Armas, Quadros e Serviços

       É fato pouco conhecido pelo público em geral que, sob a denominação de Militar do Exército Brasileiro, existe uma ampla gama de especializações desempenhadas por cada integrante da Força Terrestre, abrangendo os mais diversos campos de atividades, e que, na maioria dos casos, define toda a carreira militar desses indivíduos.

        A grande divisão dessas especializações é definida pela Arma, Quadro ou Serviço a que pertence um militar do Exército. As Armas englobam o militar combatente por excelência, radicionalmente a atividade-fim da profissão. Os Quadros reúnem os militares que, de origem diversa, aglutinam-se dentro desses quadros com uma finalidade geral própria. Por fim, há os Serviços que, como o termo indica, têm uma atividade de apoio bem definida, normalmente de cunho logístico.

     As Armas dividem-se em dois grupos: as Armas-Base (Infantaria e Cavalaria) e as Armas de Apoio ao Combate (Artilharia, Engenharia e Comunicações). A Infantaria define o combatente a pé, aquele que pode deslocar-se por qualquer tipo de região e que conquista, ocupa e mantém o terreno, em operações ofensivas e defensivas; pela variedade de missões o infante também tem suas especializações, tais como: de selva, blindado, de montanha, paraquedista, Polícia do Exército e muitas outras, que estão ilustradas neste site. A Cavalaria reconhece, proporciona segurança às demais formações em combate e combate por seus próprios meios; seja blindada ou mecanizada mantém nos seus atuais veículos as capacidades das tradicionais formações hipomóveis (a cavalo).

        As Armas de apoio complementam a missão das armas-base, quer pelo apoio de fogo de seus obuses, canhões, foguetes e mísseis (Artilharias de Campanha e Antiaérea – EsACosAAe; pela mobilidade e contramobilidade (Engenharia) e pela instalação e manutenção dos sistemas de C2 (Comando e Controle) e de Guerra Eletrônica – CCOMGEx/DF (Comunicações). Os oficiais e sargentos de carreira, das diferentes Armas, são oriundos da Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN (Resende/RJ) e da Escola de Sargentos das Armas – EsSA (Três Corações/MG), respectivamente.

     Os Quadros principais, na atualidade, são: o Quadro de Engenheiros Militares (QEM), com seus integrantes formados ou profissionalizados pelo tradicional Instituto Militar de Engenharia - IME; o QEM tem a seu encargo a maior parte do trabalho técnico de engenharia não-combatente como a área de C & T, bem como a produção do material bélico, nas fábricas e arsenais. O Quadro de Material Bélico (QMB), também formado na AMAN, trata das atividades gerais de manutenção dos equipamentos bélicos da Força, incluindo suas viaturas. Por fim, o mais recente Quadro Complementar de Oficiais (QCO), que permitiu aos possuidores de um diploma de nível superior, nas áreas gerais da administração (Administração, Direito, Informática, Letras, Comunicação Social, dentre outras), o ingresso como oficial de carreira, por intermédio da Escola de Formação Complementar do Exército (Salvador/BA).

        Os Serviços de Intendência e de Saúde (médicos, dentistas e farmacêuticos) trabalham na paz e na guerra para a manutenção do homem, pelo atendimento às suas necessidades de sustento e sanitárias. Os oficiais de Intendência são mestres no suprimento e nas finanças, também oriundos da AMAN. Os oficiais da área de saúde, após sua graduação em uma instituição de ensino superior, ingressam no Exército por intermédio da Escola de Saúde do Exército – EsSEx. As mulheres no Exército, atualmente, podem ingressar, como militares de carreira ou temporárias, no QEM, no QCO e no Serviço de Saúde, em igualdade de condições com os homens e concorrendo às mesmas promoções.

      Os graduados (subtenentes e sargentos) das áreas de apoio, incluindo músicos, são formados em outras escolas militares, de acordo com a sua área de atuação; assim, além da já citada EsSEx, temos as: Escola de Sargentos de Logística – EsSLog, Escola de Comunicações – EsCom, Escola de Instrução Especializada – EsIE e o Centro de Instrução de Aviação do Exército– CIAVEx.

Serviço de Assistência Religiosa

 

O Serviço de Assistência Religiosa (SAREx) é formado por ministros das religiões católica e evangélica. Os padres e pastores integram o Quadro de Capelães Militares, após um estágio de adaptação iniciado na Escola de Administração do Exército e concluído em diversas organizações militares. Iniciando a carreira como 2º tenente, podem atingir até o posto de coronel.

Muito já se filosofou sobre a existência humana. Vários pensadores especularam exaustivamente diante da inquietadora indagação: "Que podemos esperar da vida?". A capacidade de pensar e conceber o próprio futuro dá ao homem características que o distinguem como criação divina. Idéias e ações é que constroem uma sociedade civilizada. Imaginação e fé, por outro lado, fazem as pessoas acreditarem em que o sentido de viver transcende o concreto, o materialismo. E, embora a humanidade não seja capaz de compreender o tempo cosmológico, que é o tempo de Deus, o eterno, o infinito, pelo menos pode intuir a presença do Santo Criador e viver o tempo humano, o tempo histórico, o tempo finito.

Os soldados precisam muito de Deus. Difícil é a vida daquele que tem como ofício a guerra, fazendo-a ou evitando-a. Às vezes, as tropas precisam reordenar situações de caos, restabelecer a civilização, pôr fim às divergências e aos ressentimentos. Uma árdua tarefa, como se pode notar. Algo que exige força descomunal, uma palavra consoladora que vem da religião.

As tropas brasileiras contaram, quase sempre, com assistência religiosa. No Império, funcionava a Repartição Eclesiástica do Exército, que teve seus serviços paralisados por décadas com o advento da República. Viria a ser restabelecida, no entanto, quando, sob os efeitos da II Guerra Mundial, o País organizou a Força Expedicionária Brasileira para combater na Europa.

Hoje, no Brasil, há um Ordinariato Militar. Uma verdadeira diocese, com seu bispo, sua catedral, seu seminário, seu clero, sua cúria, suas pastorais. Existe um acordo firmado entre a Santa Sé e o governo brasileiro, que regula o funcionamento da Arquidiocese Militar do Brasil no âmbito das Forças Armadas e Forças Auxiliares, sediada em Brasília.

Graças ao trabalho dos capelães militares, as tropas podem contar, em todas as circunstâncias, com a assistência espiritual tão necessária para o entendimento da existência humana e para a crença em uma vida futura junto a Deus.

O patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército é o Frei Orlando.