Patronos

A mais autêntica homenagem que se pode prestar aos grandes vultos da Pátria é manter viva a lembrança de seus feitos, interpretar os acontecimentos de que participaram e recolher os dignos exemplos que nos legaram.
As magistrais lições que emanam de suas incomuns existências constituem a imortal seiva que robustece crenças, revigora forças para a travessia do presente e inspira a busca do futuro.

Patrono. {Do lat. patronu] S.m. 5. Bras. Chefe militar ou personalidade civil escolhida com figura tutelar de uma força armada, de uma arma, de uma unidade, etc., cujo nome mantém vivas tradições militares e o culto cívico dos Heróis.
Extraído do Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Ed Nova Fronteira, 1ª Edição

patrono do exército brasileiro

A Revolução Liberal de São Paulo – 1842

A revolução liberal de São Paulo  1842

Generalidades

Com a abdicação de D. Pedro I, em 07 abr 1831, o Brasil viveu uma forma anárquica e turbulenta, marcada por motins, revoltas e revoluções, que só tiveram fim 14 anos mais tarde, com a pacificação da Revolução Farroupilha por Caxias, em Ponche Verde.

Nem a Maioridade de D. Pedro II, em 1840 conseguira reunificar a família brasileira, agitada por um sonho de Federação e República, estimulado pelo Ato Adicional de 21 ago 1834, que deu maior autonomia às províncias e fez do Brasil uma monarquia federativa.

Na época, o Exército foi colocado em segundo plano, passando-se a dar mais valor à Guarda Nacional e às Polícias Militares, então criadas. As fortalezas e unidades de fronteira tiveram seus efetivos reduzidíssimos. Oficiais estrangeiros, que haviam lutado no Exército por nossa Independência, de 1822 a 1831, foram dispensados, inclusive o mais tarde Marechal Emílio Mallet, atual patrono da Arma de Artilharia. Esses eventos geraram revoltas, motins e quarteladas por todo o Brasil.

No Rio, para contê-las, recorreu-se ao Batalhão Sagrado, só de oficiais, do qual o futuro Duque de Caxias foi subcomandante.

Em 1842, disputas acirradas entre conservadores e liberais, em Minas (Ouro Preto, Barbacena, São João Del Rei etc.), atingiram altíssima temperatura, bem como em São Paulo (Sorocaba, Itú, Porto Feliz, Faxina, Capivari e Curitiba etc.).

Os liberais visualizaram a derrubada do Gabinete de Ministros conservadores, sob o argumento de verem nele indícios de autoritarismo, pelas leis que criaram o Conselho de Estado, reformaram o Código Penal, as chefias de polícia nas províncias e no ato que dissolveu a Assembléia Geral. A trama revolucionária teve curso, no Brasil, através da sociedade secreta Clube dos Patriarcas Invisíveis.

Em São Paulo, o pretexto foi a substituição do Presidente da Província, Rafael Tobias de Aguiar, a manutenção do comandante-das-Armas e o adiamento da abertura das câmaras legislativas.

E São Paulo e Minas foram à revolução.

 

Desenvolvimento da revolução de 1842, em São Paulo

Em 17 de maio 1842, estourou a revolução em Sorocaba, cuja a Câmara proclamou Tobias de Aguiar e o ex-regente do Império o Padre Feijó, presidente e vice-presidente interinos de São Paulo.

A Corte agiu rápido. Nomeou o Barão Caxias, que acabara de pacificar o Maranhão, Comandante-Chefe com carta branca para pacificar São Paulo.

Caxias, com 400 homens, desembarcou em Santos. Cerrou logo para a capital, alvo dos revolucionários, onde chegou em 22 de maio. Ali ocupou Mogi das Cruzes, organizou a defesa da capital e bloqueou a ponte de Pinheiros, que lhe dava acesso.

 

 

Isolou os revolucionários, nas regiões de Itararé, Lorena-Guaratinguetá, de apoios possíveis do Rio Grande, Minas e Rio de Janeiro. À Província do Rio de Janeiro foram incorporadas, de 18 de junho a 29 de agosto, as localidades paulistas de Guará, Lorena, Cunha, Queluz, Silveiras, Areia e Bananal.

Os revolucionários perderam tempo e não atacaram São Paulo. Caxias pôde assim tomar a iniciativa.

Em dois ataques sucessivos, obrigou os revolucionários a se retirarem para longe, perseguindo-os na direção São Paulo - Campinas. Em 07 de junho deu-se o combate de Venda Grande, em Campinas, no qual os revolucionários, com superioridade numérica, foram surpreendidos e batidos.

Isso abriu caminho para Caxias investir Sorocaba, onde entrou vitorioso em 20 de junho, não tendo encontrado Tobias de Aguiar, que buscou a proteção dos farroupilhas.

Encontrou, no comando da resistência, o padre Feijó, que tentou, sem êxito, negociar em condições privilegiadas. Foi preso com todo o respeito e afastado, de São Paulo, para o Espírito Santo.

Em 20 de maio, Caxias mandara ao comandante dos revolucionários, uma carta nesses termos, na tentativa de evitar a sorte das armas:

"Que pretende? Quer V.S. empunhar as armas contra o governo legítimo de nosso Imperador? Não o creio porque o conheço de muito tempo, sempre trilhando o caminho do dever e da honra (...) Acabo de chegar da Corte munido de autoridade para tudo aplanar. Não tenho sede de sangue dos meus patrícios, porém não deixarei de cumprir os meus deveres como militar. Ainda é tempo, não ensangüentemos o solo que nos viu nascer e não acendamos a guerra civil nesta bela província para não a vermos reduzida ao estado do Rio Grande de São Pedro do Sul e sua vizinha. (Santa Catarina) Responda-me e não se deixe fascinar por vinganças alheias."

Não atendido em seu apelo, Caxias teve de cumprir seu dever com firmeza.

Antes de retornar ao Rio e ainda em São Paulo, em 05 de julho, Caxias escreveu à esposa:

"Meu bem. Ontem te escrevi uma carta por intermédio do Ministro da Guerra remetendo-te 200 mil réis para fazeres um vestido muito bonito com que devemos ir ao primeiro baile que haverá ai no Rio depois de minha chegada... Beijos às nossas filhas. Teu Luiz."

Em 13 de julho quando retornava ao Rio, em Guaratinguetá, Caxias soube de sua nomeação para pacificar Minas Gerais, com carta branca, como o fizera em São Paulo.