Missões de Paz

Primeira Força de Emergência das Nações Unidas - UNEF I

   A primeira experiência histórica das Forças Armadas brasileiras em missão de paz das Nações Unidas foi o envio do "Batalhão Suez", um Batalhão de Infantaria de aproximadamente 600 homens ao Egito (de janeiro de 1957 a julho de 1967) integrando a Força de Emergência das Nações Unidas I (UNEF I), organizada com a finalidade principal de separar forças egípcias e israelenses.
    A Missão foi criada para proteger e supervisionar a cessação das hostilidades, incluindo a retirada das forças armadas da França, de Israel e do Reino Unido do território egípcio e, após a retirada, para servir como um amortecedor entre forças egípcias e israelenses. Os seguintes países forneceram tropas para UNEF I: Brasil, Canadá, Colômbia, Dinamarca, Finlândia, Indochina, Índia, Noruega, Suécia e Iugoslávia.
   A atuação da UNEF I no Egito foi dividida em quatro fases: a primeira fase centrou-se na retirada das forças anglo-francesas da área de Port Said; a segunda diz respeito à retirada das forças israelenses da península do Sinai; a terceira centrou-se na retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza e da região de Sharm-el-Sheikh (faixa na costa ocidental do Golfo de Aqaba que, atualmente, assegura a liberdade de navegação no Estreito de Tiran e no Golfo); e a quarta e última fase, que começou com a implantação de UNEF ao longo das fronteiras entre o Egito e Israel, abrangeu um período de mais de 10 anos, a partir de março 1957 até meados de 1967, quando a Força atuou como um tampão informal entre as forças egípcias e israelenses ao longo da Linha de Demarcação de Armistício, para observar e informar sobre todas as violações dessa Linha em terra, mar ou no ar, mantendo a paz nas área sensíveis.
  Durante os mais de dez anos da missão, o Brasil contribuiu com efetivo acumulado de aproximadamente 6.300 homens com equipamentos pertencentes ao Exército Brasileiro, divididos em 20 (vinte) contingentes, que se revezavam a cada seis ou sete meses, havendo necessidade, na época, de convocar reservistas e prepará-los para compor os efetivos. O esforço empreendido pela Nação para viabilizar o envio dessa quantidade de militares devidamente equipados e preparados para uma missão de paz numa região tão crítica e afastada do território brasileiro demonstra a grandeza da missão.
    Os relatos históricos e o fato de dois oficiais generais brasileiros terem exercido o comando operacional da UNEF I, nos período de janeiro a agosto de 1964 (General Carlos Paiva Chaves) e de janeiro de 1965 a janeiro de 1966 (General Sizeno Sarmento), comprovam a qualidade e o sucesso dos nossos militares nessa importante e grandiosa missão da ONU.
    A UNEF I foi um exemplo revelador da importância das forças de paz das Nações Unidas, na medida em que pôs fim a uma guerra destrutiva e, por mais de 10 anos, manteve a paz em uma das áreas mais sensíveis do Oriente Médio.