de fogo da FEB, em Montese, pequena cidade, quase um vilarejo, valorizado pelo importante cruzamento de estradas e elevações. Naquele local, deu-se o combate mais sangrento e o de maior valor. Foi o início do término da guerra na Itália. O período que antecedeu sua conquista foi de defensiva agressiva, com intensa atividade de patrulhas, quando veio a falecer o 3º Sargento Max Wolf Filho7 . Na tomada de Montese pela FEB, os alemães desfecharam sobre a localidade a maior concentração de fogos de artilharia jamais vista até então.

Esta conquista repercutiu favoravelmente nos altos escalões e a FEB mereceu dos generais norte-americanos reconhecimentos e os mais elevados elogios.

 

Operações no Vale do Rio Pó

(Perseguição e Aproveitamento do êxito)

O início da Operação de Perseguição começou em 20 de abril de 1945, na localidade de Zocca, cidade situada a noroeste de Montese e a cinco quilômetros do rio Panaro, sendo cortada por estradas secundárias. Adquiriu expressão defensiva episódica, pela necessidade de sua transposição pelos elementos motorizados, tanto das forças nazistas que retraíam como das forças brasileiras que as perseguiam.

Alguns prisioneiros capturados pelo 6º RI informaram que toda a margem norte do Rio Panaro estava minada, o que fez presumir que os alemães estavam em retirada. O 9º BE foi empregado para remover minas, recuperar e reparar as estradas e as pontes destruídas pelo inimigo, permitindo o avanço e perseguição ao inimigo em retirada.

Em 26 de abril, na localidade de Colecchio, ocorreu a Operação de Cerco, durante a qual foi aprisionada a vanguarda inimiga e foram feitos alguns prisioneiros de guerra, os quais confirmaram que a divisão alemã pretendia efetuar a retirada para o norte. O General Mascarenhas de Morais acionou o seu Estado-Maior no sentido de elaborar uma ordem de operações, prevendo o cerco dessa divisão, e retirou da Artilharia suas viaturas para transportar as tropas, dando, assim, maior velocidade à Infantaria e permitindo o aprisionamento das tropas alemãs.

A manobra brasileira que aprisionou a vanguarda e cercou o grosso do inimigo, não lhe deixou outra alternativa senão a rendição incondicional dos alemães e italianos em Fornovo di Taro, em 28 de abril. Foi a Operação de Coroamento, a consagração da manobra estratégica e a consolidação das ações da FEB nos campos da Itália. A rendição da 148ª Divisão de Infantaria Alemã resultou na captura de aproximadamente 15.000 prisioneiros de guerra, 1000 viaturas motorizadas, 1500 viaturas hipomóveis, 80 carroças, armas e mais de 4000 cavalos. Esta atuação foi o epílogo de uma bem planejada operação de perseguição, à qual não faltaram audácia, rapidez e pronta decisão por parte dos brasileiros.

Dentre os mortos que ficaram no Cemitério Votivo Militar Brasileiro em Pistoia, constam 456 militares da FEB, oito oficiais da Força Aérea Brasileira e 40 militares alemães, cujos corpos foram recolhidos pelo Pelotão de Sepultamento da 1ª DIE em nossas linhas de combate.

Em 22 de dezembro de 1960, o Governo brasileiro providenciou a remoção dos restos mortais dos nossos heróis, de Pistoia para o Rio de Janeiro, a fim de repousarem definitivamente no Mausoléu do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo (RJ).

Em Susa, ocorreu a junção de nossas forças com as tropas francesas, caracterizando o fim da participação da FEB na II Guerra Mundial. Em 2 de maio de 1945, acabava a guerra na Itália e, em 8 de maio, terminava na Europa, com a vitória dos Aliados e a rendição definitiva da Alemanha.

A FEB apresentou, em menos de um ano de campanha na Itália, os seguintes dados numéricos:

– efetivo total da FEB: 25.334

– integrantes da FEB prisioneiros: 35

– mortos da FEB: 457

– feridos no Teatro de Operações: 2.722

– desaparecidos (10 sepultados como desconhecidos) 23

– Ao regressarem ao Brasil, os pracinhas da FEB foram recepcionados com grande entusiasmo popular. O primeiro escalão desembarcou no Rio de Janeiro no dia 18 de julho de 1945.

O sangue daqueles bravos soldados tingiu de vermelho as verdes montanhas dos Apeninos. Algumas centenas de nossos valentes companheiros não retornaram à Pátria, permanecendo no sono eterno dos heróis nas terras úmidas das planícies toscanas. Assim se referiu o Comandante da FEB ao retornar ao Brasil. E àqueles que tombaram no campo de batalha a certeza de que a sua luta não foi em vão. A cobra realmente fumou!