Patronos

A mais autêntica homenagem que se pode prestar aos grandes vultos da Pátria é manter viva a lembrança de seus feitos, interpretar os acontecimentos de que participaram e recolher os dignos exemplos que nos legaram.
As magistrais lições que emanam de suas incomuns existências constituem a imortal seiva que robustece crenças, revigora forças para a travessia do presente e inspira a busca do futuro.

Patrono. {Do lat. patronu] S.m. 5. Bras. Chefe militar ou personalidade civil escolhida com figura tutelar de uma força armada, de uma arma, de uma unidade, etc., cujo nome mantém vivas tradições militares e o culto cívico dos Heróis.
Extraído do Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Ed Nova Fronteira, 1ª Edição

patrono do exército brasileiro

A Revolução Liberal de Minas Gerais de 1842

A Revolução Liberal de Minas Gerais de 1842
Generalidades

Em 10 de junho de 1842, três dias após a vitória de Caxias em Venda Grande (SP), estourou a Revolta de Barbacena, cuja Câmara aclamou presidente interino de Minas Gerais, o Coronel José Feliciano, futuro Barão de Cocais. Os motivos foram os mesmos que determinaram a Revolta de Sorocaba. O presidente interino tomou diversas medidas administrativas. Várias cidades aderiram à revolução.

Ouro Preto resistiu à revolução, sob a liderança do presidente legal Bernardo Veiga, que bateu os revolucionários em Mendanha, em 23 de junho) e Presídio, em 25 de junho, o que estimulou a reação à revolução.

Mas, apesar disso, os revolucionários dominavam a parte mais populosa de Minas Gerais e as comunicações com o Rio de Janeiro.

Fortificaram-se em Queluz (Conselheiro Lafaiete) e fizeram de São João Del Rei a sua capital. Aí decidiram que conquistariam Ouro Preto com forças de Baependi, São João Del Rei e Barbacena, após se unirem ao forte das forças revolucionárias em Cataguases.

Foi quando tiveram conhecimento da pacificação de São Paulo, o que provocou a diminuição da euforia inicial. A vitória que obtiveram em Queluz (Conselheiro Lafaiete), em 26 de julho, acendeu a chama revolucionária.

 Desenvolvimento da Revolução

A Corte temerosa que o movimento se generalizasse pelo Brasil, tomou as seguintes providências.

- Desarticulou a possibilidade de revolta no Rio de Janeiro, pela adoção do estado de sítio.

- Convocou guardas nacionais da reserva, em licença e férias, e os funcionários públicos em disponibilidade.

- Tornou obrigatório o salvo-conduto para viagens em Minas Gerais.

- Ordenou a prisão dos líderes do Partido Liberal.

- Direcionou para Minas Gerais os guardas nacionais que conseguiu mobilizar, bem como algumas Unidades do Exército.

Os revolucionários tiveram a pronta adesão de São João Del Rei, Queluz (Conselheiro Lafaiete), de outras cidades do sul de Minas Gerais e do norte e leste de Ouro Preto.

Caxias chegou a Ouro Preto em 6 de agosto para pacificar Minas Gerais. Sua fama fez os revolucionários desistirem de atacar Ouro Preto e evacuarem Queluz.

Divergências começaram a dividir os revolucionários, que se dirigiram para o leste e conquistaram, com pouca luta, Sabará, em 13 agosto. Aí procuraram negociar uma rendição condicional, que não foi aceita.

Inseguros, os revolucionários procuraram concentrar-se no arraial de Santa Luzia, que proporcionava, por sua posição numa serra, comandamento de vista e de tiros sobre os seus acessos, além de apoiar um de seus flancos no rio da Velhas.

Em 20 de agosto, teve lugar o memorável combate de Santa Luzia, no qual 3.300 revolucionários, que souberam tirar grande partido tático das excelentes condições defensivas oferecidas pelo terreno, foram vencidos com grandes dificuldades pelas forças legais.

Com a vitória de Caxias em Santa Luzia, teve fim a Revolta de Barbacena, que durou dois meses e dez dias e causou sérias preocupações à Corte, por sua maior consistência militar.

Caxias entrou vitorioso e aclamadíssimo em Ouro Preto, em 10 de setembro, tendo antes, em 29 de agosto, sido promovido a Marechal de Campo Graduado (atualmente general de divisão), com 39 anos de idade.

Dois meses depois, em 2 de novembro, assumia, a Presidência e o Comando das Armas no Rio Grande do Sul para pacificá-lo, o que aconteceria em 1º de março de 1845, com a Paz de Ponche Verde.

Em suas campanhas de pacificação, Caxias via nos adversários irmãos rebelados e não inimigos. O líder Miguel Frias, de uma revolução no Rio que ele pacificou, será o seu Chefe de Estado-Maior na Revolução Farroupilha. José Mariano de Matos, Ministro da Guerra farrapo, será o seu Chefe de Estado-Maior, na guerra contra Oribe e Rosas 1851-52. Eis a sua maior característica, segundo Taunay:

"A simplicidade na grandeza!"

"Em Santa Luzia, combateram ao lado de Caxias seus irmãos José Joaquim, o futuro Visconde de Tocantins, heroi daquele combate, e mais Carlos Miguel Lima e Silva, irmão mais moço de Caxias, sobre o qual comentava 'que ele parecia um leão' naquele combate. O seu irmão, José Joaquim, comandou a coluna da esquerda e Caxias a da direita. E foi o fiel da vitória!

Em Santa Luzia, Caxias aprisionou o alemão Major engenheiro T. Wisner Morgentau, a serviço dos revolucionários. Decorridos vinte e seis anos, o reaprisionaria em Lomas Valentinas, agora a serviço do Exército Paraguaio. Caxias, para pacificar a revolução Farroupilha, contaria com a apoio de revolucionários mineiros que enfrentara em Santa Luzia.