Patronos

ANTONIO JOÃO

A 29 de dezembro de 1864, nas longínquas e remotas paragens dos lindes de Mato Grosso, um tenente do Exército Brasileiro, no comando de uma guarnição isolada, escreveu uma das mais comoventes páginas da nossa história militar ao sacrificar sua vida na defesa de seu posto e, por via de conseqüência, do solo pátrio. Antônio João Ribeiro era seu nome.

Nascido na vila de Poconé, Província de Mato Grosso, em 24 de novembro de 1823, Antônio João ingressou na Força, como soldado voluntário, em 06 de março de 1841. Forjou seu caráter e desenvolveu seu acentuado valor profissional no dia-a-dia da caserna, galgando as graduações de cabo e sargento. Pelos indiscutíveis méritos evidenciados ao longo da carreira, atingiu o oficialato, sendo promovido a 1º tenente em 02 de dezembro de 1860 e comissionado como comandante da Colônia Militar de Dourados, à frente da qual viria a falecer quatro anos e 27 dias mais tarde.

Liderando um punhado de destemidos, incluindo quatro civis e uma mulher, não se intimidou ante o assédio de um inimigo muito mais numeroso e melhor equipado. Enviou mensageiro com um bilhete para o comandante do Distrito Militar de Miranda e rejeitou com altivez a intimação para render-se, não se furtando ao embate desigual.

Dispôs seus comandados nos postos de combate e aguardou o ataque. Tombou sob o peso da fuzilaria de mais de 200 bocas-de-fogo. A Pátria acabara de incorporar mais um bravo à sua galeria de Heróis.

NR: o mensageiro despachado por Antônio João não chegou ao seu destino. Foi capturado pelo inimigo. A mensagem que portava era pequena no tamanho e grande no significado. Ela extravasava o inarredável sentimento do dever de um militar, expresso nas poucas palavras ali colocadas pelo bravo tenente:

"Sei que morro, mas o meu sangue e o de meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo de minha Pátria".