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O salvador de Salvador

O salvador de Salvador

 

A Bahia continuava, contudo, entalada na garganta do invasor. Nassau, não obstante o superior poder militar, vê-se impotente para eliminar a tenaz defensiva estabelecida em Salvador e adjacências. Em 1638, quando de nova investida holandesa à sede do Governo-Geral, ocorre um dos mais importantes momentos de nossa História Militar, conhecido como "Batalha do Salvador". Esta passagem, autêntico hino de bravura, marcado por acordes de sofrimento e abnegação, tem a regência do destemido Luís Barbalho Bezerra, mestre nos combates de emboscada.

Trabalhando noite e dia, esse pernambucano, nascido nas proximidades do Recife, ergue um reduto (mais tarde transformado na fortaleza que leva seu nome), no qual resiste até os limites da exaustão – inatingíveis para ele e seus comandados. Quando, a 21 de maio de 1638, Nassau empreende ação decisiva, com o propósito de fincar o pé nas mornas areias de Salvador, o "Herói da Resistência Baiana" sai de seu refúgio e ataca o inimigo pela retaguarda, manobra que semeia a desordem, o pânico e a destruição entre os flamengos. Moral e provisões em baixa, Nassau volta para o conforto de sua Mauritzstadt.

A chegada de nova esquadra de reforço, enviada pela Espanha em 1640, enseja novo embate naval, vencido pelos holandeses nas costas de Pernambuco. Parte da frota derrotada, com cerca de mil homens, ruma para Touros, no Rio Grande do Norte, e sob a liderança do invencível Luis Barbalho – muito bem acompanhado de combatentes da estirpe de Barreto de Menezes, Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão – empreende memorável marcha de mais de dois mil quilômetros até a Bahia, onde contribui decisivamente para repelir as forças de Nassau, que tentavam mais uma investida contra a sede do Governo-Geral.