Avisos

Ordem do Dia do Ministro da Defesa alusiva ao Dia Internacional dos Peacekeepers


Brasília, 28 de maio de 2018


Senhoras e senhores,


A paz é o bem mais precioso de uma sociedade. Ela cria condições para o desenvolvimento, garantindo a vida e a integridade das pessoas. É com base na paz que se constrói a civilização e se edifica um Estado democrático e justo.


No entanto, a paz é conquista que precisa ser mantida; e ela não se mantém sem o esforço vigoroso de pessoas dedicadas e destemidas. A harmonia e a conciliação são facilmente destruídas por falhas humanas, como a ganância por recursos, a cobiça por poder, o anseio por vingança, o apetite pela crueldade e o apego cego a ideologias violentas. A paz requer fortes defensores.


Nesses tempos desafiadores os derrotados não se sentem vencidos. E mais difícil que ganhar a guerra é ganhar a paz.


Há 70 anos, em 29 de maio de 1948, o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou o destacamento de observadores militares para supervisionar a trégua entre Israel e seus vizinhos no Oriente Médio, dando início às operações de paz sob égide da ONU. Desde então, as Nações Unidas realizaram 71 operações de paz, envolvendo mais de 120 países.


O Brasil faz parte dessa história. Em 1956, as nossas Forças Armadas enviaram o Batalhão de Infantaria de Força de Paz (Batalhão Suez) para integrar a 1ª Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF I) junto à Faixa de Gaza no conflito árabe-israelense. Posteriormente, militares brasileiros fizeram
parte de missões de paz em Moçambique, Angola, Timor Leste, Líbano e Haiti sob a égide das Nações Unidas.


A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) contou com o emprego de mais de 37 mil militares brasileiros ao longo de 13 anos. Nesse contexto, nossas tropas enfrentaram não só desafios clássicos de estabilização, mas também um terremoto de magnitude de 7,0 na escala Richter que devastou Porto Príncipe e arredores em 2010, causando 220 mil mortes e vários tufões. Ainda assim, as Forças Armadas do Brasil, e seus colaboradores, conseguiram deixar o Haiti em condições muito melhores do que haviam encontrado, com um maior grau de estabilidade e instituições públicas mais consolidadas. Esse legado atesta o elevado profissionalismo das nossas tropas, a força da cultura solidária dos brasileiros e o acolhimento fraterno dos haitianos. Saímos o ano passado deixando amigos e levando saudades.


No momento, o nosso país integra 10 diferentes missões das Nações Unidas. Destacamos a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), que conta com o Contra-Almirante Eduardo Machado Vazquez, da Marinha do Brasil, à frente da Força-Tarefa Marítima e a Fragata Independência como navio capitânia. A Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) é comandada pelo General de Divisão Elias Rodrigues Martins Filho do Exército Brasileiro. Hoje, o Brasil emprega 270 militares, ao todo, para a promoção da paz no mundo.


Esses honrosos brasileiros fardados, e àqueles heróis militares que já deram sua cota de suor, sangue e até a vida em missões de paz passadas, saibam onde estiverem que o exemplo dos seus valorosos esforços nunca será esquecido e que continuam sendo compartilhados e reconhecidos por todos nós, amantes da paz.


Parabéns a todos os peacekeepers brasileiros pelo seu dia maior! Recebam com uma reverente continência o nosso muito obrigado!
 

 

JOAQUIM SILVA E LUNA
Ministro de Estado da Defesa, Interino