Patronos

A mais autêntica homenagem que se pode prestar aos grandes vultos da Pátria é manter viva a lembrança de seus feitos, interpretar os acontecimentos de que participaram e recolher os dignos exemplos que nos legaram.
As magistrais lições que emanam de suas incomuns existências constituem a imortal seiva que robustece crenças, revigora forças para a travessia do presente e inspira a busca do futuro.

Patrono. {Do lat. patronu] S.m. 5. Bras. Chefe militar ou personalidade civil escolhida com figura tutelar de uma força armada, de uma arma, de uma unidade, etc., cujo nome mantém vivas tradições militares e o culto cívico dos Heróis.
Extraído do Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Ed Nova Fronteira, 1ª Edição

patrono do exército brasileiro

Aspectos da Personalidade do Duque de Caxias

Caxias - O Cidadão

Aspectos da Personalidade do Duque de Caxias

Oliveira Vianna ensaiou, no artigo "Temperamento de Caxias", 16 aspectos da personalidade do Duque de Caxias que podem ser assim sintetizados:

"Possuidor de inteligência realista de homem de ação. Tudo nele era lucidez, precisão, justeza, objetividade e imaginação concreta e realista. Refratário a sonhos, fantasias e a planejar sobre irrealidades. Considerava as coisas como as coisas eram. Suas qualidades de estadista o levariam a ter sucesso em qualquer atividade que viesse a se dedicar .

Possuía um temperamento equilibrado e sólido, calmo e saudável de nervos. Possuía emotividade controlada, sem exageros ou desequilíbrios afetivos de qualquer espécie. Seria um ciclotímico. Uma personalidade feita de equilíbrio, força, indulgência e calma, nobreza e magnanimidade.

Não lhe faltava coragem física que até lhe sobrava, mas que a usava calculadamente no momento exato como aconteceu em Itororó. Possuía visão clara da natureza humana e o dom de perceber as qualidades dos líderes que enfrentara ou das populações que se propunha pacificar ou em seu seio exercer comandos.

Possuía a intuição apreendida de um psicólogo realista, com a compreensão exata e realista da psicologia dos grupos (dir-se-ia hoje ser possuidor de elevado índice de inteligência emocional)

Calma objetiva e lúcida, a sua inteligência percebia tudo. Nenhum detalhe escapava ao seu senso observador. Caxias, tendo tudo nas mãos e podendo ser tudo, foi o mais modesto dos herois, o mais obediente dos cidadãos. Salvaram-no e salvaram os brasileiros as qualidades fundamentais de sua personalidade que lhe conferiram por um lado a calma, a indulgência, a magnanimidade e por outro lado a desambição, o desprendimento, ausência de amor próprio e de vaidade, pois estudando-se Caxias chega-se à conclusão que não houve ninguém mais desprovido de vaidade, ambição e sede de poder ".

Segundo o General Médico Olyntho Pillar, biógrafo de Caxias, em obra mais acessível, "Caxias foi militar íntegro, estadista modelar, sem jamais haver revelado a mínima ambição pelas invulgares honrarias que lhe foram concedidas por seus reais méritos. As sumas dignidades que conquistou e os mais altos postos da hierarquia a que ascende não alteraram a formação magnífica de homem probo, sereno, bravo, bondoso, altivo, justo, crente, patriota, educado, esposo e pai amantíssimo, como havia sido filho dedicado e respeitador."

Para seu outro biógrafo, Paulo Matos Peixoto, "Caxias não possuia um temperamento frio, mas comedido. Não era um emotivo, mas sensível às emoções que sabia dominar. Não era arrogante, mas mantinha em qualquer circunstância a dignidade da postura e a reserva de comportamento. Era calmo, tranquilo, sereno, mas possuía a eloquência dos gestos e das palavras nos momentos especiais."

O Capitão Eduardo Síber, mercenário prussiano a serviço do Brasil na Guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852), assim criticou Caxias em livro que escreveu na Alemanha, mas que, dentro da democracia étnica brasileira – que ele classificou de "repugnante mistura de raças" –, vale por um elogio" ao brasileiro: "Depois que o Conde de Caxias se despediu em Jaguarão de seus companheiros e amigos, negros, brunos (mulatos) e amarelos, seguiu viagem para Pelotas em vapor."

Como chefe militar assim se refletia sua liderança militar segundo depoimentos:

De seu adversário político, o Senador Zacharis de Góes e Vasconcellos, ao propor ao Gabinete Liberal de 3 de agosto, que presidia, de nomear-se Caxias Comandante em Chefe, depois do desastre de Curupaiti, no Conflito da Tríplice Aliança: "O nobre Marquês de Caxias [...] sobretudo por sua maneira de ser (personalidade), possui o dom de cativar a vontade dos militares. Onde ele domina (comanda), desaparece a intriga entre os chefes. A sua nomeação torna-se imprescindível."

Pouco tempo depois, o mesmo Senador Zacharias, em discurso de 18 de junho de 1868 no Senado, ao comentar a atuação de Caxias no Paraguai, diz, a certa altura: "O nobre Marquês de Caxias teve o grande mérito de sopitar todas as intrigas (na guerra). Foi um grande serviço que prestou ao Brasil!"

Um efeito de sua liderança sobre a tropa relatou Dionízio Cerqueira em suas "Reminiscências da Guerra do Paraguai", tendo sido o autor testemunha da atuação de Caxias na conquista da ponte de Itororó: "Quando (Caxias) passava no seu uniforme de Marechal de Exército, ereto e elegante, apesar da idade, todos nós nos perfilávamos reverentes e cheios de fé. Não era somente respeito devido a sua alta posição hierárquica. Havia mais a veneração religiosa e a admiração sem limites. Ele poderia fazer dos seus soldados o que quisesse, desde um heroi até um mártir. Por isso, quando ele passou pela frente do 16 (de Infantaria), com as faces incendidas e a espada curva desembainhada, foi preciso o nosso comandante comandar - Firme! - para que não o seguíssemos todos."