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Mensagem do CNOR para o Dia do Oficial R/2

 
No dia 4 de novembro o Exército Brasileiro comemora o Dia do Oficial da Reserva (R/2). A data foi instituída no ano de 2006, pela Portaria do Comandante do Exército nº 429, em atendimento a uma proposta do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva (CNOR), e confirmada posteriormente pela Portaria do Comandante do Exército nº 1.685, de 5 de dezembro de 2017.
 
O Dia do Oficial da Reserva (R/2) foi fixado em memória ao nascimento do Tenente-Coronel de Artilharia Luiz de Araújo Correia Lima, idealizador dos Órgãos de Formação de Oficiais da Reserva no Brasil. Nascido em Porto Alegre/RS em 1891, filho primogênito de um General-de-Divisão e aluno destacado em todas as Escolas Militares que cursou, o então Capitão Correia Lima, nos idos da década de 1920, teve uma ideia bastante avançada para o Brasil da época: convocar os alunos das faculdades para cursar um centro de preparação, durante as férias e nos finais de semana, onde constituiriam uma reserva de alto nível para o Exército. A ideia era inspirada em seus estudos sobre o recompletamento das tropas dos exércitos europeus na 1ª Guerra Mundial, e no modelo americano Reserve Officers Training Corps (ROTC), criado em 1919 nos Estados Unidos da América. Obstinado, o Capitão Correia Lima é finalmente nomeado Comandante do primeiro Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) no Brasil, criado pelo Ministério da Guerra em resposta a seus esforços, aos 22 de abril de 1927, no Rio de Janeiro.
 
No ano seguinte, em 1928, é criado o CPOR de Porto Alegre e em abril de 1930 criados os CPORs de Belo Horizonte e São Paulo. Em setembro daquele ano, em Curitiba, insurretos da Revolução de 30 assassinam covardemente pelas costas o então Major Correia Lima, com apenas 38 anos de idade, ao defender bravamente o seu comando no 1º Grupo do 9º Regimento de Artilharia Montada. No mês seguinte Correia Lima é promovido post-mortem ao posto de Tenente-Coronel, por ato de bravura.
 
Três anos após sua morte surge o CPOR do Recife, e até a 2ª Guerra Mundial os Centros e Núcleos (NPOR) surgem em Belém, Manaus, Fortaleza, Curitiba, entre outros, para formar tenentes da reserva para o combate. Chega a 2ª Grande Guerra, que comprova o acerto dos ideais de Correia Lima, quando metade dos tenentes enviados à Campanha da Itália pela Força Expedicionária Brasileira é constituída de Oficiais R/2, como são chamados os Oficiais da Reserva oriundos destes Órgãos de Formação. Um Tenente da Turma de 1939 do CPOR/RJ torna-se a expressão máxima dos feitos heroicos dos Oficiais R/2 na FEB. Apollo Miguel Rezk sagra-se o militar brasileiro mais condecorado na 2ª Guerra Mundial e o único a receber a maior medalha de bravura do Governo dos Estados Unidos, concedida a apenas três não-americanos ao longo de todo o conflito.
 
O tempo passa e o curso, que durava 3 anos, em 1942 é adaptado para 2 anos, e em 1966 reestruturado para 1 ano duração. Hoje, após 91 anos de existência dos Órgãos de Formação de Oficiais da Reserva no Exército Brasileiro, entre extinções e criações, temos 5 CPORs e 57 NPORs distribuídos por todo o território nacional, formando anualmente jovens universitários em Aspirantes-a-Oficial da Reserva das diferentes armas, quadro e serviço da linha bélica, alguns que seguem como tenentes até 7 anos na Ativa.
 
Na linha técnica e de saúde, a evolução do Exército criou Oficial Técnico Temporário (OTT) nas áreas administrativas, e o Oficial Médico, Farmacêutico, Dentista e Veterinário Temporários (MFDV), nas áreas de saúde. São homens e mulheres, profissionais já formados em uma Instituição de Ensino Superior em áreas de interesse da Força, que são rigorosamente selecionados e submetidos a um Estágio de formação de Oficiais R/2, e podem servir como tenentes pelo mesmo período dos tenentes R/2 da linha bélica, porém nas áreas específicas de sua formação superior.
 
No atual processo de transformação do Exército Brasileiro, o Oficial R/2 desempenha um papel cada vez mais relevante, tanto nas complexas e desafiadoras missões militares, inclusive em regiões inóspitas, quanto no papel multiplicador dos valores castrenses na sociedade. Ao deixarem o serviço Ativo, tornam-se embaixadores qualificados do Exército, pelo alto nível intelectual e em sua maioria social, e pela capilaridade em várias faixas etárias e diferentes profissões no segmento civil ou ainda militar que passam a ocupar.
 
O Conselho Nacional de Oficiais da Reserva (CNOR), criado em 1997, congrega nos dias atuais mais de 20 Associações regionais que aglutinam essa classe de Oficiais dispersos na sociedade, e os mantém unidos e coesos em torno dos valores da caserna.
 
Ao reverenciarmos hoje os 127 anos de nascimento do patrono Ten Cel Correia Lima, comemoramos o êxito dos ideais deste visionário, reproduzidos inclusive pela Marinha e Aeronáutica, cujos resultados trazem grande benefício para o Brasil. De um lado, transformando, ano a ano, jovens universitários e pós-universitários em homens e mulheres capacitados a defender a pátria, inclusive com o sacrifício da própria vida, como uma preciosa reserva mobilizável de tenentes para as Forças Armadas. De outro lado, desenvolvendo uma juventude de líderes para a sociedade, com características e valores inestimáveis, fundamentais para a construção de uma nação mais íntegra, ética, justa e solidária.
 
Para resumir todo o sentimento do que é ser um Oficial R/2, encerramos com a célebre frase do Gen Octávio Costa, que tão bem traduz o pensamento daqueles que um dia tiveram a honra de sentir o verde-oliva circular em suas veias, e o camuflado pulsar em seus corações:
 
“A farda não é uma veste, que se despe com facilidade e até com indiferença. Mas uma outra pele, que adere à própria alma, irreversivelmente para sempre!”
 
Parabéns, Oficiais R/2 do Brasil! 
 
Vibrem pelo seu dia!
 
E que Deus nos abençoe. Brasil, acima de tudo!!
 
Recife, 4 de novembro de 2018
 
Rogério de Souza Vasconcelos Junior - 1º Ten R2
Presidente do CNOR